BBC Brasil
01/09/2008 - 07h37

EUA entregam ao Iraque controle de Província sunita

da BBC

O Exército americano entregou o controle da Província de Anbar, no oeste do país, às autoridades iraquianas durante uma cerimônia na cidade de Ramadi, capital provincial, nesta segunda-feira.

Um forte esquema de segurança foi instalado na cidade para a entrega do controle da região --em que 95% da população é sunita.

Com a transferência de Anbar, os iraquianos passarão a controlar 11 das 18 Províncias do país.

Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Mike Sergeant, a transferência do controle de Anbar, a maior Província do país, representa um marco para os militares americanos no Iraque.

Transformação

Anbar foi o centro da insurgência sunita contra os americanos depois da queda de Saddam Hussein, em 2003, e uma das regiões mais violentas do Iraque.

Arte Folha Online/Folha Online
mapa iraque baquba

Mais de um quarto dos soldados americanos mortos no Iraque morreram na Província. Algumas cidades, como Ramadi e Fallujah, faziam parte do que ficou conhecido como o "triângulo da morte" ao sul de Bagdá.

A Província começou um processo de transformação significativo a partir de 2006, quando grupos rebeldes passaram a se aliar à luta dos americanos contra a rede Al Qaeda.

Líderes sunitas, financiados pelos EUA, formaram os chamados Conselhos da Salvação --grupos que lutam contra a Al Qaeda e representam uma força militar e política no país.

Segundo o correspondente da BBC, há uma grande preocupação sobre a capacidade desses grupos em trabalhar com o governo do Iraque.

Atualmente, o Exército americano possui 28 mil soldados em Anbar, comparados com 37 mil instalados na região em fevereiro. Em contrapartida, o número de policiais e soldados iraquianos subiu para 37 mil, comparados aos 5.000 presentes na região há três anos.

A entrega do controle de Anbar havia sido adiada diversas vezes. Inicialmente, a transferência estava marcada para março e depois postergada para junho e novamente adiada para setembro.

As autoridades americanas alegaram que o atraso em junho foi provocado por uma tempestade de areia e o adiamento em julho teria sido conseqüência de um desentendimento entre o governador da Província e o governo em Bagdá sobre o controle das forças de segurança.

 

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