Eliminação do dólar favorece poucas empresas, diz "La Nación"
da BBC Brasil
A possível eliminação do dólar nas transações comerciais entre Brasil e Argentina não deve provocar uma mudança radical nas relações bilaterais e deverá beneficiar apenas algumas pequenas e médias empresas, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal argentino "La Nación".
A medida, anunciada na segunda-feira (8) pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva e pela presidente argentina Cristina Kirchner, é opcional e foi adotada como um dos passos para aumentar a integração entre os dois países.
Para a presidente argentina, o uso do real e do peso em vez do dólar é "uma questão cultural"; para Lula, é o "passo inicial para uma futura integração monetária".
Já o presidente da Câmara de Exportadores da República Argentina, Enrique Mantilla, disse ao "La Nación" que "o maior ou menor uso do novo mecanismo vai depender de se a empresa trabalha a crédito. Se eu compro em pesos a 180 dias e me dão um financiamento alto, vou preferir que a operação seja em dólares, com menos taxas".
Para Mantilla, "é sempre melhor ter mais uma alternativa", mas apenas as pequenas e médias empresas, com pouco fluxo comercial e pequeno volume de trocas deverão se beneficiar.
De acordo com a medida, que entra em vigor no dia 3 de outubro, as empresas exportadoras argentinas vão poder emitir sua fatura aos compradores brasileiros em pesos, como se estivessem vendendo o produto a uma empresa argentina. Os brasileiros, por sua vez, vão poder emitir suas faturas em reais.
Os bancos centrais da Argentina e do Brasil vão fazer o intercâmbio de moedas e vão publicar, diariamente, a taxa de câmbio entre pesos e reais, sem que seja necessário o uso do dólar.
"Na chancelaria argentina afirmam que este é o primeiro passo não apenas para a integração financeira do Mercosul, mas também para a moeda comum, um projeto que demorou 45 anos para se concretizar na União Européia", escreve o "La Nación", lembrando que o Mercosul tem apenas 17 anos.
"No Palácio San Martin [sede do Ministério das Relações Exteriores argentino], confiam que, se o comércio de bens sem o dólar funcionar, depois será desdolarizado o intercâmbio de serviços, incluído o turismo, e, mais tarde, se integrarão os mercados de capitais."
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