BBC Brasil
24/09/2008 - 08h03

Análise: Na cruz da Pensilvânia

LUCAS MENDES
da BBC Brasil, em Nova York

Estamos no bico do funil. Faltam 41 dias para a eleição e um exame de todas as pesquisas mostra que num país com 50 Estados, 11 serão cruciais e um deles, como a Flórida em 2000 e Ohio em 2004, poderá decidir as eleições.

Hoje os cruciais são Flórida, Ohio, Colorado, Virgínia, Nevada, Novo México, Carolina do Norte, New Hampshire, Michigan, Wisconsin, e Pensilvânia. Democrata Barack Obama lidera em 7, John McCain em 4, mas são vantagens dentro da margem de erro.

Até o dia das eleições vamos examinar cada um destes Estados e vamos começar pela Pensilvânia, que tem 21 votos no colégio eleitoral, é o quarto maior (os outros três maiores são Califórnia, com 55 votos, Nova York, com 31 e Flórida, com 27) e nas últimas 4 eleições votou nos democratas. Em 2004, John Kerry ganhou de George Bush com uma margem de 2,5%.

A Pensilvânia é um Estado que vai do pobre ao rico, do campo à cidade, do semi-analfabeto às melhores universidades. A grande indústria enferrujou, mas há uma explosão nas áreas de ciência e tecnologia.

Em religião oferece de tudo e foi o berço da república. Sem a Pensilvânia não se conta a história americana, nem o democrata chega à Casa Branca ano que vem.

Nestas primárias, Hillary Clinton deu uma surra em Obama na Pensilvânia, que antes da eleição insultou milhares de eleitores de classe média baixa quando disse que "gente amarga se apega a armas e à religião nas crises econômicas".

Barack Obama abriu 65 escritórios no Estado, quatro vezes mais do que McCain, mais do que em qualquer outro Estado, e os democratas têm um milhão de eleitores registrados a mais do que os republicanos.

Com este histórico e estes números, por que Obama está tão preocupado com a Pensilvânia? Porque caso perca em Ohio e na Flórida, Estados que hoje favorecem McCain, a Pensilvânia se torna indispensável.

Obama teria de vencer em Estados menos confiáveis e com menos votos no colégio eleitoral, como Virgínia, Carolina do Norte, Nevada, Colorado e Novo México. Se ganhar na Flórida ou Ohio, pode se dar ao luxo de perder na Pensilvânia.

Os democratas não estão investindo só nos 11 Estados cruciais. Há uma lista maior, de 24 Estados considerados prioritários, onde vários grupos, em especial os sindicatos, fazem o trabalho de "formiguinha", uma fórmula cara copiada dos republicanos para descobrir e concentrar as energias em "micro-alvos".

O candidato não desperdiça dinheiro em territórios republicanos, mas concentra os esforços nos democratas frouxos e firmes, nos indecisos e independentes.

Nas campanhas anteriores, os republicanos tinham o "cofre dos eleitores" onde estava a lista de fiéis recrutas disponíveis para bater de porta em porta, passar horas nos telefones, buscar os eleitores em casa e levá-los para os pontos de votação.

O cofre democrata é o "Catalist", uma empresa criada por Harold Ickes que assessorou as campanhas de Clinton. São informações detalhadas sobre 230 milhões de americanos. O grosso do dinheiro vem dos cofres dos grandes sindicatos, como a AFL-CIO e, da organização "Change to Win", que reúne sete sindicatos com 65 milhões de dólares disponíveis para mala direta e telefonemas.

Obama tem dois problemas na Pensilvânia: o voto dos homens brancos da classe média baixa que estão seduzidos por Sarah Palin e das mulheres que não foram conquistadas por ela e continuam indiferentes a Barack Obama.

Pelas pesquisas de ontem Obama tinha uma vantagem de 2,5% sobre McCain, a mesma margem de vitória do democrata sobre o republicano em 2004, mas às vésperas de um debate e de um possível mergulho numa recessão, a Pensilvânia é essencial e imprevisível.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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