BBC Brasil
25/09/2008 - 17h40

Entenda as polêmicas sobre o pacote dos EUA

da Folha Online

Os congressistas americanos estão tentando fechar um acordo sobre o pacote de resgate à economia americana.

Desde o anúncio sobre o plano para salvar o mercado financeiro do país, na sexta-feira, dia 19 de setembro, surgiram muitas dúvidas e críticas ao documento de três páginas elaborado pelo Tesouro americano para definir o plano.

A BBC Brasil destaca algum dos pontos mais polêmicos sobre o plano, que pode chegar a US$ 700 bilhões.

O pacote é necessário?

O presidente americano, George W. Bush, e seus principais assessores na área econômica afirmam que a economia americana pode enfrentar problemas muito sérios se nada for feito.

Em um discurso na Casa Branca, o presidente americano disse que, sem um pacote de ajuda, "o país pode cair em uma grande recessão" e que o "custo para os americanos será muito maior".

A maioria dos economistas, mesmo os críticos ao plano apresentado pelo governo Bush, concorda que algo deve ser feito. Entre os motivos apontados para intervir estão o fato de a crise estar afetando os mercados de crédito em todo o mundo, o risco de novas empresas financeiras falirem e o impacto negativo no valor das ações das empresas.

Apesar do certo consenso sobre a necessidade de ação, há muita discordância sobre o que deve ser feito.

O que o governo propôs?

O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, foi um dos principais autores do documento inicial sobre o plano de resgate ao mercado financeiro. O plano foi anunciado com um valor de US$ 700 bilhões e com o objetivo principal de retirar do mercado os "títulos podres" ligados à crise de hipotecas que estão em poder do mercado financeiro nos Estados Unidos.

Isso significa que o governo propôs comprar esses papéis para retirá-los da mão das empresas, fazendo com isso que sua situação financeira melhore, diminuindo o risco de falência e, em tese, aumentando o volume de dinheiro e crédito à disposição do mercado em geral.

Depois do anúncio inicial sobre o pacote, Ben Bernanke, o presidente do Fed, o banco central americano, esclareceu que a intenção era comprar os títulos de má qualidade pelo seu "valor de maturação" e não pelo seu valor de mercado. Ou seja, por um valor bem maior do que eles possuem atualmente.

O plano inicial também previa que todo o controle sobre a administração dos US$ 700 bilhões ficaria a cargo do Tesouro, sem influência externa.

Há dúvidas sobre o ponto principal do pacote, a compra de créditos podres?

Sim. Esse é um dos principais pontos de disputa é quanto. Pra fazer sentido, o governo terá que comprar esses títulos por um valor muito maior do que eles têm atualmente, com a expectativa que no futuro esses papéis voltem a ter valor.

Segundo o editor de economia da BBC Robert Peston, "isso significa que os bancos que venderem seus títulos ao Tesouro (dos EUA) devem receber em dinheiro o equivalente a algo como duas vezes o valor pelo qual esses títulos estão registrados em seus balanços".

Para Peston, a estratégia representaria uma grande injeção de capital novo no sistema bancário americano, pelo qual os contribuintes americanos não receberiam nada em troca.

O secretário Paulson e a equipe econômica do governo defendem que essa seria a maneira mais eficaz de devolver a confiança ao mercado financeiro e permitir o retorno do crédito.

Para alguns, como o megainvestidor George Soros, o plano não só seria injusto com o contribuinte, mas também ineficaz. Ele argumenta que embora muito grande, o pacote pode se mostrar insuficiente para sanar um mercado --o de hipotecas-- de US$ 11 trilhões. Para ele, seria mais eficiente investir nas empresas com problemas, injetando capital e recebendo ações em troca. Algo que o governo de certa forma já fez com algumas empresas desde o começo da crise.

Quais são os outros principais pontos de discórdia?

Desde que o plano foi apresentado, uma das primeiras críticas foi a de que muito poder ficaria concentrado na mão do secretário Paulson. Políticos de todos os matizes defendem que haja uma supervisão externa sobre como os fundos serão gastos e geridos.

O pagamento de executivos de empresas ajudadas também entrou no debate. Os democratas, por exemplo, defenderam desde o primeiro anúncio que fosse criado um limite sobre o ganho dos executivos que trabalham nas companhias com problemas.

Outro ponto de polêmica é se o plano deve ajudar diretamente aqueles que têm hipotecas e estão tendo problemas para pagá-las e não se concentrar apenas em ajudar os bancos.

Comentários dos leitores
celso assis (73) 29/11/2009 20h04
celso assis (73) 29/11/2009 20h04
E OS IMÓVEIS NO BRASIL QUE SUBIRAM NO MINIMO 30 A 40% NOS ULTIMOS 12 MESES VÀO DAR SEU TOMBO QDO? sem opinião
avalie fechar
celso assis (73) 29/11/2009 20h02
celso assis (73) 29/11/2009 20h02
Enqto o presidente do Bco. Central Sr. Meirelles, avisa que vai tudo bem, mas poderá haver problemas à frente, portanto evitem exuberância irracional, os gananciosos chefões do Bradesco e Itau, bancos especialistas em esfoliar seus clientes e o povão, dizem que só há maravilhas a frente. QUE DIFERENÇA NÃO. sem opinião
avalie fechar
O Pacificador (224) 29/11/2009 15h33
O Pacificador (224) 29/11/2009 15h33
"Crise em Dubai pode ameaçar países emergentes..."
A grande pergunta aqui é se esse "problema" em Dubai, é o reflexo ainda da crise de um ano atrás, ou é o aviso que a tal crise ainda não acabou e está agora entrando em outra fase?
Portanto, Dubai é reflexo, consequência ou início de um novo ciclo de destruição econômica?
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4374)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca