BBC Brasil
29/09/2008 - 20h57

Rejeição de pacote preocupa Obama e McCain; leia reações

da BBC

As reações à rejeição pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos do pacote de US$ 700 bilhões para resgatar a economia americana se multiplicaram com rapidez nesta segunda-feira.

Os dois principais candidatos à Presidência do país, o democrata Barack Obama e o republicano Jonh McCain, também foram a público para comentar o resultado da votação na Câmara.

Obama pediu que democratas e republicanos "se envolvam com o trabalho e resolvam" o assunto.

"Entendam que, mesmo depois disso (da aprovação do plano), para estabilizar os mercados, teremos que trabalhar mais para termos certeza de que as pessoas comuns estão recebendo o mesmo tipo de ajuda que Wall Street", disse o democrata.

"Não podemos nos esquecer para quem isso está sendo feito", acrescentou. "Isso é para o povo americano, e não apenas para alguns."

O republicano John McCain pediu que os parlamentares tentem de novo buscar a aprovação do pacote e aproveitou para criticar seu oponente.

"Peço ao Congresso que volte imediatamente a tentar resolver esta crise", afirmou McCain. "Nossos líderes devem deixar o partidarismo na porta e resolver os problemas."

"O senador Obama e seus aliados colocaram um partidarismo desnecessário no processo", acrescentou o republicano. "Agora não é hora de apontar culpados, é hora de resolver o problema."

"Gostaria que todos os nossos líderes possam colocar os objetivos políticos de curto prazo de lado para fazer o que é melhor para o interesse do povo americano", concluiu McCain.

Casa Branca

Na Casa Branca, o presidente George W. Bush declarou que o governo continuará trabalhando para superar a crise e para desenvolver uma estratégia que permita que os Estados Unidos "sigam em frente".

"Colocamos (para a aprovação do Congresso) um plano grande porque temos um grande problema", disse Bush, que, por meio de um porta-voz da Casa Branca, declarou estar "muito decepcionado" com o resultado da votação.

Um dos responsáveis pelas negociações entre o governo e o Congresso, o secretário do Tesouro, Henry Paulson afirmou que o "plano é muito importante para simplesmente deixá-lo fracassar".

"Precisamos trabalhar o mais rápido possível", disse Paulson. "Temos ferramentas importantes em nossa 'caixa', mas elas não são suficientes. Então, vamos continuar trabalhando com o que temos até que o Congresso nos dê o que precisamos."

"Decepção" também foi a palavra utilizada pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ao comentar os acontecimentos desta segunda-feira.

"O resultado nos Estados Unidos foi muito desapontador", disse Brown. "Mandamos uma mensagem para a Casa Branca falando da importância de nos juntarmos para tomarmos uma ação decisiva."

Congresso

A democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, culpou diretamente os republicanos pela não aprovação do pacote.

"Falei com o secretário Paulson e disse que havíamos feito nossa parte do acordo", afirmou Pelosi. "Ele e o presidente nos convenceram sobre a gravidade da situação."

"Esta ação era necessária para estabilizar os mercados e para proteger os contribuintes", acrescentou. "Claramente, a mensagem não foi recebida ainda pela bancada republicana. Mas, de novo, estendemos nossa mão para cooperar."

Outro democrata, o chefe do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Barney Frank, também lamentou a decisão.

"Tudo o que eu queria era estar errado nos próximos dias, mas fui convencido de que estamos ameaçados com um fechamento do sistema de crédito que pode trazer muita dor às pessoas deste país em um momento em que a economia já está enfraquecida", disse Frank.

Já o deputado republicano Jeb Hensarling criticou o plano e afirmou que a "Câmara dos Representantes foi obrigada a escolher entre o colapso financeiro e a falência dos contribuintes, de um lado, e um caminho para o socialismo, de outro". "Tudo isso em 24 horas", completou Hensarling.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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