BBC Brasil
30/09/2008 - 02h05

Políticos dos EUA trocam acusações por fracasso de pacote

BRUNO GARCEZ
da BBC Brasil, em Washignton

Republicanos e democratas trocaram acusações sobre o motivo da rejeição no Congresso americano ao pacote econômico de US$ 700 bilhões proposto pelo governo.

Congressistas republicanos disseram que um discurso supostamente inflamado da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, fez com que muitos integrantes do partido que pretendiam votar pela proposta mudassem de idéia.

Os democratas rechaçaram a acusação como sendo sem cabimento e disseram ter cumprido o papel que era esperado deles, mas que os rivais não teriam agido da mesma forma.

A proposta havia sido submetida a um série de mudanças nos últimos dias, após discussões entre lideranças dos dois partidos e parecia caminhar para a aprovação.

Mas acabou sendo derrubada nesta segunda-feira à tarde, por 228 votos contra 205. Era necessário um total de 218 votos para ratificar o projeto.

Acusações

Congressistas republicanos disseram que um discurso supostamente inflamado da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, fez com que muitos integrantes do partido que pretendiam votar pela proposta mudassem de idéia.

Pouco antes da votação, a líder da Câmara, Nancy Pelosi, fez críticas aos republicanos, afirmando que ''eles dizem ser defensores do livre mercado, mas na verdade defendem uma mentalidade de vale-tudo''.

Pelosi acrescentou ainda que esta mentalidade consiste ainda em ''nenhuma regulamentação, nenhuma supervisão, nenhuma disciplina. E se você fracassa, você ganha um pára-quedas de ouro e o contribuinte é quem salva. Estes dias acabaram. A festa acabou''.

Discurso

De acordo com John Boehner, o líder da minoria republicana no Congresso, teria sido possível obter os votos necessários para aprovar o pacote, "não fosse pelo discurso sectário que a presidente da Câmara realizou''.

De acordo com Boehner, as afirmações de Pelosi ''envenenaram'' a votação e contribuíram para a defecção de integrantes do partido.

Segundo Roy Blunt, o número 3 na hierarquia republicana no Congresso, o pronunciamento de Pelosi provocou a mudança de postura de até 12 integrantes do partido.

''Se as pessoas ficaram com os sentimentos feridos por causa de um discurso e isso fez com que elas votassem de forma distinta do que exige o interesse nacional, então elas não merecem estar aqui'', rebateu o democrata Barney Frank, que integra o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara.

Concessões

Para atenuar os efeitos do pacote sobre o contribuinte, os democratas haviam proposto que os US$ 700 bilhões fossem pagos em prestações e não de uma vez só, como queriam representantes de Wall Street.

A quantia seria paga em três fases. A primeira seria de US$ 250 bilhões. A etapa seguinte seria de US$ 100 bilhões e, por fim, a prestação final seria de 350 bilhões e poderia até mesmo ser derrubada pelo Congresso, caso os políticos julgassem que o pacote não estivesse surtindo efeito.

Outra concessão que os democratas obtiveram foi a de limitar as compensações oferecidas a presidentes de instituições financeiras que estão sendo resgatadas pelo governo.

Insuficientes

Os deputados republicanos se opuseram tanto ao conteúdo do pacote como à rapidez com que ele foi colocado em votação.

No fim de semana, líderes partidários haviam chegado a um acordo em relação a pontos polêmicos, como mecanismos de supervisão do mercado financeiro, proteção para os contribuintes e limites aos salários de executivos de instituições financeiras.

As concessões, porém, não foram suficientes para convencer boa parte dos congressistas a seguir a orientação dos líderes no plenário.

Comentários dos leitores
O Pacificador (225) 30/11/2009 17h29
O Pacificador (225) 30/11/2009 17h29
A única coisa que não está em recessão na Venezuela, é a imensa boca do Chávez...
Que fala, fala, fala e não diz nada.
A intensa perseguição á iniciativa privada, com a estatização de empresas via decreto, estão acabando com a precária economia do país.
O fechamento de dois bancos agora, é só a cerejinha que faltava...
É isso aí Chávez, se tinha alguém querendo embarcar na canoa furada do bolivarianismo falido, com esta quebradeira toda, até a cumpanherada saí correndo...
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Cristiano Garcia (375) 30/11/2009 10h12
Cristiano Garcia (375) 30/11/2009 10h12
Essa ultima piada do FMI é até engraçada...
Ele diz que já sabia e monitorava a situação economica de Dubai. Mas então por que não emitiu nenhum aviso, e tentou fazer algo para ajudar?
O que o FMI sabe fazer de melhor é desestabilizar economias emergentes propalando sua surrada e falsa doutrina economica.
Depois dessa quebradeira imposta por George Bush ao mundo, pensei que o FMI seria extinto, e que opiniões de bancos como Goldman Sachs e afins, que foram incompetentes e ou coniventes e ou cumplices com a quebradeira mundial iniciada por safados e ladroes de colarinho branco and black tie americanos, acreditei que essas opiniões nunca mais seriam usadas como norte em referencia à economia de qualquer país.
Quem sabe daqui umas 5 ou 6 gerações nos livraremos desses fósseis engessados e teremos de fato uma nova ordem mundial, centrada no homem.
sem opinião
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No fundo o problema é o seguinte:
As nações ricas estão numa corrida alucinada de quem consegue fazer a maior, mais alta e mais vultosa obra do planeta.
Quase que uma divisão entre a razão e o delírio, mas o sistema financeiro desta época global é muito sensível e qualquer " brisa " tende a se tornar um tornado.
Quantos monumentos da antiguidade vemos hoje ao redor do mundo em plena ruina acéu aberto ?!
Isso revela que o homem continua o mesmo, seu preceder não muda, mesmo que isso tenha que custar mão de obra miserável de países miseráveis.
A justiça por si só, encarrega-se de por as coisas no seu devido lugar, e o que era para ser glória acaba virando vergonha !!!
Até quando esses governos mundiais aprenderão que reinos, governos e nações se constroem com justiça e não com ganância ?!
" Quem muito alto quer subir e as estrelas chegar, não pode imaninar o tombo que poderá levar."
sem opinião
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