BBC Brasil
03/10/2008 - 07h35

Palin faz estilo simples, mas surpreende em debate com Biden

BRUNO GARCEZ
da BBC, em Saint Louis (Missouri)

"Prazer em conhecê-lo, e posso chamá-lo de Joe?"

Foi assim que a governadora do Alasca, Sarah Palin, se dirigiu a seu rival, o veterano senador democrata Joe Biden, logo que pisou no palco da Universidade Washington, em Saint Louis, sede do primeiro e único debate previsto entre os candidatos a vice-presidente dos Estados Unidos nas chapas republicana e democrata.

A frase sinalizou o que estava por vir, que a governadora seria fiel a seu estilo --a espontaneidade e carisma de uma mãe zelosa, e uma candidata a vice que acaba de assumir o palco principal, mas que não se deixaria intimidar pela vasta experiência de Biden e seu suposto conhecimento de causa superior no que diz respeito a política internacional.

A governadora colocou de lado temores de que fosse cometer deslizes ou se confundir em assuntos de política internacional e economia, como fez em uma recente entrevista e em eventos de campanha.

Simpatia e agressividade

Palin conciliou a simpatia com agressivos ataques contra a política externa defendida por Biden e o titular da chapa democrata, o senador Barack Obama.

Larry Rubenstein/Reuters
Democratic vice presidential nominee Senator Joe Biden (D-DE) and Republican vice presidential nominee Alaska Governor Sarah Palin shake hands after the vice presidential debate at Washington University in St. Louis, Missouri October 2, 2008. REUTERS/Larry Rubenstein (UNITED STATES) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008 (USA)
Candidatos a vice dos EUA, Joe Biden e Sarah Palin, se cumprimentam no debate

Em uma das passagens mais fortes, a vice republicana procurou contrastar a sua postura e a de seu companheiro de chapa, o senador John McCain, em relação à política para a guerra do Iraque defendida pela dupla democrata.

A governadora afirmou que Obama e Biden exibem "a bandeira branca da rendição" ao defenderem a retirada dos soldados americanos do Iraque e afirmou repetidas vezes que o democrata votou no Senado contra financiar os militares dos EUA estacionados no Oriente Médio.

Já Biden evitou atacar a governadora diretamente --chegando mesmo a elogiar os cortes de impostos que ela promoveu no Alasca-- centrando todas suas críticas no titular da chapa republicana.

O senador também louvou a rival pela defesa que ela fez da criação de mecanismos de controle ao sistema fiscal e enfatizou que, ao contrário dela, o titular da chapa republicana não seria a favor dos mesmos instrumentos.

O democrata por várias vezes afirmou que John McCain pretende oferecer à gigante petrolífera Exxon uma isenção de impostos de US$ 5 bilhões e tentou em diversas ocasiões associar McCain e Palin com o presidente George W. Bush.

Fantasma de Reagan

Em uma dessas passagens, Palin aproveitou para contra-atacar, citando o presidente e ídolo republicano Ronald Reagan. A governadora rebateu uma comparação de Biden com as políticas de McCain e as de Bush com a frase: "Lá vai você de novo, Joe".

Jeff Roberson/AP
Democratic vice presidential candidate Sen. Joe Biden, D-Del., left, and Republican candidate Alaska Gov. Sarah Palin face off during a vice presidential debate at Washington University in St. Louis, Mo., Thursday, Oct. 2, 2008. (AP Photo/Jeff Roberson)
Joe Biden e Sarah Palin debateram temas tão variados como Guerra do Iraque, crise econômica, casamento gay e impostos

O comentário soou idêntico ao feito por Reagan em um debate contra o então presidente Jimmy Carter, no qual o líder americano insistia em lembrar o voto do republicano contra um projeto de seguro saúde.

A política do Alasca ainda acrescentou que o democrata insistia em "botar culpa" e "olhar para trás". A governadora também lançou um forte ataque contra o próprio Biden, acusando-o de ter virado casaca em relação à Guerra do Iraque.

"É tão óbvia que eu sou uma forasteira em Washington e alguém que não está acostumada com a maneira que vocês operam, porque você votou pela guerra e depois votou contra", afirmou, em relação ao voto do senador autorizando a invasão do Iraque, em 2003.

Por vezes, Palin também procurou claramente fugir do tema, em assuntos com os quais parecia estar menos familiarizada.

"Eu quero falar sobre energia", ela afirmou em um dado momento, fugindo ao assunto que estava sendo indagado pela moderadora, que era política fiscal.

Em outra passagem, ela chegou a afirmar: "Eu posso não responder da maneira que você e a moderadora querem que eu responda, mas eu vou responder diretamente ao povo americano".

"Confiança"

Políticos e representantes da campanha de Obama e McCain que assistiram ao debate destacaram em entrevistas à BBC Brasil a segurança demonstrada por Palin.

O senador Joseph Lieberman foi candidato a vice-presidente na chapa democrata comandada por Al Gore, mas agora apóia John McCain. Ele se disse positivamente surpreendido pelo desempenho da governadora.

Indagado se julgou que ela soou ter tanto conhecimento de causa quanto Joe Biden, o senador afirmou que "sim, e isso é que foi surpreendente".

"Você tem uma pessoa que até seis semanas atrás era uma governadora, não havia operado em termos nacionais, encarando de frente Joe Biden, um homem extremamente capaz, que é senador há mais de 35 anos e ela demonstrou tanto conhecimento e confiança quanto Biden."

"O estarrecedor sucesso de hoje [ontem] à noite foi Sarah Palin. Ela excedeu qualquer possível patamar no que diz respeito a preparo. Ela está pronta para comandar", acrescentou.

Já Susan Rice, assessora de política internacional de Obama, reconheceu que Palin passou uma imagem "agradável seguramente". "Não há dúvida quanto a isso. Ela tem uma personalidade envolvente, mas houve muitas perguntas que ela não foi capaz de responder hoje [ontem] à noite".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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