Produtores rurais vão parar de novo na Argentina
da BBC Brasil
Em mais um capítulo do conflito entre o governo da Argentina e os agricultores, os principais produtores rurais do país anunciaram uma nova parada nacional que começará nesta sexta-feira.
A nova parada foi anunciada pelo diretor da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, que explicou que "a situação se agravou por causa do aumento dos custos do setor agrário".
| Vincent Villafañe /Efe |
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| A presidente argentina, Cristina Kirchner, enfrenta crise |
Durante esses dias se interromperá a comercialização de grãos e quase todo o rebanho. Durante o protesto, não haverá bloqueio de estrada. Também haverá manifestações no interior do país. A paralisação terminará na próxima quarta-feira (8), com um ato em San Pedro.
"O governo ignora de novo nossos chamados. Não se pode ignorar o agravamento da situação dos produtores por força dos custos, ligados aos preços do petróleo e da queda dos preços devido à crise financeira internacional", disse Biolcati.
Ao descontentamento dos últimos meses se somam a preocupação com a situação dos produtores pela seca que atinge a maior parte da área cultivável do país e a incerteza econômica que gera a crise financeira dos Estados Unidos.
Fim de impostos
Os agricultores pedem um plano nacional que lhes dê maior rentabilidade e protestam pela falta de uma política agropecuária do governo.
Além disso, exigem o fim dos impostos sobre as exportações de grãos. "Queremos a eliminação pura e simples das retenções (impostos às exportações)", disse Biolcatti.
Outra demanda é por maior ajuda estatal para comprar maquinarias e insumos, cujos preços são internacionalizados e em dólares.
Como resposta, o governo tomou medidas como fornecimento de subsídios para produção de leite e carne e restituição de impostos para pequenos agricultores. Ainda assim, os produtores não consideram essas medidas suficientes.
Greve
O anúncio de terça-feira (30) se une ao largo litígio entre o setor agrícola argentino e o governo da presidente Cristina Kirchner. Neste ano, milhares de produtores rurais realizaram uma greve de quatro meses em repúdio a um projeto da presidente de aumentar os impostos e as exportações de soja, entre outros grãos e cereais.
Ao final da greve, os ruralistas conseguiram fazer com que o Congresso derrubasse o projeto de "retenções móveis". A derrota no Parlamento provocou uma crise política no governo, que culminou na substituição de funcionários-chave, como o chefe do Gabinete e o secretário de Agricultura.
O protesto é impulsionado por agricultores, entre eles os produtores de soja, grão que ocupa 50% da superfície do país e que, graças aos altos preços dos mercados internacionais, gera recursos de quase US$ 24 bilhões (R$ 49 bilhões) por ano.
A Argentina é o terceiro produtor mundial deste cultivo.
Segundo estimativas, o conflito no campo derrubou a popularidade da presidente Argentina de 50% para 25%.
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