BBC Brasil
08/10/2008 - 01h00

Presidente do Fed sinaliza corte de juros nos EUA

da BBC Brasil

Em mais um dia atribulado para as economias de todo o mundo, governos e autoridades financeiras anunciaram nesta terça-feira mais medidas para tentar conter a crise financeira internacional

Em uma atitude surpreendente, Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), sinalizou que o Fed pode cortar as taxas de juros de curto prazo para tentar frear o que ele classificou como uma "crise de proporções históricas" e aquecer a economia americana.

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Em uma conferência na National Association for Business Economics, em Washington, Bernanke afirmou que as previsões de inflação melhoraram com a queda nos preços do petróleo e outras commodities. Por outro lado, ele afirmou que a economia americana desacelerou rapidamente.

"À luz deste acontecimentos, o Federal Reserve vai ter que reconsiderar se a atual política monetária continua apropriada", disse Bernanke, que afirmou que os efeitos da desaceleração da economia já ultrapassaram o mercado imobiliário.

A atual taxa de juros nos EUA é de 2% ao ano e a próxima reunião do Fed está marcada para o dia 29 de Outubro.

O Banco Central dos Estados Unidos também anunciou nesta terça-feira que planeja lançar um programa para comprar títulos de empresas privadas para ajudar a financiá-las no curto prazo.

A medida procura minimizar a crise de liquidez nos mercados e ajudar, com a compra dos títulos, a financiar estas empresas, que estão tendo dificuldades em vender suas ações para bancos e instituições financeiras.

Europa

A medida do Fed foi anunciada no mesmo dia em que os países da União Européia decidiram aumentar para 50 mil euros (cerca de R$ 143 mil) por cliente a garantia mínima às contas bancárias privadas no caso de falência de um banco do bloco. O valor garantido anteriormente era de 20 mil euros.

Reunidos em Luxemburgo para discutir a crise financeira que se alastra pelo continente, os ministros de finanças europeus também anunciaram o compromisso de "adotar toda e qualquer medida necessária para assegurar a solidez e a estabilidade de suas instituições financeiras", entre elas injetar dinheiro em bancos que tenham problemas.

Com a medida a UE, espera tranqüilizar os cidadãos e evitar uma retirada em larga escala de dinheiro de bancos que já enfrentam problemas de liquidez.

Bélgica e Holanda sinalizaram, no entanto, que podem aumentar ainda mais as garantias para as contas bancárias, enquanto a Espanha anunciou garantias de 100 mil euros às contas.

A Rússia também anunciou um pacote de ajuda aos seus bancos e a Islândia nacionalizou seu segundo maior banco e pediu um empréstimo à Rússia.

Ainda nesta terça-feira, a Câmara Britânica do Comércio (BCC, em inglês), que representa empresas de pequeno e médio porte no país, afirmou que a Grã-Bretanha já está em uma recessão, que se agrava e pode elevar o número de desempregados em 350 mil até o ano que vem.

Espera-se que o governo britânico anuncie amanhã um plano de auxílio para o sistema bancário.

Medidas conjuntas

Em conversas telefônicas com líderes da Grã-Bretanha, França e Itália, o presidente dos Estados Unidos, Gerge W. Bush, falou sobre a crise financeira e pediu uma ação conjunta de diversos países para combatê-la e para aumentar a oferta de crédito

O governo americano também disse estar aberto à possibilidade de realizar um encontro de emergência de lideranças internacionais a respeito da crise, como propôs o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Mas a porta-voz da Casa Branca disse que as atenções das autoridades americanas estão voltadas para a reunião de ministros das Finanças dos países que integram o G7, no próximo fim de semana, em Washington.

A reunião integra os eventos que compõem o encontro semestral do FMI e do Banco Mundial.

O FMI fez um apelo idêntico por uma solução coletiva nesta terça-feira, durante a divulgação do relatório Estabilidade Financeira Global. No documento, o Fundo pede "um compromisso coletivo".

Para o do diretor do Departamento Monetário e de Capitais do FMI, Jamie Caruana, governos de diferentes nações devem ajudar instituições financeiras a se capitalizar, comprando dívidas podres ou injetando recursos públicos nessas instituições.

O FMI estima ainda que, nos próximos cinco anos, os grandes bancos globais precisarão de investimentos na ordem de US$ 675 bilhões.

Mercados em crise

A terça-feira foi mais um dia turbulento nos mercados internacionais, com algumas bolsas caindo novamente e outras conseguindo recuperar parte das perdas da última segunda-feira.

Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 5,1%, em seu menor nível em cinco anos. As bolsas americanas não se recuperaram nem com o sinal do corte de juros de Bernanke.

A bolsa eletrônica Nasdaq teve uma queda ainda mais acentuada, fechando com um recuo de 5,80%.

Em São Paulo, o índice Bovespa acompanhou a tendência dos mercados americanos e fechou em baixa de 4,66%.

Comentários dos leitores
Gevan Oliveira (8) 10/07/2009 15h03
Gevan Oliveira (8) 10/07/2009 15h03
Meu caro Marllon, pode até ser que Freud não explique, mas Obama de Ogun, sim! sem opinião
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Marllon Dias (1) 10/07/2009 12h58
Marllon Dias (1) 10/07/2009 12h58
Uma empresa que acabou de sair da bancarrota figura na décima oitava possição na lista das maiores do mundo. Existem coisas que nem Freud explica. Que triste. sem opinião
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M Mig (1499) 10/07/2009 12h41
M Mig (1499) 10/07/2009 12h41
Caro joão de deus ribeiro silva
Tenho cotovelos... dois e eles não doem.
Realmente, os número e os fatos estão aí comprovando o que eu escrevo... Ao contrário das opiniões furadas dos petistas que leio neste espaço o que eu escrevo tem fundamento.
A prova da SUA dor de cotovelo é justamente o seu comentário indignado
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