BBC Brasil
08/10/2008 - 22h55

Equador rejeita proposta e expulsa Odebrecht

da BBC Brasil

O governo do presidente do Equador, Rafael Correa, rejeitou o acordo com a construtora brasileira Odebrecht e anunciou nesta quarta-feira a expulsão definitiva da empresa de seu país.

'O presidente tem cedido muito, mas definitivamente (a Odebrecht) não pode estar no país (...) Analisamos tudo e acreditamos que não é possível continuar com ela', afirmou à jornalistas o ministro de Setores Estratégicos Galo Borja, logo depois de uma reunião com o presidente Rafael Correa.

Procurada pela BBC Brasil, a assessoria de imprensa da empreiteira afirmou que a empresa não foi comunicada oficialmente, mas que 'está disposta a acatar qualquer decisão do governo equatoriano'.

Na semana passada, a construtora havia oferecido uma garantia de US$ 43 milhões que poderia ser transferida para o Estado para o pagamento de uma eventual multa, caso uma auditoria internacional responsabilizasse a construtora pelas falhas encontradas na usina hidrelétrica San Francisco.

A empresa também havia oferecido estender a garantia das obras por mais um ano e arcar com os custos de reparação das falhas da usina.

O impasse entre o governo equatoriano e a construtora começou no dia 23 de setembro quando Correa assinou um decreto ordenando o embargo dos bens da Odebrecht, a militarização de todas as obras em andamento e proibição de que funcionários da empresa deixassem o país.

Com uma potência prevista de 230 megawatts e com capacidade para abastecer 12% da energia do país, a central San Francisco foi construída pelo Consórcio Odebrecht - Alstom - Vatech (empresas européias) e inaugurada em junho de 2007.

A partir de junho de 2008, a San Francisco começou a apresentar falhas e logo depois foi fechada, o que, de acordo com o governo equatoriano, coloca em risco o abastecimento do país e poderia ocasionar apagões de energia.

A construtora brasileira Odebrecht afirmou que, durante seu primeiro ano de funcionamento, a usina hidrelétrica operou sob a responsabilidade do governo do Equador, com capacidade superior à que havia sido projetada.

 

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