BBC Brasil
09/10/2008 - 07h36

FMI deveria "se dissolver", diz presidente da Venezuela

CARLOS CHIRINOS
da BBC, em Caracas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o FMI (Fundo Monetário Internacional) é o responsável pela crise financeira global e que a entidade deveria "dissolver-se".

"Dissolva-se o FMI, desapareça do mundo. (O órgão) deveria convocar uma sessão e declarar sua dissolução", disse Chávez, durante uma conferência em Caracas sobre as perspectivas econômicas diante da crise.

"Eles (do FMI) pretendem agora lavar suas mãos e se atrevem a sair como médicos salvadores, e eles são os culpados, deveriam renunciar."

Na quarta-feira, o FMI lançou um relatório semestral de Perspectivas Econômicas Mundiais no qual reduziu suas previsões de crescimento da América Latina em 2009 para 3,2%. Neste ano, a economia da região deve fechar com crescimento 4,6%.

Apesar de o FMI reconhecer que a região está mais bem preparada do que no passado para enfrentar crises deste tipo, a entidade afirma que os problemas globais rebaixarão os preços de matéria-prima e encarecerão o financiamento externo.

"Banco Petrolífero"

Chávez reconhece que a crise pode afetar a Venezuela.

"Ninguém deve dizer, nem pode dizer que estamos blindados. Não, mas temos que cuidar da saúde, ter cuidado contra o resfriado, precisamos nos proteger com uma boa injeção", disse o venezuelano.

O relatório do FMI afirma que, apesar do alto índice de inflação venezuelano --que deve fechar 2008 em 27%--, o superávit primário do país não deve ser afetado, já que o preço do petróleo continua alto.

Para o economista Pedro Palma, da Assembléia Nacional, a alta dependência do país da renda do petróleo é o fator mais vulnerável da Venezuela nesta crise.

"A Venezuela, hoje mais do que nunca, é dependente da economia petrolífera, é uma economia de renda, que depende do petróleo para manter sua atividade econômica", disse Palma na mesma conferência.

Chávez também defendeu que se "desmonte de imediato a chamada arquitetura financeira internacional" e disse que instituições regionais --como o Banco do Sul e o Banco da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)-- é que precisam financiar o desenvolvimento dos países emergentes.

O venezuelano afirmou que está disposto a fazer um acordo com os países da Opep para criar agora um "Banco Petrolífero Internacional".

"Se a Opep não quiser criar um banco da Opep, bom, então procuraremos dois ou três países entre os grandes produtores de petróleo para que formemos então um Banco Petrolífero Internacional, um banco do Sul, dos países produtores de petróleo", afirmou Chávez.

Comentários dos leitores
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Parte 1
O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
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Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 2
Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
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Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 3
A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
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