BBC Brasil
13/10/2008 - 10h20

Alemanha terá pacote de 400 bi de euros contra crise

MARCELO CRESCENTI
da BBC Brasil, em Frankfurt

O governo alemão anuncia nesta segunda-feira um pacote com garantias no valor de 400 bilhões de euros (US$ 545 bilhões) para estabilizar o setor financeiro do país.

Segundo informações vazadas para a imprensa alemã, a peça-chave do pacote alemão é a criação de um fundo para estabilização do mercado financeiros bancado pelo governo.

Esse fundo poderá ser usado para cobrir dívidas de bancos alemães. A condição do governo é que os bancos afetados provem que tem uma "política financeira sólida".

Em compensação, o governo ficaria com o direito de interferir nas decisões dos bancos em relação ao pagamento de diretores e do conselho fiscal da empresa. O governo poderá também receber ações dos institutos financeiros.

A premiê alemã, Angela Merkel, apresentará o plano hoje ao seu gabinete e o anunciará oficialmente por volta das 15h locais (10h de Brasília).

Um total de 70 bilhões de euros deverá ser usado para aumentar a liquidez do mercado e reativar o fluxo de empréstimos entre os bancos alemães.

O dinheiro poderá também ser usado como crédito para a aquisição de bancos em problemas por concorrentes.

O pacote deverá ser financiado com dívidas do Estado, o que pode levar o governo a não cumprir a meta anunciada de ter um orçamento balanceado e sem novas dívidas até 2011.

Emergência

Este já é o segundo pacote de emergência anunciado pelo governo alemão, que salvou o banco imobiliário Hypo Real State com um pacote de 50 bilhões de euros.

A Alemanha tem a maior economia do continente e, segundo analistas, a quebra de um banco tão importante poderia ter causado um "efeito dominó", desestruturando todo o mercado de crédito europeu.

O governo também assumiu a garantia das contas correntes e poupanças do país. A própria primeira-ministra Angela Merkel assegurou em uma entrevista coletiva que as contas dos alemães serão asseguradas pelo governo.

Segundo o professor Hans-Peter Burghof, especialista em bancos, está é a maior garantia já dada por um governo na história, e cobriria um soma total de cerca de um trilhão de euros.

Comentários dos leitores
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Parte 1
O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
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Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 2
Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
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Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 3
A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
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