Análise: Cor firme e o defeito Bradley
LUCAS MENDES
da BBC, em Nova York
Barack Obama, com oito pontos na frente de John McCain (pela pesquisa do "Times"/CBS de terça-feira a margem é de 14 pontos) agora enfrenta o efeito Bradley: eleitores mentem nas pesquisas e na hora H não votam em candidatos negros.
O nome vem de uma eleição em 1982 para governador da Califórnia. O prefeito negro, Tom Bradley, de Los Angeles, era favorito nas pesquisas mais ou menos com a mesma margem que Obama tem hoje. E perdeu.
O mesmo efeito foi usado para explicar derrotas de Harold Washington na campanha para prefeito de Chicago em 83, do prefeito David Dinkins em Nova York em 89, e Douglas Wilder na disputa para governador da Virgínia no mesmo ano.
| Alex Brandon/Carlos Barria /AP/Reuters |
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| O senador democrata Barack Obama aparece com vantagem sobre o colega republicano John McCain na corrida à Presidência dos EUA |
Preste atenção nos discursos desta campanha, de democratas e republicanos, e não vai encontrar nenhum vestígio de racismo. As referências à raça aparecem entre poucos eleitores que dizem que não votarão num candidato negro.
Apesar da falta de referência à raça nesta campanha, alguns estudos colocam o efeito Bradley em 6% --um número suficiente para neutralizar a margem de vantagem de Obama em algumas pesquisas.
Outros estudos reduzem o efeito Bradley a zero e outros vêem até um voto branco pró-negro por causa da cor porque a Presidência de Obama poderia contribuir para extinção do racismo no país.
Os estudos têm explicações minuciosas. Uma delas, talvez a mais interessante, é que os eleitores não dizem a verdade sobre raça nas pesquisas. Se o entrevistador é negro, a tendência do entrevistado é responder a favor do candidato negro.
Quando o entrevistador é branco, eleitores negros e brancos tendem a favorecer o branco. Há os relutantes que, em geral, são mais conservadores, menos educados e favorecem o candidato branco. Os jovens, mais abertos e mais educados, nesta eleição, independente da cor do entrevistador, favorecem Obama.
Um grande número de pesquisas hoje é conduzido por telefone. Algumas delas confirmam a tese, outras desmentem. Estamos na estaca zero, mas o efeito Bradley hoje pode ser chamado de defeito Bradley, conseqüência de pesquisas mal feitas.
Há alguns números inegáveis. Quase 100% dos negros vão votar em Obama. Entre os brancos, as pesquisas mostram de 47% a 48%. Com este números, Obama está eleito.
Ou não está? Há o crescente efeito ACORN --Association of Community Organizations for Reform Now--, um organização criada para registrar eleitores.
Quando era líder comunitário em Chicago, Barack Obama trabalhou com a ACORN para dar títulos a 150 mil eleitores. Esta mobilização explica a vitória da candidata Carol Mosley Braun, a primeira negra eleita para o senado americano.
A diretora da organização confirmou que neste ano já registraram 1,3 milhão de eleitores. Os republicanos não chegaram nem perto, mas acusam a campanha de fraude e a ACORN está sendo investigada em 13 Estados. Um deles é Ohio, onde um eleitor admite que recebeu dinheiro e se registrou mais de 70 vezes com diferentes nomes e documentos.
Nos Estados investigados, se as vitórias democratas forem apertadas, os processos irão de município a município e poderão arrastar os resultados ninguém sabe até quando.
A ACORN é um dos alvos favoritos dos conservadores e a organização é declaradamente pró-Obama. Uma de suas afiliadas, Citizens Services Inc. recebeu US$ 832 mil da campanha do democrata.
Há outros fatos que contrariam o efeito Bradley e o voto racista. Em 2001, só 16% de políticos negros representavam municípios com maioria branca. Hoje, dos 622 deputados estaduais negros, 30% representam municípios com maiorias brancas.
Não sei qual a percentagem de deputados negros nas assembléias estaduais brasileiras, mas desconfio que a percentagem seja bem mais baixa.
Tenho uma história de Minas que não envolve político, mas é boa. Na década de 60, um membro de uma família conservadora se mudou para o Rio e ficou muito rico.
Velho, arranjou uma enfermeira negra e se casou com ela. Parentes aflitos procuram o decano da família, irmão do ricaço, para informar sobre o casamento com uma enfermeira. O decano não se comoveu.
"E ela é preta", reforçaram. "Bom", respondeu o decano. "Cor firme". A história mineira, verdadeira, não tem nada a ver com a eleição nos Estados Unidos de 2008, mas se Obama perder, pode ter certeza, não vai ser pela cor.
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Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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