BBC Brasil
15/10/2008 - 07h26

Política conservadora de empréstimos pode deixar Brasil ileso, diz jornal

da BBC Brasil

As políticas austeras de empréstimos adotadas no Brasil podem fazer com que o país escape ileso da crise financeira mundial, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "Financial Times" ("FT").

Segundo o jornal, as condições de crédito estão mais apertadas e muitas empresas estão adiando planos de investimento, "mas mesmo assim, o Brasil deve emergir relativamente ileso".

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"Economistas que anteriormente haviam previsto uma expectativa de crescimento entre 4,5% e 5,5% para o ano que vem, agora esperam crescimento entre 2,5% e 3,5% - o que não é ruim de jeito nenhum, comparado à expectativa global", diz o diário.

O grupo cita o exemplo de uma editora, em que todo o investimento foi feito com capital próprio, o que protegeu a empresa da crise, e ressalta que nem todas as empresas foram assim tão conservadoras.

Mas apesar disso, o jornal acredita que o país está a salvo. "No geral, no entanto, as empresas brasileiras estão muito menos endividadas do que suas concorrentes estrangeiras", diz o "FT".

"A quantia total de crédito no Brasil equivalia a 38% do PIB em agosto, muito menos do que em muitos países desenvolvidos. Líderes empresariais vêm há muito tempo pedindo ao governo que realize reformas nos gastos para liberar mais dinheiro para financiar investimentos e consumo através de crédito. Houve uma aceleração do crescimento liderada pelo consumo nos últimos anos, com taxas de juros mais baixas, mais empregos e estabilidade econômica encorajando empréstimos."

Mas, afirma o jornal, as taxas de juros no Brasil permanecem altas em comparação com o mercado internacional, e o dinheiro emprestado para financiamento e consumo ainda sai caro.

"No nível internacional, o Brasil também está, relativamente, pouco exposto", diz a reportagem, lembrando que o governo pagou a maior parte de suas dívidas internacionais e agora é credor.

"Menos de 10% dos créditos dos bancos é levantado fora do Brasil. As importações equivalem a apenas 9% do PIB e as exportações a 12%."

"Mas a boa fortuna do Brasil não se deve apenas à sorte", afirma o FT, "O sistema bancário está sólido, depois de uma reestruturação promovida pelo Estado nos anos 90, com regras conservadoras na concessão de empréstimos".

O jornal lembra ainda que o Banco Central tem estado atento a perigos e respondido rapidamente, o que também teria contribuído para manter o país a salvo.

Comentários dos leitores
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h24
Parte 1
O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
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Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 2
Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
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Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Chris Maria (242) 28/11/2009 13h23
Parte 3
A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
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