BBC Brasil
16/10/2008 - 19h06

Lula não quer que crise pegue Brasil "de calças curtas"

DANIEL GALLAS
enviado especial da BBC Brasil a Maputo, Moçambique

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira em Moçambique que o governo está trabalhando para evitar que o país seja pego "de calças curtas" com a crise financeira dos mercados mundiais.

"Nós estamos olhando [a crise] com lupa. Eu nunca conversei tanto com o ministro da Fazenda e com o Banco Central como eu tenho conversado nos últimos 30 dias. Conversado porque eu não quero que o Brasil seja pego de calças curtas, porque eu não quero jogar fora o patrimônio de responsabilidade que nós acumulamos nos últimos anos", disse Lula em uma reunião de empresários brasileiros e moçambicanos.

Para o presidente, os países ricos parecem estar "definitivamente" caminhando para uma recessão.

Lula criticou os países ricos que, segundo ele, "nas décadas de 80 e 90 passaram todo tempo nos ensinando como administrar os nossos países, e não estavam sequer administrando corretamente os seus países".

"Cadê a solidez da economia americana? Cadê o infalível Banco Central americano? O infalível FMI? O infalível Banco Mundial? O infalível Banco Central Europeu? Ou seja, será que eles não sabiam que o seu sistema financeiro estava envolvido na maior agiotagem financeira que o mundo conheceu? Será que eles não sabiam?"

Apesar das críticas aos países ricos, ele fez elogios ao pacote de medidas contra a crise lançado pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown.

"Eu fico feliz quando eu vejo um homem que eu respeito profundamente, um homem sério, como o Gordon Brown, dizer 'eu não vou dar dinheiro para banco, eu vou comprar as ações do banco, eu vou ser sócio desse banco'. Eu acho isso extraordinário."

Lula disse que, no momento de crise, "a periferia da economia mundial é que está salvando o centro nervoso do capitalismo".

"O Brasil é um dos poucos países do mundo em que nós ainda não estamos querendo ficar sócios dos bancos", afirmou. O presidente voltou a prometer que nenhuma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) será interrompida devido à crise.

O mercado financeiro brasileiro voltou a ter fortes oscilações nesta quinta-feira devido à crise financeira mundial. O índice Bovespa fechou em queda de 1,06%.

Em Moçambique, Lula disse a jornalistas que "não se pode ficar preocupado se a Bolsa sobe um dia e cai no outro".

"Ela [a Bolsa] vai encontrar o equilíbrio dela na medida em que o mundo desenvolvido der a tranqüilidade necessária que a economia precisa."

Mentalidade colonizada

No encontro com empresários dos dois países, o presidente também criticou "a elite brasileira" por não diversificar os seus mercados, limitando as opções de compra e a venda aos mercados ricos, que estão sendo mais fortemente afetados pela crise atual.

Segundo Lula, este seria o momento de se investir na África e em outras economias emergentes que estão crescendo.

"Embora a independência tenha sido conquistada no dia 7 de setembro de 1822, a cabeça da elite brasileira ainda está colonizada. Não subordinada mais à coroa portuguesa, mas subordinada à orientação econômica e a interesses eminentemente ligados aos chamados países desenvolvidos, sobretudo os Estados Unidos e a Europa."

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
2 opiniões
avalie fechar
mauro guanandi (50) 04/12/2009 10h32
mauro guanandi (50) 04/12/2009 10h32
sENHOR cELSO. eSTAS CERTO QUANTO AO PETRÓLEO.
O que me preocupa é q nesta aventura serao gastos 2/3 do Pib; talvez em algo inútil - em minha opiniao a dependencia do petroleo tende a diminuir com o avança cientifico de outras formas. Mas encherá os bolsos da tchurma como NUNCA ANTEZ NA HIZTÓRIA.
goebbels se revira no tumulo. a turma da propaganda do governo é mais eficiente. Bom, o povo sendo mais inculto facilita.
Diga-ma qual o erro deportugues mais forte que vistes...eu vi um tal de eduardo Souza num forum escrever falço. Voce viu algo pior?
sem opinião
avalie fechar
celso assis (79) 03/12/2009 10h03
celso assis (79) 03/12/2009 10h03
Falando ironicamente :
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
22 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4393)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca