"Más apostas" uniram México e Brasil na crise, diz "Economist"
da BBC
Um artigo na mais recente edição da revista britânica "The Economist" traça paralelos entre o México e o Brasil quanto aos efeitos da crise financeira global sobre as moedas dos dois países.
Intitulado "Bad bets" ("Más apostas", em tradução literal), o artigo fala sobre como algumas empresas que decidiram investir em derivativos nos dois países e estavam lucrando por causa da valorização do peso e do real agora enfrentam sérias dificuldades por causa da desvalorização das duas moedas em relação ao dólar.
Segundo a revista, a desvalorização das moedas nas últimas semanas "pareceu provocar um tique nervoso coletivo que levou muitos a procurar segurança no dólar".
"O turbilhão monetário vai ter efeitos econômicos. Até recentemente, os brasileiros se preocupavam com o fato de um real que se fortalecia rapidamente estar tirando a competitividade das exportações. Agora eles têm a preocupação contrária. Moedas fracas significarão inflação mais alta, porque as importações se tornam mais caras."
Duração da instabilidade
A "Economist" disse que, como o México, o Brasil trabalhou para "estabelecer sua credibilidade" na luta contra a inflação.
"Agora, eles terão que fazer isso de novo, à medida que a recessão mundial, e a concomitante queda nos preços das commodities, está freando suas economias --ou terão que abandonar suas metas inflacionárias."
Mas a revista britânica acredita que os dois países estão numa boa posição para enfrentar essa missão.
"Pelo menos desta vez, fraquezas monetárias não devem provocar uma reação em cadeia sobre as finanças públicas, nem elevar os temores quanto à habilidade dos governos de fazer o serviço de suas dívidas."
"A questão que permanece deste acesso de instabilidade monetária é quanto ela irá durar", conclui o artigo.
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