Para governo brasileiro, diversificação pode reduzir queda de exportações
FABRÍCIA PEIXOTO
da BBC Brasil em Brasília
O governo vê a ampliação das vendas para mercados pouco tradicionais como uma forma de reduzir o provável impacto negativo da crise mundial sobre as exportações brasileiras.
São países que conjugam duas características: vêm comprando cada vez mais produtos brasileiros e deverão crescer acima da média no ano que vem, mesmo com a freada no consumo mundial.
"Ao contrário de alguns países europeus, os mercados não tradicionais sofrem menos a interferência de barreiras não tarifárias, o que também facilita a entrada dos produtos brasileiros", diz Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.
Um estudo realizado ainda antes da crise pela Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimento) apontou potencial de crescimento das exportações para uma lista de 20 países, incluindo os tradicionais China e Estados Unidos, mas também uma série de outros mercados menos visados, como Angola, Cingapura, Turquia e Emirados Árabes.
A avaliação é de que, apesar da crise, esses países não tradicionais vão crescer o suficiente para ampliar a demanda por produtos brasileiros.
Saldo comercial
O objetivo, segundo Barral, não é substituir os países ricos, que continuarão sendo os grandes consumidores, mas mostrar ao exportador brasileiro que alguns mercados não tradicionais podem estar subaproveitados.
Os grandes mercados compradores de produtos brasileiros, como Estados Unidos e União Européia, estão sendo fortemente afetados pela turbulência nos mercados e há o risco de reduzirem a demanda por produtos estrangeiros. Essas duas regiões respondem por 38,7% das exportações brasileiras.
A queda no consumo mundial, somada à desvalorização das commodities e ao aumento das importações, deverão reduzir o saldo da balança no ano que vem. Segundo a pesquisa Focus do Banco Central com analistas, o resultado ficará positivo em US$ 12 bilhões em 2009, contra US$ 23,8 bilhões neste ano.
A Apex vê ainda potencial de crescimento das exportações brasileiras para os chamados "países traders", como Panamá e Dubai. Esses mercados funcionam como porta de entrada para outros países da região.
As exportações brasileiras para o Panamá, ou que passam pelo país, cresceram 96% no ano passado, chegando a US$ 2,6 bilhões. É o 37° melhor resultado na lista de destinos brasileiros, ultrapassando Índia e Austrália.
Dúvidas
O diretor de negócios da Apex, Maurício Borges, acredita que, mesmo afetados pela crise, esses mercados vão continuar importando produtos alimentícios e de vestuário, por exemplo.
"São setores em que o Brasil tem forte participação", diz.
O economista da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato Fonseca, diz que a diversificação de mercados é positiva, mas pondera que os mercados alternativos "não vão salvar a pátria".
"É preciso lembrar que tanto o custo quanto o risco de vender em um país completamente desconhecido é alto", diz.
Fonseca não vê espaço para investir em novos mercados no momento. "É um risco entrar em um mercado sem ter segurança de que a demanda vai continuar no ano seguinte", diz.
Segundo ele, as pequenas e médias empresas brasileiras vêm se desinteressando pelo mercado externo, em função da valorização do real.
Diversificação
No ano passado, as grandes empresas foram responsáveis por 90% do volume vendido. O número vem caindo desde 2005, quando a lista de companhias exportadoras era 5% maior. Hoje são 16.660 empresas.
A diversificação de mercados funciona como uma proteção contra certos riscos que envolvem o comércio internacional, como crises de demanda localizadas e variação cambial.
Desde 2003, o Brasil vem trabalhando uma política mais agressiva para diversificar seus mercados de destino. As constantes visitas do presidente Lula à África encaixam-se nessa estratégia. Como resultado, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 25% para 14% no período.
Os oito principais destinos das exportações brasileiras respondem, atualmente, por 48% do volume exportado. A concentração vem caindo: na década de 90, o mesmo grupo respondia por 65% do total vendido.
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Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
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Quando ao fundo de Dubai, só deslumbrado gosta daquele pedaço de deserto com uma torre espetada.
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Abençoado é aquí, onde fura-se um poço e encontra-se água. Nem ouro,nem diamante, nem urânio, nem nada, nada vale. Água e oxigênio, ainda temos as maiores riquezas. De quê reclamar!
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