Crise acabou com "ditadura dos mercados", diz Sarkozy
DANIELA FERNANDES
para a BBC Brasil
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quinta-feira que "a ideologia da ditadura dos mercados e do Estado impotente morreram com a crise financeira".
Para Sarkozy, "tudo converge para reflexões sobre a redefinição do papel do Estado na economia".
Segundo o presidente francês, uma revolução intelectual e moral está em andamento e "de agora em diante, nada mais na economia mundial será como antes".
"Pensávamos que a política não era algo necessário. Isso acabou", disse o presidente francês, considerado, no entanto, um liberal. "Haverá agora maior atuação política."
Sarkozy fez as declarações durante um discurso nos arredores de Annecy, no sudeste da França, onde anunciou medidas de apoio à economia francesa, que deve, segundo projeções, entrar oficialmente em recessão no terceiro trimestre deste ano.
"A Europa não deve deixar suas empresas à mercê dos predadores", afirmou o presidente francês, que também ressaltou a atuação dos países europeus diante da crise.
Fundo soberano
Sarkozy anunciou nesta quinta-feira a criação de um tipo de fundo soberano francês, chamado de Fundo Estratégico de Investimento, para apoiar empresas consideradas fundamentais para a economia do país.
O fundo deve ser lançado até o final do ano, segundo o presidente francês.
"Os produtores de petróleo fazem isso, os chineses e os russos também", disse Sarkozy. "Não vejo razão para que a França não faça o mesmo."
Em um discurso no Parlamento Europeu na terça-feira, o presidente francês já havia defendido a criação de fundos soberanos europeus para investir em empresas afetadas pela crise econômica, mas a proposta foi rejeitada pela Alemanha.
O fundo francês tomaria recursos nos mercados e interviria quando uma empresa considerada estratégica precisasse de capital.
Segundo Sarkozy, o fundo não teria impacto sobre o déficit público francês porque a participação que os fundos teriam no capital das empresas serviria como contrapartida.
"A crise é mundial, estrutural e não é um parênteses que será fechado em breve', afirmou. 'Não podemos, após esta crise, continuar a governar o mundo com os mesmos instrumentos, instituições e idéias do passado."
Sarkozy também anunciou que o governo vai investir 175 bilhões de euros nos três próximos anos para favorecer a retomada da atividade econômica.
Os recursos seriam investidos em pesquisas, universidades e na ampliação do setor digital na França.
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O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
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Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
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A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
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