BBC Brasil
29/10/2008 - 09h16

Queda do real ameaça teoria de Brasil "descolado" da crise, diz "FT"

da BBC Brasil

A noção de que o mercado de capitais do Brasil está "descolado" do resto do mundo foi destruída nos últimos meses, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "Financial Times".

O real se desvalorizou frente ao dólar e o índice da Bovespa caiu para menos de 30 mil pontos na segunda-feira pela primeira vez em três anos, o que o tornou um dos cinco mercados mundiais com pior desempenho nos últimos seis meses, diz o jornal.

Analistas citados pelo "FT" associam a situação à influência de fatores externos e locais, como a queda no preço das commodities, fatores que parecem disfarçar, segundo o jornal, a crença de que o Brasil "está muito melhor posicionado para resistir a turbulências globais do que há uma década, quando chegou à beira do calote depois que as crises russa e asiática provocaram ataques contra sua moeda."

O jornal explica uma série de mudanças positivas ocorridas 'desde então", dizendo que "o governo agora é credor líquido do resto do mundo" e que "a recente desvalorização do Real, na verdade, reduz o peso da dívida soberana, em vez de elevá-la, como no passado".

Além disso, afirma o diário, "o Brasil tem mais de US$ 200 bilhões em reservas de moeda estrangeira para se defender de ataques especulativos".

"Mas as reformas que produziram essa resistência maior incluíram uma reforma nos mercados de capital do Brasil que os deixou muito mais integrados com o resto do mundo do que antes."

O "FT" lembra que entre os anos de 2004 e 2006, cerca de 70% do dinheiro investido veio de fora do país, e com o desenrolar da crise, esses investidores "correram para retirar seu dinheiro".

"Desde junho, investidores estrangeiros já retiraram cerca de US$ 23,5 bilhões da Bolsa de São Paulo."

Mas para o "FT", o governo agiu rápido para aliviar o medo causado pela queda no preço das commodities, a desaceleração do crescimento no Brasil e em todo o mundo no ano que vem, e o temor de que centenas de empresas brasileiras sofram prejuízos por ter apostado erroneamente no câmbio.

O jornal cita a liberação de crédito para empresas, o leilão de dólares e a compra de ações de bancos particulares por bancos estatais por parte do governo, como medidas para aliviar os efeitos da crise.

"Mas o sentimento dos investidores está, em última instância, a mercê de fatores que vão além do controle do governo", conclui a reportagem.

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (54) 24/11/2009 17h53
Sebastião Vicentim (54) 24/11/2009 17h53
O Richard Adams tem razão em pedir para que nos inteiremos dos assuntos de exportação/dolar, etc. Ocorre que, com a ganância que tem esse governo em exportar, exportar, exportar, esquece do mercado interno. Esquece do "povo brasileiro". Esse povo composto de quase 200 milhões de pessoas que consome ou deveria consumir os produtos aqui originados. Há setores onde existe clara carência para os nativos mas que há em estoque para exportação.
O governo esquece que só se deveria exportar o que está em excesso no mercado interno.
sem opinião
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Richard Adams (17) 24/11/2009 12h45
Richard Adams (17) 24/11/2009 12h45
E acho que aqueles que estão defendendo um real forte, achando que ver o dolar ir ladeira abaixo é uma boa coisa, precisam urgente, antes de emitir opiniões, lerem um pouco mais sobre economia mundial, balança de pagamentos e assuntos afins.
O dólar baixo só serve para os brasileiros que nunca viajaram para o exterior poderem se esbaldar. De resto...
Basta ver o que virou a Argentina quando tinha um câmbio 1 x 1....E AS CONSEQUENCIAS ATÉ HOJE!
Vão torcendo mesmo pro Real se valorizar cada vez mais e daqui a um tempo quero ver vcs aqui neste mesmo fórum emitindo suas opiniões....
4 opiniões
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Italo Bovo (1) 24/11/2009 12h16
Italo Bovo (1) 24/11/2009 12h16
Será que alguém ainda acredita nesse tipo de baboseira? Preservar a incompetência e a falta de produtividade só serve para garantir eleitorado ou, quem sabe, com um pouco mais de sorte do que nunca se viu na história desse país, a transferência de votos para algum (a) companheiro (a). sem opinião
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