BBC Brasil
29/10/2008 - 09h28

Flórida tenta prevenir fiasco de 2000 com votação antecipada, assista

ANDREA WELLBAUM
da BBC Brasil

Para evitar que a Flórida volte a ser o centro das atenções das eleições presidenciais pelos motivos errados --como foi em 2000-- há uma semana, milhares de eleitores enfrentam o sol e o calor em longas filas de espera para garantir que seu voto seja computado.

Há oito anos, o Estado foi palco de uma polêmica recontagem de votos, que acabou dando a vitória para George W. Bush, em um processo que durou cinco semanas e envolveu denúncias de intimidações contra eleitores, compra de votos e desaparecimento de cédulas.

Veja o vídeo

Entre os Estados americanos que, segundo as pesquisas, ainda não têm um vencedor claro, a Flórida é o com o maior número de votos no colégio eleitoral que vai definir a Presidência americana.

A Califórnia, o Texas e Nova York enviam um número maior de representantes ao colégio eleitoral, mas os resultados nesses Estados já é tido com certo --Barack Obama deve vencer na Califórnia e Nova York, John McCain no Texas.

McCain e Obama querem garantir os 27 votos da Flórida e, por isso, ambos estão marcando presença no Estado na reta final da campanha.

Vantagem republicana

Os republicanos têm uma clara vantagem histórica, já que venceram oito das últimas dez eleições na Flórida, mas o fato de McCain estar sendo obrigado a continuar a batalha pelo Estado na última semana antes do pleito indica que os democratas têm chances reais de diminuir a desvantagem.

Em frente a um posto de votação antecipada em Miami, partidários do republicano davam uma idéia da preocupação que têm em perder o Estado, empunhando cartazes com os dizeres: "Hitler queria mudança, Castro queria mudança, Chávez queria mudança. Você tem certeza que quer mudança?"

Os cartazes eram saudados por vários republicanos que passavam pelo local, com frases como "Belos cartazes!" e "Vocês sabem bem, vocês sabem bem!".

Muitos se apressavam em apontar defeitos no candidato democrata. "Obama é uma pessoa muito novinha, não tem experiência nenhuma", disse a cubana Maggi Muñoz à BBC Brasil. "E precisamos de uma pessoa com muita experiência internacional".

"Imagine, ele quer se relacionar com pessoas que... não são boas. Uma delas é (o presidente da Venezuela) Hugo Chávez. Tenho medo, muito medo...", disse outra eleitora.

Os partidários do democrata não se deixavam intimidar, incluindo a interlocutora de Muñoz, a brasileira Maria Cristina Braga.

"Eu acredito piamente que nós precisamos de uma mudança. Nas condições em que os Estados Unidos se encontram neste momento é realmente um pouco assustador", disse ele.

"Acho que muita gente que deixou de votar em eleições passadas vai votar este ano, porque quer mudança."

Novos eleitores

Democratas e republicanos registraram milhares de novos eleitores para este pleito e várias organizações não-governamentais também trabalharam duro para recrutar grupos específicos, como o Centro de Orientação do Imigrante, em Miami, presidido pelo hondurenho Carlos Pereira.

"Conseguimos convencer mais de 12 mil latinoamericanos a tirar a cidadania americana e a se registrar para votar este ano, entre eles cem brasileiros", afirmou Pereira.

Cerca de 20% da população da Flórida é hispânica, sendo a maioria cubanos, que costumam ser fiéis ao Partido Republicano.

Porém, este ano, Pereira notou que muitos cubanos deixaram a postura anticastrista de lado.
"As gerações cubanas mais jovens estão se inclinando para o Partido Democrata e as gerações mais antigas se mantêm fiéis a McCain e o Partido Republicano.

A Flórida é um dos Estados americanos mais afetados com a crise econômica e muitos moradores se mostram desiludidos com o governo do atual presidente, George W. Bush.

Porém, uma vitória democrata ainda não é certa e tudo indica que, mais uma vez, as atenções no próximo dia 4 vão estar voltadas para o Estado.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca