BBC Brasil
30/10/2008 - 13h59

ONU pede envio de tropas européias ao Congo

da BBC

A ONU (Organização das Nações Unidas) reforçou o pedido para que sejam enviadas forças européias à República Democrática do Congo, onde um conflito entre governo e grupos rebeldes causou cenas de caos e violência no leste do país.

O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, antiga metrópole colonial do país africano, Karel de Gucht, disse que pelo menos mais 2.000 soldados europeus seriam necessitados para reforçar as forças internacionais de paz da ONU no país.

Karel Prinsloo/AP
Pessoas observam a passagem de blindados da ONU, que faz a segurança nas ruas de Goma, Na República Democrática do Congo
Pessoas observam a passagem de blindados da ONU, que faz a segurança nas ruas de Goma, Na República Democrática do Congo

A ONG de ajuda humanitária Merlin disse que cerca de 150 mil pessoas estão desabrigadas e sem acesso a água potável. A ONU disse estar profundamente preocupada com o destino de dezenas de milhares de pessoas que estão fugindo dos avanços de grupos rebeldes no leste da República Democrática do Congo.

A polícia está tentando prender soldados acusados de causar cenas caóticas na cidade de Goma, que continuava em clima tenso tensão no início desta quinta-feira.

Agências de ajuda humanitária como a Oxfam decidiram retirar seus funcionários estrangeiros de Goma.
As forças de paz da ONU não conseguiram por um fim aos conflitos no leste do país, onde a violência entre tropas rebeldes e governistas aumentou desde agosto.

Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança da ONU pediu que o líder rebelde da República Democrática do Congo, o general tutsi Laurent Nkunda, implemente imediatamente o cessar-fogo.

Arte Folha Online
mapa congo
mapa congo

Nkunda, líder do movimento rebelde CNDP e cujas forças estão nos arredores de Goma, leste do país, declarou um cessar-fogo na noite de quarta-feira e pediu que outros rebeldes façam o mesmo.

Mas seus soldados estavam avançando em direção à cidade, provocando uma retirada em massa na região.
O presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, pediu que a ONU envie mais tropas para o país, onde já mantém 17 mil soldados.

O Conselho de Segurança não respondeu a este pedido, mas acrescentou que alguns de seus soldados das tropas de paz podem ser reposicionados dentro do país, para a cidade de Goma.

Mais cedo, o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, pediu pelo fim imediato dos confrontos no Congo, que, segundo ele, poderá causar uma "catástrofe humana".

Ban Ki-moon lamentou o uso de civis como escudos humanos e afirmou que as tropas de paz da ONU estão fazendo "tudo o que for possível para proteger civis e cumprir sua missão em circunstâncias insustentáveis".

Segundo correspondentes, os 17 mil soldados da ONU no país, a maior força de paz da organização em todo o mundo, já estão sobrecarregados.

O Unicef (fundo da ONU para a infância) afirmou que os últimos choques resultaram em uma situação muito ruim para os congoleses que estão fugindo.

"Estamos falando de dezenas de milhares de pessoas que fugiram para Goma e outros milhares que estão fugindo para o norte, para uma cidade chamada Kane Byunga", disse Jaya Murthy, do Unicef, para a BBC.

"Grande parte da população que fugiu está ficando em escolas vazias, igrejas ou ao relento", afirmou.

Proteção

Outro assunto abordado na sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a situação na República Democrática do Congo foi a preocupação com os choques na fronteira com Ruanda.

O general rebelde congolês Laurent Nkunda disse que seu objetivo com a ofensiva é proteger a comunidade tutsi que vive na região dos ataques de rebeldes de etnia hutu --alguns dos quais são acusados de participar do genocídio em Ruanda, em 1994.

Ruanda, que é governada por um presidente tutsi, nega alegações de que esteja dando apoio aos rebeldes.
Um acordo de paz entre o governo congolês e vários grupos rebeldes foi assinado em janeiro em Goma.

Apesar deste acordo, Nkunda se recusa a depor as armas enquanto rebeldes hutus de Ruanda ainda operarem na área.

 

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