BBC Brasil
31/10/2008 - 09h16

É hora de os governos usarem estímulos fiscais, diz "Economist"

da BBC Brasil

Em sua edição mais recente, a revista britânica The Economist traz um artigo que defende que, depois de o mundo aparentemente ter conseguido contornar um colapso no sistema bancário, é hora de os governos agirem diretamente para enfrentar a contração da economia e assim tentar evitar uma grande recessão. O instrumento sugerido é a política fiscal.

No artigo intitulado "The next front is fiscal" ("A próxima batalha é fiscal", em tradução literal) a publicação britânica explica que o mecanismo mais comum usado para estimular a economia é a taxa de juros. Mas, com a crise no sistema financeiro, cortes de juros como os vistos nas últimas semanas não são tão eficientes, com bancos acumulando reservas e segurando empréstimos. Em países como os EUA, que cortaram os juros para 1% no último dia 29, esta política está ainda mais restrita.

"A próxima política tem que ser fiscal", diz o artigo. "Quando o mercado de crédito está disfuncional, a demanda privada está desaparecendo e a confiança está fraca, um empurrão fiscal é uma boa opção".

A revista cita diversas medidas em política fiscal que podem ser tomadas.

"Cortar impostos coloca mais dinheiro direto no bolso das pessoas. Aumentando seus próprios gastos, os governos podem incentivar diretamente a demanda e o emprego. Claro que este estímulo aumenta os déficits de curto prazo dos governos, mas os efeitos nocivos de uma recessão prolongada podem ser ainda maiores, como o Japão mostrou na década de 1990".

Espaço de manobra

A revista ainda afirma, que no entanto, não há uma receita para esta política fiscal, na medida em que alguns países têm mais espaço para este tipo de estímulo que outros.

"Muitos países emergentes com grandes déficits externos terão uma ação limitada, como a Hungria, que apertou seu orçamento esta semana. No outro extremo está a China, com grandes reservas de moeda estrangeira e com superávit em conta corrente e no orçamento".

Mas, apesar do grande déficit em conta corrente dos EUA, segundo a revista, este é o país com maior espaço de manobra para este tipo de estímulo de curto prazo. Isto porque o dólar e os créditos do Tesouro são considerado como muito seguros atualmente e porque o país tem impostos mais baixos e redes de proteção social menos generosas que a Europa, por exemplo, onde os gastos com benefícios para desempregados automaticamente aumentam em tempos de crise.

Em fevereiro, os Estados Unidos já lançaram um pacote de US$ 168 bilhões para estimular a economia e, segundo a revista, outro pacote está sendo estudado para depois das eleições.

A Europa, no entanto, também precisa de estímulo fiscal, diz a revista, que cita que a Espanha já lançou um pacote de estímulo e Alemanha e Grã-Bretanha estudam os seus.

"O Japão também lançou um pacote de 5 trilhões de ienes, grande parte direcionada a famílias e pequenos negócios", afirma o artigo.

Coragem

Segundo a "Economist", esse tipo de estímulo deve ser temporário, direcionado e tem que conter planos para a saúde fiscal do país a longo prazo.

"Não há receitas mágicas. Cortes nos impostos podem dar dinheiro aos consumidores, mas as pessoas podem escolher economizar ou gastá-lo em importados. Gastos governamentais, em infra-estrutura, por exemplo, podem ter benefícios de longo prazo, mas podem levar tempo. Ajudar grupos em particular, como proprietários de imóveis e montadoras, tem apelo político, mas em geral, a ajuda a indústrias específicas não é boa idéia".

O artigo termina com algumas sugestões para os governos.

"Nos EUA, ajuda federal para os Estados faz muito sentido. Na Europa, um corte nos impostos de valor agregado pode ser bom. A China deveria estimular os gastos sociais. Até agora, os governos corajosamente conseguiram prevenir a catástrofe financeira. O cenário sombrio diz que eles agora devem ter coragem fiscal também", diz o artigo.

Comentários dos leitores
celso assis (84) 10/12/2009 14h10
celso assis (84) 10/12/2009 14h10
Grécia em apuros economicos, certamente porque foi mal administrada. E olha que alguns anos atras sediou os Jogos Olimpicos, como o Brasil o fará em 2016.
Aqueles Jogos não conseguiram salvar a Grécia de uma provavel bancarrota que parece se avizinhar.
Mas aqui os Jogos foram e estão sendo considerados como uma panacéia para nosso desenvolvimento, sic.....
A Copa do Mundo de 2014 é outro fator, e que na Africa do Sul não levou este Pais ao pódio de desenvolvimento, mas aqui certamente o fará (sic).
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S Levy (299) 10/12/2009 13h44
S Levy (299) 10/12/2009 13h44
hehehe... Tá falando sério Min. Mantega, igualzinho Dilma com suas luzes? E toda essa ginastica signifaca o que? mais um castigo com impostos, tributos do tipo Cassab, contratação de funcionários públicos parasitas, inúteis e incompetentes ?
O tempo nos dirá! Eu acredito tanto quanto no Papai Noel!
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JOSE MOTTA (68) 10/12/2009 12h36
JOSE MOTTA (68) 10/12/2009 12h36
A PODEROSA INDUSTRIA AUTOMOTIVA JUNTAMENTE COM O POPULISMO DO GOVERNO VENDERAM CARRO NO BRASIL COMO NUNCA (CARROS CARISSIMOS SE COMPARADOS AO SIMILAR NOS EEUU E ATÉ NA ARGENTINA),LUCRAM,LUCRAM , LUCRARM E DÃO O QUE EM TROCA: NADA........E O GOVERNOA, EM VEZ DE PREOCUPARCOM INFRAESTRUTRA (TRANSPORTE FERROVIÁRIO, COLETIVOS, ETC FAZ QUE? ), ACEITA REDUZIR IPI PARA CARROS PARA GANHAR VOTOS. DEVIA SUBIR O IPI DOS CARROS DE PASSEIO, E COM ESSE DINHEIRO INVESTIR EM TRANSPORTES ALTERNATIVOS E NÃO INUDARO MERCADO DE CARROS.EM POUCO TEMPO NÃO HAVERÁ MAIS ESPAÇOS PARA CARROS EM CIDADES COMO SÃO PAULO. sem opinião
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