BBC Brasil
31/10/2008 - 15h02

Brasileiros na Flórida se engajam em campanhas para eleições; assista

ANDREA WELLBAUM
da BBC Brasil, em Miami

Na igreja evangélica brasileira Rescue Church, no sul de Miami, o pastor José Carlos Silva aconselha seus fiéis: "Nestas eleições, nada de votar em alguém que começa com O e termina com A, hein?!".

Apesar do conselho, depois do culto, ele afirmou à BBC Brasil que não costuma misturar religião com política, mas que se pudesse votar, votaria no candidato republicano, John McCain.

"Como cristãos e evangélicos, primamos por alguns princípios que são fundamentais, principalmente os relacionados ao casamento e ao aborto. E pelo que me consta, o McCain é contra o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo", explicou o pastor.

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Brasileiros na Flórida se engajam em campanhas para eleições
Brasileiros na Flórida se engajam em campanhas para eleições presidenciais

"Além disso, o Partido Democrata tem alguns princípios que não me agradam, principalmente em relação ao liberalismo. Tenho ouvido muito sobre a extinção de princípios bíblicos pelos democratas."

As palavras do pastor José Carlos sobre política parecem não ter sido ouvidas pelos poucos fiéis brasileiros na igreja com direito a votar, já que todos decidiram dar seu voto ao senador democrata, Barack Obama, ou se abster de participar das eleições.

"Todo mundo está com esperança de mudanças e a pessoa para mudar a situação econômica deste país, neste momento, é o candidato Barack Obama. Como ele vem de uma família humilde, acho que seria a pessoa indicada para ajudar a classe média. Está todo mundo colocando a esperança nele", diz a vendedora de softwares Oneide Irisari.

Já o radialista Marco Antônio Garcia não vai usar seu direito de votar este ano por achar que "nenhum dos dois candidatos têm o que os Estados Unidos precisam".

"Eu comparo a situação de hoje aqui com a do Brasil há alguns anos, quando o povo estava revoltado e votou no Lula para presidente. Acho que o mesmo está acontecendo com o Obama. Eu não quero comprometer meu voto se eu não concordo com nenhum dos dois."

Imigrantes

Porém, Marco Antônio e o pastor José Carlos parecem ser exceções entre os brasileiros com cidadania americana em Miami, já que a grande maioria das pessoas entrevistadas pela BBC Brasil se mostraram entusiasmadas com a campanha de Obama.

Várias, inclusive, estão engajados nos esforços para convencer os indecisos a votarem no democrata, como a promotora de música e eventos Jane Maria Piazzetta.

"Precisamos ajudá-lo a se eleger, porque este é um momento muito importante não só para nós que vivemos na América, mas para o mundo inteiro", afirmou Jane, que está enviando inúmeros e-mail e batendo de porta em porta para conquistar mais votos para Obama.

Os latino-americanos da Flórida, com exceção dos cubanos, sempre se identificaram mais com o Partido Democrata, principalmente em relação às políticas de imigração. E é por isso que a maioria dos brasileiros resolveu apostar em Obama.

"Acho que o povo brasileiro tem mais tendência de votar no Obama, porque um candidato democrata vai trazer mais benefícios para os imigrantes. Não vi nada no governo republicano que beneficiasse os brasileiros ou imigrantes em geral", afirma a bancária Márcia Lisboa, que já votou antecipadamente no democrata.

Porém, os dois candidatos estão tentando evitar abordar o tema imigração durante a campanha. Não se falou sobre o assunto em nenhum dos três debates e após a crise financeira virar o centro da discussão política, a questão desapareceu completamente.

"Acho que é um assunto muito delicado para quem quer ganhar uma eleição nos Estados Unidos e os dois têm uma posição igual sobre o assunto", afirma a gerente de escritório Neuza Porto, que participa de um grupo de voluntários que telefonam para eleitores pedindo votos para Obama.

Muitos hispânicos associam McCain com o conservadorismo republicano, mas o senador tem um histórico de votar contra as propostas de imigração de seu partido. O Partido Democrata, entretanto, acusa McCain de ter mudado seu discurso para conseguir a indicação dos republicanos para a candidatura à Presidência.

Há dois anos, tanto Obama como McCain apoiaram um projeto de lei que permitiria que imigrantes ilegais permanecessem nos Estados Unidos com o direito de trabalhar e receber residência legal depois de aprender inglês e regularizar a situação de impostos e multas. Agora, no entanto, McCain diz que a prioridade é aumentar a segurança na fronteira com o México.

11 de setembro

Um dos poucos brasileiros que se opõem a Obama, o empresário Humberto Fontenelle, diz confiar em McCain e não poupa críticas ao senador de Illinois.

"Ele não me passa confiança, é vazio, sem conteúdo. Não acho que o Obama esteja preparado para ser presidente ", afirma Fontenelle.

"Ele explora muito o fato de ser negro e ser do partido de oposição ao governo, o que parece que dá a liberdade a ele de não explicar suas propostas."

Fontenelle, que mora nos Estados Unidos há 24 anos, também diz que os americanos não fazem justiça com o presidente George W. Bush, que despencou nas pesquisas de popularidade.

"Depois do 11 de setembro, Bush garantiu a segurança deste país e isso não tem preço. Acho que os estrategistas de campanha de McCain deveriam ter explorado este fato, que é muito importante para os americanos que moram aqui."

Não existem estimativas confiáveis de quantos brasileiros moram na Flórida, mas alguns números chegam a 200 mil --número que inclui aqueles que estão no país de forma ilegal.

Porém, uma quantidade bem menor tem cidadania americana e, portanto, direito a votar.
O Centro de Orientação do Imigrante estima que cerca de mil brasileiros devam participar destas eleições presidenciais, um número pequeno, mas maior do que em todas outras eleições.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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