BBC Brasil
31/10/2008 - 17h04

Campos de deslocados internos no Congo são incendiados, diz ONU

da BBC Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta sexta-feira ter relatos confiáveis de que campos que abrigavam cerca de 50 mil deslocados no leste da República Democrática do Congo foram destruídos. Veja vídeo.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) disse estar preocupado com relatos sobre a destruição dos campos de Rutshuru, localizados a 90 quilômetros ao norte de Goma, capital da Província de Kivu do Norte.

Segundo relatos, os campos foram esvaziados à força, saqueados e depois incendiados.
"Havia cerca de 50 mil pessoas nesses campos", disse Ron Redmond, porta-voz do Acnur. "Não sabemos onde elas podem estar agora, estamos com medo de que simplesmente tenham se dispersado na floresta."

Deslocados

Calcula-se que 250 mil pessoas na região leste do Congo tenham fugido dos confrontos entre tropas do governo e rebeldes leais ao general Laurent Nkunda.

De acordo com o correspondente da BBC em Goma, Peter Greste, a falta de comida e de água está levando milhares de refugiados a deixar a cidade de Goma em direção a Kibati, a cerca de 12 km ao norte.

Segundo Greste, a estrada que sai de Goma está tomada por uma multidão de famílias que carregam todos os seus pertences nas costas.

Arte Folha Online

"Toda a população de Goma e também das áreas em torno da cidade está extremamente insegura", disse Marcal Izard, porta-voz da Cruz Vermelha, à BBC.

Um agente humanitário congolês que trabalha em Goma, Godefroid Marhenge, contou à BBC que alguns dos deslocados "precisam desesperadamente de ajuda humanitária".

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, já havia afirmado que a violência está criando uma crise de "dimensões catastróficas" no país.

Apesar de o general Nkunda ter dito na quinta-feira que abriria um "corredor humanitário" para que os refugiados em Goma pudessem voltar para suas casas, o correspondente da BBC afirma que muitas pessoas foram obrigadas a voltar para a cidade por medo de serem alvo de tiros.

De acordo com Greste, aqueles que conseguiram chegar a Kibati afirmaram ter mais chances de obter água e comida nas florestas ao redor da cidade do que em Goma.

Situação "volátil"

Apesar dos esforços diplomáticos para pôr fim à crise, a situação na região permanece extremamente volátil, segundo agentes humanitários.

Um cessar-fogo está em vigor em Goma, mas o general Nkunda ameaçou invadir a cidade a menos que as tropas de paz da ONU garantam a manutenção do cessar-fogo e a segurança.

Reprodução
Fila de refugiados no leste da República Democrática do Congo, África Central
Fila de refugiados no leste da República Democrática do Congo, África Central

As tropas rebeldes do general Nkunda estão posicionadas a cerca de 15 quilômetros de Goma.

A ONU mantém cerca de 17 mil homens no Congo, a maior missão de paz da organização no mundo. No entanto, o contingente não é suficiente para conter a crise.

Tanto rebeldes como tropas do governo são acusados de cometer atrocidades contra civis, principalmente estupros em massa.

O Parlamento do Congo pediu que o governo do presidente Joseph Kabila negocie com o líder rebelde. No entanto, em ocasiões anteriores Kabila já se negou a negociar com Nkunda.

 

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