BBC Brasil
04/11/2008 - 01h09

Eleitores americanos podem enfrentar problemas para votar

LAURA SMITH-SPARK
da BBC News

Em 2000, foram os problemas com os cartões perfurados de votação, as recontagens e as decisões judiciais na Flórida. Em 2004, alguns eleitores tiveram que esperar até oito horas para votar no Estado de Ohio. Passados quatro anos, um estudo do Pew Research Center alertou sobre uma possível "tempestade perfeita" criando caos nos locais de votação, alimentada pelo número recorde de eleitores, novos eleitores e uma falta de mesários.

Outro relatório sobre dez Estados-chave, feito pelo The Century Foundation and Common Cause, descobriu que "problemas significativos nas funções básicas das eleições americanas persistem, e em alguns casos pioraram".

Não é surpresa que ambos os partidos, Democrata e Republicano, estão contratando advogados, se preparando para disputas rancorosas sobre identidade de eleitores, problemas nas urnas eletrônicas e resultados apertados.

Já houve várias disputas legais sobre o registro de eleitores e a votação dos residentes no exterior e ausentes. Em uma delas, o partido Republicano em Ohio exigiu acesso às listas de eleitores recém-registrados cujos dados não eram compatíveis com suas carteiras de motorista ou detalhes do seguro social --uma medida que poderia ter permitido que contestassem o direito de votar de até 200 mil pessoas.

A Suprema Corte americana decidiu contra o partido e em favor da secretária de Estado de Ohio, Jennifer Brunner, uma democrata, que alegava que a maioria dos casos foi causada por erros burocráticos, não por fraude.

Em uma indicação da tensão no Estado, o escritório de Brunner foi submetido desde então a uma batelada de e-mails e ligações ameaçadoras, aparentemente instigados por programas de rádio de direita.

"As emoções estão à flor da pele e infelizmente isso levou a algumas mensagens perturbadoras", disse Brunner à BBC. O Estado também precisou fechar seu website brevemente depois que foi descoberto um ataque de piratas virtuais.

Números altos

No dia da eleição, Brunner prevê que o maior desafio de Ohio será o número de pessoas nas zonas eleitorais, com expectativa de que 80% dos registrados compareçam às urnas, contra 70% em 2004.

Em preparação, o Estado melhorou o treinamento aos mesários, criou sistemas alternativos com cédulas de papel para o caso de problemas nas máquinas de votação e tentou resolver questões de registro antes do dia da eleição.

Brunner não acha que o caos de 2004 se repetirá, mas diz que a escala da operação significa que "nenhuma eleição ocorre de forma 100% sossegada".

"Eu fiz todo o possível para assegurar que aquilo (o caos de 2004) nunca mais aconteça em Ohio", disse. "Haverá filas porque tantas pessoas votarão, mas eu acho que nós planejamos com antecedência e encontramos formas de fazer com que as filas andem rápido."

Eleitores ausentes

Ohio não será o único Estado a ver uma enxurrada de eleitores. Desde 14 de outubro, 13 Estados onde a disputa é acirrada já receberam 3,4 milhões de registros de novos eleitores, comparados com 1,8 milhão em 2004, segundo a organização Catalist.

Muitos Estados e organizações de direitos dos eleitores encorajaram as pessoas a se aproveitarem da possibilidade de votarem mais cedo ou pela cédula de ausente para reduzir o risco de enfrentarem longas filas no dia da eleição.

Os esforços funcionaram tão bem que alguns eleitores que decidiram votar mais cedo na Flórida, Carolina do Norte e Virgínia tiveram que esperar horas.

O governador republicano da Flórida, Charlie Crist, chegou a tomar medidas para estender as horas de votação para esses eleitores de oito para 12 por dia para encurtar as filas.

Espera-se que até um terço dos eleitores americanos tenham votado antes do dia da eleição, comparado com um em cinco em 2004.

As tentativas dos dois partidos para registrar novos eleitores geraram reclamações dos republicanos de que grupos comunitários de esquerda, como o ACORN, estariam registrando eleitores fantasmas.

Os democratas rebateram acusando os republicanos de tentarem suprimir votos legítimos e coibir minorias, por causa, por exemplo, de novas leis que exigem identificação com foto e da falta de máquinas de votação em áreas com forte presença de minorias étnicas.

Boa notícia

Os dois partidos colocarão equipes em locais de votação por todo o país para tentar descobrir potenciais problemas. O Rock the Vote, um grupo apartidário que encoraja o voto principalmente entre os jovens, também terá membros em algumas zonas eleitorais e criou um número de telefone gratuito onde os eleitores podem denunciar problemas.

A boa notícia, no entanto, segundo o professor Richard Hasen, um especialista em direito eleitoral da Escola de Direito Loyola, em Los Angeles, é que quaisquer problemas que surjam em 2008 não devem colocar em dúvida o resultado da votação.

"Há uma boa chance de que em algum lugar dos Estados Unidos haverá urnas quebradas, filas muito longas ou problemas nas listas de registro, mas não acredito que os problemas serão tão grandes que a identidade do próximo presidente americano será questionada", disse Hasen à BBC.

"Para que isso aconteça, o resultado teria que ser extremamente próximo em um Estado-chave, não em termos de porcentagem mas de números reais."

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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