BBC Brasil
07/11/2008 - 09h55

Brasil pode ter onda de fusões de bancos, diz "FT"

da BBC Brasil

Os bancos brasileiros estão se preparando para novas fusões depois do anúncio, esta semana, da união entre Itaú e Unibanco, diz a edição desta sexta-feira do jornal britânico "Financial Times" ("FT").

As condições são propícias pois "o Brasil tem cerca de 150 bancos, muitos deles de pequeno porte e concentrados em uma única linha de negócios como empréstimos para a compra de veículos ou ligados a folhas de pagamento, áreas que cresceram depressa seguindo a criação de empregos e aumento de salários", diz o jornal.

O artigo cita a análise de Ceres Lisboa, analista do setor bancário da empresa de avaliação de crédito Moody's, em São Paulo. "Bancos menores tiveram um crescimento de 30% a 40% ao ano. Isso acabou. Eles vão ter que se reinventar", diz ela no "FT".

O artigo observa que o Banco do Brasil, que até antes da fusão Itaú/Unibanco era maior do país, e o Bradesco, que já foi o maior banco do setor privado, deverão buscar aquisições na medida em que tentam restabelecer seu domínio.

"A consolidação será ajudada por medidas recentes do governo para injetar liquidez no sistema bancário com o desenrolar da crise financeira", diz o "FT".

"No entanto, um problema para os rivais do Itaú e Unibanco é que sobraram poucos bancos grandes no mercado. O Banco do Brasil deve comprar o Nossa Caixa por um valor entre R$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões. E há fortes rumores de que o Bradesco vá comprar o Banco Votorantim ou outro de médio porte".

A recente queda nos preços de ações também fizeram deste um momento favorável para negócios de compra entre bancos, diz o jornal, acrescentando que, apesar de Itaú e Unibanco insistirem que o seu caso é de "fusão", os termos da transação mostram que o Itaú comprou o Unibanco "por um quarto do que teria pago há apenas um ano".

Comentários dos leitores
Leandro Alves (8) 03/11/2009 16h30
Leandro Alves (8) 03/11/2009 16h30
Acho muito interessante a fusão Itaú/Unibanco. É uma concentração de poder sim, mas não vejo nenhum grande impacto ao mercado bancário uma vez que existem grandes concorrentes como Bradesco, Banco do Brasil, Satander Real, HSBC, entre outros. No mais, acho saudável os bancos brasileiros se unirem para ganhar força e competirem no mercado global, como fez a Ambev.
O "problema" que as pessoas enxergam é mais no plano cultural - e não se restringe ao Brasil. Não sei exatamente a causa, mas é senso comum que os bancos são maus, só pensam em dinheiro e tudo o que fazem é ruim. Puro preconceito. Nos esquecemos que sem eles o sistema financeiro quebraria e investimentos, empresas e empregos desapareceriam em todo o mundo. Foi o que aconteceu nesta última crise internacional.
Claro que eles também não são santos e cobram taxas exorbitantes visando lucros exorbitantes. Mas ai também entra a nossa parcela de culpa: enquanto utilizarmos cheque especial pagando 150% a.a., cartão com anuidades que chegam a R$ 400,00, rotativo do cartão de crédito pagando 9% a.m., guardarmos nosso dinheiro em fundos que cobram 3% ou 4% de taxa de administração... veremos os bancos com tais lucros exorbitantes e não adianta reclamar de concentração de poder.
Se querem acabar com isso, e isso sim é discussão que vale a pena, parem de se endividar como loucos e procurem outros lugares para guardar dinheiro como Tesouro Direto ou Bolsa de Valores.
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carlos esposito (11) 19/02/2009 12h00
carlos esposito (11) 19/02/2009 12h00
Que vergonha.
E pior, o BC mais do que ciente de que a única atividade economica que tem lucros mais que exorbitantes é a do proprio sistema financeiro, alega que a fusão é positiva nesse momento de crise internacional. Conversa para boi dormir.
A Febraban é muito mais poderosa que esses coitadinhos do Lula e Fernando Henrique juntos. 15 anos protegendo o lado mais forte de maneira improporcional.
O custo social que esses "agiotas legalizados" geram à sociedade é muito maior. Desestabilizam lares, familias e geram muito desemprego para a rede produtiva. Afinal, quem aguenta pagar 4,5 ou 10 % de juros ao mês ? Isso não existe em nenhum outro pais do mundo e somente no Brasil.
Depois vem o Mantega com conversa para boi dormir comentando que se aumentarem os juros os banqueiros vão dar um tiro no pé. Pura demagogia.... Vcs teriam duvida caso existisse no Brasil um candidato a presidente chamado "Febraban" se ele não seria eleito ? Chegou em um ponto que o poder deles é imensurável.
Pobre da Jornalista Salete Lemos que foi a única que teve coragem de critica-los no ar e sumariamente demitida. Afinal, qual rede de comunicação vai arriscar perder as propagandas milionarias mostrando o lado "bonzinho" dos mesmos.
Esse Brasil é uma piada. Agora, vamos todos comemorar essa fiusão é mostrar simultaneamente o nosso lado patriotico e porque não dizer idiota tentando nos convencer que a rede financeira no Brasil não é um oligopólio.
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Adm. Antonio Prenholato (47) 19/02/2009 11h26
Adm. Antonio Prenholato (47) 19/02/2009 11h26
Êpa !!!
Cada vez mais a concentração do poder, financeiro, no Brasil está em direção ao MENOR número de INDIVÍDUOS.
Por acaso, estes dois bancos estavam passando por dificuldades com a atual crise econômica ???
É certo que não, veja seus lucros !!!
Então porquê a sua junção e contra QUEM ???
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