BBC Brasil
10/11/2008 - 08h06

Lula discutirá crise com Berlusconi na Itália

FERNANDA NIDECKER
da BBC Brasil, em Roma

A crise financeira mundial estará no centro das conversas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá com o primeiro-ministro Silvio Berlusconi durante sua primeira visita de Estado à Itália.

Lula chegou na tarde de domingo a Roma acompanhado da primeira-dama, Marisa da Silva, e de uma comitiva de seis ministros.

O presidente passará cinco dias na capital italiana e tem encontro marcado com as principais lideranças do país. Na quinta-feira, será recebido pelo papa Bento 16, no Vaticano, onde assinará o Acordo Brasil-Santa Sé.

Segundo o Itamaraty, Lula e Berlusconi falarão de propostas que serão apresentadas durante a reunião dos chefes de Estado do G20 (grupo dos 20 países mais industrializados do mundo mais os emergentes), no próximo sábado, em Washington, para discutir soluções à crise financeira mundial.

O governo brasileiro vem defendendo uma ação coordenada para enfrentar a crise, baseada em uma reforma do sistema financeiro internacional, na revisão e na regulação dos mercados financeiros.

Outra reivindicação do Brasil é a ampliação do G8 (grupo que reúne as sete economias mais industrializadas do mundo mais a Rússia) de modo a incluir os países emergentes.

A Itália assume a Presidência rotativa do bloco a partir de janeiro de 2009, e Berlusconi já sinalizou que apóia a expansão do G8 para incluir economias emergentes como Brasil, China, Índia e México.

'O G8 ampliado deve se tornar o foro capaz de enfrentar os graves problemas econômicos atuais', declarou Berlusconi em outubro.

Investimentos no PAC

A viagem de Lula também terá como objetivo estreitar as relações comerciais entre Brasil e Itália e tentar atrair investimentos do país europeu para as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado pelo governo federal para a reestruturação da infra-estrutura do país.

Um dos principais compromissos na agenda do presidente é o seminário empresarial sobre oportunidades de investimento no Brasil oferecidas pelo PAC, na tarde de terça-feira.

De janeiro a setembro deste ano, o Brasil captou US$ 241,5 milhões em investimentos diretos da Itália, colocando o país em 13º na lista dos principais investidores no Brasil.

De acordo com dados do Banco Central, neste período, a Itália injetou bem menos recursos do que outros países europeus, como França (US$ 1,6 bilhão), Alemanha (US$ 746 milhões) e Reino Unido (R$ 579,2 milhões).

Segundo números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o intercâmbio comercial entre Brasil e Itália movimentou, de janeiro a setembro deste ano, US$ 7,1 bilhões.

O total do ano de 2007 foi de US$ 7,8 bilhões, com saldo positivo para a balança comercial brasileira. As exportações para a Itália no ano passado somaram US$ 4,4 bilhões, um acréscimo de 16% em relação ao anterior. Já as importações tiveram um incremento de 30%, passando de US$ 2, 5 bilhões para US$ 3,3 bilhões.

De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, ainda é cedo para fazer um prognóstico sobre se a crise financeira mundial prejudicará o comércio entre os dois países.

"A Itália é um grande parceiro comercial do Brasil, sendo nosso terceiro mercado dentro da União Européia, depois de Países Baixos e Alemanha. Muitas análises de entidades mundiais apontam para uma recessão, mas avaliamos que há muitas possibilidades para a contínua expansão do comércio como uma das formas de retomar o crescimento mundial", disse o secretário, em entrevista à BBC Brasil.

Estão também previstas as assinaturas de acordos bilaterais nas áreas de defesa, infra-estrutura, tecnologias espaciais, saúde e ciências médicas, medicina veterinária, e de interação entre pequenas e médias empresas.

Imigração

A imigração também deverá entrar na pauta de discussões entre Lula em Berlusconi.

Em maio, um mês após assumir o poder, o premiê italiano anunciou medidas duras contra a imigração que limitam o ingresso de estrangeiros no país, facilitam a expulsão dos irregulares e transformam a imigração clandestina em crime.

Em sua última visita à Itália, em junho, Lula disse esperar que a perseguição aos imigrantes que chegam à Europa não aconteça também com os brasileiros.

"Acho que só tende a melhorar a relação Brasil e Itália. Eu trabalho com a convicção de que essa perseguição aos imigrantes que está acontecendo hoje na Europa e também aqui na Itália de que ela não aconteça com brasileiros", disse Lula na época.

O presidente ainda disse que toda vez que alguém quiser perseguir um brasileiro, tem que lembrar que o Brasil "age com coração de mãe" porque sempre soube acolher os imigrantes que recebeu.

A Itália --ao lado de Portugal-- é um dos países europeus que mais recebem imigrantes brasileiros. Estima-se que mais de 60 mil brasileiros vivem no país.

Agenda

O presidente passou a primeira noite da viagem na Embaixada brasileira em Roma. Na manhã desta segunda-feira, segue para o Palácio presidencial Quirinale, onde ficará hospedado até quarta-feira.

No Quirinale, Lula será recebido pelo presidente italiano, Giorgio Napolitano, e, à tarde, fará uma visita à Câmara dos Deputados, onde se reúne com o presidente da Casa, Gianfranco Fini.

Na terça-feira, Lula tem encontro marcado com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. À tarde, participa do seminário empresarial sobre oportunidades de investimentos no PAC.

Outros compromissos do programa incluem uma oferenda floral ao Altar da Pátria e a participação de um seminário com o tema "Nova economia, nova democracia".

A agenda ainda inclui um encontro com o prefeito de Roma, Gianni Alemanno, na quarta-feira, e uma audiência privada com o Papa Bento 16, na manhã do dia seguinte.

Durante o encontro com o pontífice, Lula assinará o Acordo Brasil-Santa Sé relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, cuja proposta original foi apresentada pela Santa Sé ao governo brasileiro em setembro de 2006.

O acordo aborda temas como a liberdade religiosa, a não discriminação por razões de credo, o ensino da religião nas escolas e o estatuto financeiro da Igreja católica.

O presidente brasileiro também espera abordar com o papa temas como a luta contra a fome no mundo, a imigração e o incentivo ao desenvolvimento.

Lula segue na tarde de quinta-feira para Washington, onde participa da cúpula do G20 no dia 15.

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (93) 21/12/2009 09h58
Olmir Antonio de Oliveira (93) 21/12/2009 09h58
A respeito de fusão e ou incorporação. São amplas as possibilidades de fusões associações, aquisições, incorporações. Ao mercado brasileiro, a as empresas brasileiras. È de se crer na ampliação dos horizontes empresariais, no Brasil e no mercado internacional, è parte da democracia e globalização...... È importante se pensar nas ampliação das possibilidades de se adotar novas tecnologias, novas formulações, novas visões, novos tratos para uso de produtos usuais do mercado e ou de novas gerações de itens. Exemplifico para o caso do cimento evolução na utilização de agregado, compostos basicos, quimicamente tem faltado dar mais atenção a pontos basicos adequar temperaturas e pequenos arranjos nas confeções. No setor de aço conjuagar produtos atuais do mercado e até novas composições, e ou formatos elaborativos, a exemplo da utilização de pricipios simples, agregando multiplas placas extruturadas. para novos sistemas contrutivos, e ou melhorias aos atuais. è de se prever a construção de predios, avioões, onibus, caminhões, trem,navios, pontes e ou viadutos, "principalmente para se evitar tragédias similar a ocorrida no rodo anel de SP".... nova visão para arquitetura, designer noderno, eficiente, ágil, econômicamente viaveis, e ou industrialmente. e ou a nivel de execução. O fundamental é estar ocorrendo mudança na maneira de se pensar, e avontade de tentar novos processos, bom sinal para o Brasil suas empresas e trabalhadores. sem opinião
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Henrique Silva (220) 21/12/2009 09h48
Henrique Silva (220) 21/12/2009 09h48
Ogrande endividamento público dos países ricos durante a crise é um risco ao crescimento econômico sustentável. Assim como no Brasil, que se endividou muito nos anos 90, perdeu sua capacidade de crescimento e se enfiou em sucessivas crises.
Mas agora vivemos uma situação diferente, mas não menos perigosa, pois o Brasil está melhor em suas contas públicas que os países ricos, mas o problema é: como eles vão comprar nossos produtos se não tiverem dinheiro?
sem opinião
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augusto palme (3) 20/12/2009 11h27
augusto palme (3) 20/12/2009 11h27
Ano 2010 está chegando, com uma euforia nunca vista aqui no Brasil. Tudo indica um ano fabulosos em todos os aspectos e para todos. Há duas noticias no Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde de hoje que recomendam cautela. Vejam:
O ESTADO DE S.PAULO- 20.12.09
Em 2008 e 2009, parte da crise ocorreu diante da incapacidade de muitos em pagar suas dívidas. Casas foram devolvidas e empresas foram fechadas em meio à falta de crédito. Para 2010, a eventualidade de uma falência nas contas públicas teria um impacto bem maior. Não por acaso, a agência Moody"s publicou um relatório no início da semana (14 A 20.12.09) com um título que chamou a atenção do mercado: "Apertem os Cintos - Tempos Tumultuados pela Frente".
JORNAL DA TARDE - 20.12.09
O problema é que quando as contas mais altas chegarem em janeiro, boa parte dos paulistanos estará mais endividada do que estava no início de 2009. Uma pesquisa da Federação do Comércio prevê que as vendas deste Natal sejam entre 10% e 12% maiores que as do Natal de 2008, com o agravante de que as compras a prazo também devem crescer na mesma proporção.
A combinação de aumento do consumo no Natal com um reajuste acima da inflação nas despesas de início de ano pode deixar o consumidor numa situação delicada.
O que devo fazer: acreditar e tomar cautela, ou confiar na midia especialmente televisiva ficando eufórico e tambem sair gastando? Alguem me ajude por favor.
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