BBC Brasil
28/11/2008 - 08h23

Obama deve recuperar relações com a América Latina, diz "NY Times"

da BBC

O governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deixou "tanto caos e ressentimento" no mundo que seu sucessor na Casa Branca, Barack Obama, pode estar tentado a colocar em segundo plano as relações com a América Latina, diz editorial publicado na edição desta sexta-feira do jornal americano "The New York Times".

As relações dos Estados Unidos com o resto do continente americano são descritas pelo diário como "extremamente amargas". Mas adiar um engajamento seria "míope", segundo o "New York Times". "Há uma oportunidade única para melhorar as relações com uma região que compartilha de interesses e valores-chave com os Estados Unidos."

"E, como as relações estão ruins agora, não vai precisar de muito mais do que bom senso e sensibilidade para conseguir progressos."

E os líderes latino-americanos querem "saber que Washington está disposto a conversar seriamente --e não apenas fazer uma pregação-- sobre tópicos importantes, inclusive narcotráfico, política energética, integração regional e imigração". Cuba, Venezuela e Brasil estão entre os países citados no editorial.

"Sobre energia, eliminar as tarifas para a importação de etanol ajudaria a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e melhorar muito as relações com o Brasil", diz o jornal.

Com o afastamento de Fidel Castro do governo cubano, "Washington deveria testar as intenções de uma nova liderança cubana", afirma o "New York Times", que defende a suspensão do embargo americano a Cuba.

A tarefa de aproximação da Venezuela estaria facilitada pela redução dos preços do petróleo no mercado internacional e da "estatura" do presidente Hugo Chávez. "Nós não temos paciência para com a maneira corrupta e autocrática de Chávez. Mas a administração Bush fez um enorme estrago à credibilidade americana em boa parte da região quando abençoou o que acabou sendo um golpe fracassado contra Chávez."

O líder venezuelano "explorou sentimentos anti-americanos" ao máximo, disse o editorial.

E o que o jornal chama de "decadência de Chávez", apresenta novos desafios, pois "as finanças de Cuba, assim como de Argentina, Nicarágua ou Honduras podem se deteriorar rapidamente se a Venezuela decidir reduzir suas remessas de petróleo barato e bilhões em ajuda". "Washington tem que estar preparado para ajudar, com seus próprios recursos ou angariando apoio de organismos internacionais."

E o "New York Times" conclui que, "se ainda há uma dúvida sobre a necessidade de uma nova política para a região, [Obama] deveria levar em conta estes fatos: a América Latina fornece um terço das importações de petróleo da nação [americana], a maioria de seus imigrantes e virtualmente toda a sua cocaína."

"E, sim, está bem ao lado."

Comentários dos leitores
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
E lula responde á Carta do Obama...
Deve ter começado mais ou menos assim:
"Pô Obama, você não disse que eu era "o cara"? Então, eu acreditei, achei que era pra valer..."
A cumparenhada finalmente começa a acordar para a realidade, para o que eles são na verdade, ou seja nada, um zerão redondão á esquerda (que por coincidência, é o lado favorito deles...).
Lula agora, o ator enganador, se tornou o personagem principal daquele filme:
"O Rato que Ruge..."
Responder para Obama? Ele?
Só se for...
Sim senhor!
sem opinião
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Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Até quando os americanos podem matar e não serem responsáveis pelos crimes que cometem contra civilizações iraquiana, afegãs, entre outras.? 3 opiniões
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Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Os EUA influencia, ainda que sutilmente, decisões internacionais. Lula, no meu ponto de vista, fez certo em receber Ahmadinejad a fim de estabelecer, além de esclarecer sua posição em relação ao enriquecimento de urânio do Irã. Afirmando que apoia desde que seja para fins pacíficos, em outras palavras; desde que voces nao façam uma bomba atómica. O que prova ser contraditório, pois uma região como o Irã com tantos conflitos e uma notável instabilidade, pode intencionalmente criar armas nucleares a fim de se "precaverem". Lula reafirmou sua posiçao de nem lá nem cá. Concorda com o Irã, mas sem entrar em divergencia com os EUA. sem opinião
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