Grife de detentos na Alemanha vira cult
MARCIO DAMASCENO
da BBC Brasil, de Berlim
Batizada com o nome com o qual a penitenciária Fuhlsbüttel, de Hamburgo, norte da Alemanha, é conhecida mais popularmente, a linha Santa Fu traz produtos criados, manufaturados e embalados pelos detentos de uma das cadeias mais famosas do país.
| Divulgação |
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| Caixinha traz jogo da memória com imagens das tatuagens comuns entre os presos |
Comercializada sob o lema "mercadorias quentes da cadeia", a grife já é considerada cult pela imprensa local.
A coleção inclui não só roupas, como jogos, toalhas, livros e outros acessórios e tem na irreverência sua marca principal. Os artigos são inusitados e contam sempre com um toque sarcástico de humor.
O boné da Santa Fu traz a logomarca da grife, quatro traços cortados por um quinto risco. Um símbolo que, no imaginário popular, lembra o método com que presos contariam os dias passados atrás das grades.
Já o jogo da memória "Tatoo" mostra fotos de tatuagens dos corpos dos próprios detentos. As camisetas e bótons trazem palavras como "culpado", "inocente", "perpétua" ou apenas estampas lembrando grades.
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| Jogo "Alarm", semelhante ao Ludo, em que o objetivo é sair da cadeia saindo do tabuleiro |
O jogo "Alarm!" (alarme), funciona como um Ludo ao contrário. Quem vence não é quem chega primeiro ao objetivo, mas quem salta mais rápido do tabuleiro, que representa uma prisão.
No livro de culinária "Huhn in Handschellen" ("Galinha Algemada"), uma das receitas mais curiosas criadas pelos presidiários é a do "espaguete com peixe torturado", com arenque enlatado como ingrediente principal. A grife tem também produtos de beleza, como o set masculino para higiene pessoal "Bleib sauber" ("Fique Limpo").
Realizado há dois anos pela instituição carcerária, em parceria com agências de publicidade e marketing, o projeto foi premiado com o selo "Alemanha, país das ideias", um reconhecimento do governo alemão a empreendimentos inovadores no país.
A iniciativa chama atenção não só pela originalidade, mas também por contribuir para incentivar a reabilitação dos presos auxiliando, ao mesmo tempo, outros projetos de cunho filantrópico. Parte da renda é destinada a uma entidade de assistência a vítimas de crimes.
Até agora, o projeto já vendeu mais de 17 mil produtos, faturando quase 300 mil euros, através dos cerca de 40 pontos de vendas distribuídos em algumas cidades alemãs e pela página de internet da iniciativa.
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