Viagem de Amorim "não foi fracasso", dizem especialistas
FABRICIA PEIXOTO
da BBC Brasil
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, retorna nesta quarta-feira de uma viagem ao Oriente Médio aparentemente sem conseguir atingir seu objetivo principal, que era incluir o Brasil no seleto grupo de países que vêm trabalhando no processo de paz entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas.
O resultado, no entanto, não deve ser visto como uma derrota da diplomacia brasileira. Pelo menos essa é a interpretação de especialistas em relações internacionais ouvidos pela BBC Brasil. "Considerar a viagem uma derrota é um exagero. Desde o início era sabido que as chances de o Brasil influenciar o processo eram definitivamente muito pequenas", diz Andrew Hurrel, professor-visitante do Centro de Estudos Brasileiros, da Universidade de Oxford.
| Efe |
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| O chanceler Celso Amorim fala com Bashar Assad, o presidente da Síria, em Damasco |
Segundo Hurrel, a viagem ao Oriente Médio, no momento em que a região é foco da comunidade internacional, é coerente com a política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é participar das principais discussões mundiais. "Existem diversas formas de se ganhar prestígio no cenário internacional. Uma delas é de que sua contribuição seja reconhecida por outros países. Não necessariamente por meio de um resultado efetivo", diz Andrew Hurrel.
Em quatro dias, o ministro Amorim teve encontros com autoridades locais na Síria, Israel, Cisjordânia, Jordânia e Egito. A pedido do presidente Lula, Amorim colocou o Brasil à disposição para participar das negociações. Lula também sugeriu uma conferência para discutir a paz na região, tão logo o conflito chegue ao fim.
| Lefteris Pitarakis/AP |
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| O chanceler Celso Amorim com a colega israelense, Tzipi Livni, em Jerusalém |
A iniciativa brasileira, porém, foi criticada por alguns ex-membros da diplomacia brasileira. Entre eles está o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia. Segundo ele, a viagem de Amorim ao Oriente Médio "beira o ridículo", em função de sua pouca influência na região.
Grupo restrito
As conversas entre Israel e o Hamas vêm sendo intermediadas por um grupo restrito, que inclui basicamente Estados Unidos, França e Egito. Mais recentemente, Turquia foi incluída no processo, a pedido do grupo palestino.
"Entrar para esse grupo não é fácil", diz o especialista em Oriente Médio da London School of Economics, Amon Aran. "Para participar do grupo de negociadores, um país precisa ter um forte vínculo, seja ele histórico, geográfico ou material". Segundo ele, o Brasil não se encaixa nesse perfil. Além disso, diz, é preciso considerar o fato de que os negociadores que já estão no círculo dificilmente abrirão espaço para novos atores.
| Fadi Arouri/Reuters |
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| O chanceler Celso Amorim com o premiê palestino Salam Fayyad na Cisjordânia |
Na visão de Aran, as chances do Brasil são "praticamente nulas". "Mas isso não quer dizer que o país não possa tentar e até obter algum outro resultado positivo com a iniciativa".
O professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Virgílio Arraes, diz que o Brasil vem tentando ampliar a atuação diplomática fora do eixo tradicional, historicamente a América Latina. "O país precisa fazer isso se quiser pleitear um assento no Conselho de Segurança da ONU", diz. Segundo Arraes, a viagem ao Oriente Médio faz sentido nesse contexto.
Segundo ele, a influência do Brasil em outras regiões é de fato "reduzida", e por isso "a diplomacia vem se mexendo".
Para a professora Susan Purcell, diretora do Centro de Política Hemisférica da Universidade de Miami, o fato de Amorim ter voltado para casa sem provar sua influência não significa uma derrota. "Não é exatamente um fracasso brasileiro. A essa altura, nenhum outro país sozinho, seja ele os Estados Unidos ou a França, teria conseguido um resultado diferente", diz.
Para ela, o Brasil apostou em uma iniciativa diplomática de "baixo risco" --com pouco a perder-- e, ao mesmo tempo, com chances de obter alguma vantagem, ao demonstrar especial interesse no processo de paz.
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Obrigado pela parte que agradece a saber ter aprendido fatos históricos. Acointece que os FATOS HISTÓRICOS que muitos colocam aqui são omissos em parte. Se é verdade que PARTE do povo palestino foi "expatriado ou expulso" É VERDADE factualmente comprovável em fotos e pode até conversar com eles - que ainda reside em israel SOB CIDADANIA ISRAELENSE E VOTANDO algo como 2 milhoes de árabes, NAS CASAS ONDE SEMPRE MORARAM. Ao contrário destes, cerca de 900 mil judeus foram EXPULSOS DOS PAISES ÁRABES nos anos de 1940 e 1950. e, ao contrario da continuação de arabes morando até hoje em israel, a TODOS ELES nao foi dada a escolha. foram roubados e expulsos. Roubados em quanto? em MUITO MAIS que os palestinos. Ora. viviam muito bem em comunidades egipcias, turcas e sírias. Esmirna, Alexandria, Alleppo, Damasco, Beirite, Fez, tinham comunidades MILENARES. expulsos. sim. HISTORICAMENTE. muitos estao aqui em sao paulo. Muitos receberam cidadania israelense, ONDE CHEGARAM APENAS COM A ROUPA DO CORPO. Como diz nosso colega nissei, SE VIRARAM.
JUSTIÇA APENAS PARA OS REFUGIADOS PALESTINOS? apenas eles? george orwel bem escreve em a revolução dos bichos: TODOS SÃO IGUAIS. ALGUNS, ENTRETANTO, SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS
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Falta agora dizer que os 6 milhoes de judeus mortos foram parte do LOBBY judaico para criar israel. Matar um terço da propria população. ah. hitler tambem foi parte do lobby judaico.
Os judeus queimados em forno estavam fazendo lobby. é isto. LOBISTAS!
QUE truquezinho baixo, quase que enganam....enganaram a quase todos, menos ao sr said. ele não se deixa enganar.
Fomos descobertos.
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