BBC Brasil
14/01/2009 - 14h45

Presidente sírio diz que ofensiva aumenta extremismo em Gaza

da BBC Brasil

O presidente da Síria, Bashar Al Assad, afirmou nesta quarta-feira que a ofensiva israelense em Gaza pode aumentar o extremismo islâmico no Oriente Médio e que um acordo de cessar-fogo na região só pode ser atingido se Israel concordar em acabar com o bloqueio contra a Faixa de Gaza.

"Os efeitos da guerra são mais perigosos do que a própria guerra, semeando as sementes do extremismo e do terror na região", disse Assad à BBC.

Em entrevista concedida ao editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, Assad afirmou que um cessar-fogo sustentável em Gaza só poderá ser atingido se as condições dos dois lados do conflito forem contempladas.

De acordo com o líder sírio, a condição para que os grupos militantes palestinos parem de lançar foguetes contra Israel é que o país respeite integralmente a trégua --o que, segundo ele, não aconteceu no passado-- e que acabe com o bloqueio contra Gaza.

Assad ainda afirmou que o grupo militante palestino Hamas deve estar presente em qualquer negociação sobre a paz na região.

"O Hamas é influente. Isso é o mais importante", afirmou. "Então, eles têm que participar de qualquer ação (de paz) como condição para que ela seja bem-sucedida."

Resistência

Assad é considerado um importante ator na região e seu país abriga o líder do Hamas, Khaled Meshaal.
"Nós não atingimos a paz ainda porque Israel nunca cedeu desde o início das negociações, em 1991", disse o presidente sírio. "Assim, quando você não aceita os termos de paz, então tem que esperar resistência."

"As pessoas ficaram desesperadas quando a Organização das Nações Unidas (ONU) não alcançou nada nas negociações de paz, então a resposta normal (delas) é a resistência", acrescentou.

O presidente sírio se disse, no entanto, a favor do fim do contrabando de armas pela fronteira de Gaza com o Egito, uma das principais demandas de Israel, mas afirmou que isso seria apenas parte de "uma solução maior" para o conflito no Oriente Médio.

Obama

Bashar Al Assad também criticou os líderes israelenses e afirmou que a política doméstica do país produziu governos "fracos", incapazes de empreender um processo de paz.

Segundo o líder sírio, o governo americano de George W. Bush também falhou ao desempenhar o papel de intermediário nas negociações.

Assad, no entanto, se disse "esperançoso" com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse no próximo dia 20 de janeiro.

"(Obama) precisa achar uma solução para o problema do Iraque, com a retirada do país, em paralelo com um processo politico", afirmou. "Ele também precisa se envolver seriamente e diretamente com o processo de paz no Oriente Médio."

"Ele será bem-vindo todas as vezes que quiser vir (à Síria) para cooperar com essas questões", acrescentou Assad.

Conflitos

Os conflitos entre tropas israelenses e militantes palestinos continuaram nesta quarta-feira nos arredores da Cidade de Gaza, com registros de explosões e trocas de tiros.

Informações dão conta de que os conflitos prosseguiram apesar do início da trégua de três horas para que palestinos comprem gêneros de primeira necessidade e para que auxílio humanitário chegue à região.

Israel afirmou que mais três foguetes foram lançados a partir do território libanês contra a cidade de Kiryat Shmona, no norte do país.

Quatro foguetes já haviam sido lançados contra Israel a partir de território libanês na semana passada, aumentando temores de que o conflito se espalhe pela região.

Estratégia

Israel também atingiu 60 alvos na faixa de Gaza nesta madrugada, destruindo cerca de 35 túneis usados para o contrabando de armas no sul da região e um cemitério na Cidade de Gaza.

Analistas afirmam, no entanto, que o país parece estar evitando um ataque em massa contra a Cidade de Gaza.

Segundo eles, combates intensos na zona urbana poderiam causar muitas mortes dos dois lados, o que seria um risco político grande a menos de um mês das eleições no país.

Fontes ouvidas pela BBC também afirmam que há sinais de divisões no gabinete israelense, com o ministro da Defesa, Ehud Barack, defendendo uma diminuição na ofensiva e o primeiro-ministro, Ehud Olmert, querendo pressionar com mais ataques.

Em meio à ofensiva israelense em Gaza, uma nova gravação com uma voz atribuída ao líder da rede extremista Al Qaeda, Osama Bin Laden, foi divulgada nesta quarta-feira.

Na gravação, Bin Laden convoca uma "guerra santa" para combater a ofensiva de Israel. A autenticidade da gravação, publicada por sites islâmicos, não pode ser verificada.

Comentários dos leitores
mauro halpern (53) 06/07/2009 19h46
mauro halpern (53) 06/07/2009 19h46
respondo ao sr eduardo de souza.
Obrigado pela parte que agradece a saber ter aprendido fatos históricos. Acointece que os FATOS HISTÓRICOS que muitos colocam aqui são omissos em parte. Se é verdade que PARTE do povo palestino foi "expatriado ou expulso" É VERDADE factualmente comprovável em fotos e pode até conversar com eles - que ainda reside em israel SOB CIDADANIA ISRAELENSE E VOTANDO algo como 2 milhoes de árabes, NAS CASAS ONDE SEMPRE MORARAM. Ao contrário destes, cerca de 900 mil judeus foram EXPULSOS DOS PAISES ÁRABES nos anos de 1940 e 1950. e, ao contrario da continuação de arabes morando até hoje em israel, a TODOS ELES nao foi dada a escolha. foram roubados e expulsos. Roubados em quanto? em MUITO MAIS que os palestinos. Ora. viviam muito bem em comunidades egipcias, turcas e sírias. Esmirna, Alexandria, Alleppo, Damasco, Beirite, Fez, tinham comunidades MILENARES. expulsos. sim. HISTORICAMENTE. muitos estao aqui em sao paulo. Muitos receberam cidadania israelense, ONDE CHEGARAM APENAS COM A ROUPA DO CORPO. Como diz nosso colega nissei, SE VIRARAM.
JUSTIÇA APENAS PARA OS REFUGIADOS PALESTINOS? apenas eles? george orwel bem escreve em a revolução dos bichos: TODOS SÃO IGUAIS. ALGUNS, ENTRETANTO, SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS
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mauro guanandi (6) 03/07/2009 09h28
mauro guanandi (6) 03/07/2009 09h28
o SR SAID FALA IGUALZINHO A HILER. ele dizia que os judeus da alemanha faziam lobbie e destruiram aeconomia (nao foi a primeira guerra, e sim os judeus).
Falta agora dizer que os 6 milhoes de judeus mortos foram parte do LOBBY judaico para criar israel. Matar um terço da propria população. ah. hitler tambem foi parte do lobby judaico.
Os judeus queimados em forno estavam fazendo lobby. é isto. LOBISTAS!
QUE truquezinho baixo, quase que enganam....enganaram a quase todos, menos ao sr said. ele não se deixa enganar.
Fomos descobertos.
1 opinião
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Said Abou Ghaouche Netto (21) 01/07/2009 03h42
Said Abou Ghaouche Netto (21) 01/07/2009 03h42
Muitas pessoas tem uma visão jornalística do problema entre árabes e judeus em prejuizo de uma visão histórica. Quem pesquisar, do surgimento do sionismo moderno até a queda do mandato britânico saberá que os judeus usaram todas as armas. Lobbies, corrupção, chantagem, traição e terrorismo. Criaram lobbies para pressionar governos ocidentais, entre eles a Alemanha e o império Otomano (atual Turquia). Quando estes perderam a primeira guerra e o império desmoronou, a França e a Grã Bretanha tomaram e dividiram o terreno. Durante a 1ª guerra, os árabes lutavam contra os turcos e com a orientação de um certo militar inglês acabaram derrubando o último sultão. Assim a Alemanha perdeu importante aliado e também a guerra. Onde estavam os judeus? Fazendo lobbie, agora junto aos britânicos. Depois houve todo tipo de corrupção e chantagem para permitir o contrabando de armas, a compra de terras sem a devida quitação, o cerceamento às autoridades britânicas locais, o uso de terrorismo contra a população e oficiais britânicos (mataram o enviado da ONU, Conde Folke Bernadotte) e por último a traição à declaração balfour, que dizia que nada seria feito em prejuizo da população local. Mas de todos os pecados o maior foi a mentira de que existia uma terra sem povo para um povo sem terra. Eu não digo isso para condená-los, pois tenho pena das futuras gerações que herdarão a conta. O tempo e a demografia favorece os árabes e as coisas vão acabar como na África do Sul, numa hipótese otimista. 25 opiniões
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