BBC Brasil
18/01/2009 - 10h04

Análise: Cessar-fogo não deve pôr fim à guerra na faixa de Gaza

JEREMY BOWEN
editor de Oriente Médio da BBC

O grupo palestino Hamas disse que lutará até que Israel atenda suas exigências para um cessar-fogo.

O porta-voz do grupo, Fawzi Barhoum, disse que "uma trégua unilateral não significa o fim da agressão e do cerco israelense, que são atos de guerra e, portanto, não colocarão fim à resistência palestina.

A avaliação de Israel é que o Hamas está numa posição enfraquecida. Se aceitar o cessar-fogo, admitirá a derrota. Se, por outro lado, não cessar os ataques quando Israel o fizer, provocará retaliação por parte do exército israelense.

Se isto acontecer, Israel acredita que já terá angariado prestígio internacional suficiente por ter declarado que está pronto a interromper a ofensiva.

"Pegar ou largar"

O Hamas tem repetido incansavelmente suas condições para um cessar-fogo. O grupo exige a retirada das forças israelenses em uma semana e a reabertura das fronteiras de Gaza.

Mas Israel diz ao Hamas que é "pegar ou largar". A questão agora é se o Hamas decidirá curar as feridas e se reagrupar, ou se aposta em arrastar Israel para uma guerra de atritos.

Ao dizer que cessará sua ofensiva agora, Israel acredita que suas relações com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, começam com o pé direito quando ele assumir o cargo na terça-feira.

E se não voltar a atacar espera atrair o apoio do novo presidente. No discurso televisivo em que anunciou o fim da ofensiva, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que as bases do Hamas haviam sido muito prejudicadas.

Em termos militares e de infra-estrutura de governo, fábricas de foguetes e dezenas de túneis para contrabando foram destruídos, seus líderes estavam escondidos e muitos de seus militantes mortos.

Dor e morte

Olmert listou uma série de pontos considerados por ele como "sucessos". A lista incluía o desempenho, o nível de treinamento e equipamento de reservistas e a habilidade dos líderes de tomar decisões.

Não por coincidência, a lista incluía todos os pontos que os israelenses acreditam ter dado errado na guerra do Líbano em 2006, declarada logo depois que Olmert assumiu o cargo.

O revés de 2006 feriu em cheio sua reputação. Mas após o discurso de sábado, o premiê se sentiu redimido como líder.

Israel diz que suas tropas podem interromper a ofensiva porque acreditam ter destruído o braço militar do Hamas e enviado uma mensagem a todos os inimigos do país que devem temer o que o Exército israelense pode fazer contra eles.

Mas a que custo? Pelo menos 1.600 desabrigados estavam refugiados em uma escola da ONU em Gaza atingida em cheio por mísseis israelenses na manhã de sábado. Dois irmãos, de 5 e 7 anos, foram mortos.

John Ging, coordenador da agência de ajuda da ONU aos refugiados palestinos estava lá logo após o ataque e pediu uma investigação sobre se Israel havia infringido leis de guerra internacionais. Ele disse que os dois meninos eram indiscutivelmente inocentes.

Depois de causar tanta dor e mortes, Israel ainda diz que os civis de Gaza não são seus inimigos. Isto é algo que a população do território palestino e outras milhões de pessoas em outras partes do mundo não acreditam.

Comentários dos leitores
Santos Júnior (349) 16/12/2009 20h25
Santos Júnior (349) 16/12/2009 20h25
Sr Mauro Halpern isso se chama HIPOCRISIA!! sem opinião
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Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Senhor Moderador, creio que uma filtragem melhor no comentários seria de grande agrado para as pessoas inteligentes da Folha. Comentários sem um pingo de fundamentos deveriam ser jogados na lata de lixo. As pessoas deveriam ler mais livros de História sobre o Conflito Israel-Palestino, Revolução Social Cubana e o pais persa do Irã. Opinião pessoal fora de contexto não agrada ninguem, somente aqueles que acreditam no que querem acreditar, fora da realidade. 2 opiniões
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Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Qualquer um que tenha um mínimo de raciocínio jurídico entende o motivo pelo qual o Reino Unido pediu um mando de prisão para Livni, uma das responsáveis pela matança da Faixa de Gaza. Faltou pedir um mandado de prisão os demais dirigentes de Israel pela morte das 351 crianças palestinas...mas acho que com o tempo serão presos... como criminosos. 2 opiniões
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