Oposição denuncia fraude em votação na Bolívia
MARCIA CARMO
da BBC Brasil, em La Paz
Integrantes da oposição ao presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciaram neste domingo que a eleição para ratificar ou não o projeto da nova Constituição tem "marcas de fraude".
De acordo com o líder do partido opositor Podemos (Poder Democrático Social), Jorge Quiroga, "não se trata de um processo eleitoral seguro". "Existem falhas evidentes, como falta de controle da identidade dos que estão votando", disse.
Saiba mais sobre a Bolívia
Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da Bolívia
Em entrevista à BBC Brasil, o secretário do setor de autonomias do Departamento (Estado) de Santa Cruz, Carlos Dabdoub, disse que se o projeto constitucional for confirmado, terão ocorrido "fraudes". "Temos informações de que é uma eleição apertada, com a possibilidade até de empate técnico. Se o governo anunciar que ganhou, então houve fraude", disse.
Durante a semana, advogados da Prefeitura de Santa Cruz entregaram denúncias de possibilidades de fraudes, com possíveis irregularidades no número de votantes --são 3, 8 milhões, oficialmente-- e da mesma pessoa usar a identidade mais de uma vez.
Apesar das acusações, observadores internacionais sinalizaram, neste domingo, que a eleição ocorre com normalidade.
O presidente Evo Morales reagiu às acusações de fraude da oposição. "São declarações de derrotados. Essa é uma eleição democrática e o povo decidirá o que é melhor para a Bolívia", disse ele em uma entrevista na Federação dos Cocaleiros de Cochabamba, onde passou parte do dia após votar neste pleito.
La Paz
Nas ruas de La Paz, capital política da Bolívia, assim como no restante do país, foram registrados incidentes isolados, imperando a tranquilidade nos pontos de votação.
Um casal de eleitores, o pedreiro Juan Martin Tancara, 29, e a enfermeira Monica Jancu, 29, disseram que "o povo deve ter cansado de tantas brigas" --fazendo referência às violentas disputas registradas, em quase dois anos, desde que foi lançado o projeto da nova Constituição. Uma discussão que, segundo diferentes analistas, contribuiu para dividir o país. Tancara e Jancu são exemplos dessa divisão.
"Votei pelo não porque o presidente é um autoritário, só acredita nas ideias dele, e só contribuiu para nos dividir ainda mais", disse Jancu. "Além disso, essa Constituição não respeita Deus, somente as religiões indígenas."
Tancara, por sua vez, acredita que o referendo pode ser bom para o país. "Essa é uma eleição positiva. Ninguém me obrigou a nada e acho que essa Constituição vai melhorar o país. Antes, nunca ouviam nossa opinião. Agora, isso é democracia", afirmou ele.
Leia mais notícias sobre o referendo na Bolívia
- Denúncias de fraude em referendo são "agonia dos derrotados", diz Morales
- Referendo na Bolívia deixa espaço para desentendimentos com a oposição
- Nova Carta "criará tensões", admite vice-presidente da Bolívia
Outras notícias internacionais em Mundo
- Exército Brasileiro participará de libertação de reféns das Farc, diz Jobim
- Piloto do avião que pousou no rio Hudson recebe homenagem
- Israel garante proteção judicial a soldados por operação em Gaza
Especial
- Leia o que já foi publicado sobre a Bolívia
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria

