Ter mais de dois filhos prejudica o ambiente, diz assessor do governo britânico
da BBC Brasil
Um dos principais conselheiros do governo britânico para questões ambientais provocou polêmica no país ao defender que os britânicos tenham, no máximo, dois filhos para evitar danos ambientais.
Em entrevista publicada pelo jornal "Sunday Times" no domingo (1º), Jonathon Porritt, chefe da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável do governo, afirmou que casais com mais de dois filhos estão sendo "irresponsáveis", por criar uma carga que não poderá ser suportada pelo ambiente.
"Não me desculpo por pedir às pessoas que façam a conexão entre sua responsabilidade por seu impacto ambiental e como decidem procriar e quantas crianças elas acham apropriado ter", disse Porritt.
Segundo ele, o controle do crescimento populacional deve estar no centro das políticas para combater o aquecimento global, e líderes políticos e ambientais devem parar de evitar o assunto.
"Nós temos todas essas grandes questões [ambientais] para as quais todo mundo está olhando, mas você não ouve ninguém falando a palavra que começa com 'p'", disse Porritt, se referindo a "população".
"Maluquice absoluta"
O assessor do governo britânico, que tem dois filhos, disse que pretende convencer grupos de pressão ambientais para colocar a questão populacional no foco de suas campanha.
"Muitas organizações acreditam que não é parte de seu negócio. Minha missão com os Amigos da Terra e os Greenpeaces deste mundo é dizer: 'Vocês estão traindo os interesses de seus membros ao se recusarem a lidar com questões de população e estão fazendo isso pelas razões erradas, porque acreditam que o assunto é muito controverso'."
As declarações de Porritt provocaram reações críticas publicadas pela imprensa britânica nesta segunda-feira (2).
Segundo o "Daily Telegraph", a parlamentar conservadora Ann Widdecombe teria descrito o comentário como "maluquice absoluta", afirmando que o problema da Grã-Bretanha não é ter muitas crianças, mas, sim, muito poucas.
Um grupo de campanha antiaborto, a Pro Life Alliance, criticou a ideia, por dar ao governo o direito de decidir o número de filhos que cada um pode ter, afirmou o "Daily Mail".
"Em todos os lugares em que vimos essas políticas sendo impostas, como na China, vimos uma preferência por meninos e um aumento na taxa de infanticídios."
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