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Visão negativa do Brasil cresce em países ricos, diz pesquisa
da BBC Brasil
A visão negativa do Brasil entre americanos, britânicos, franceses e alemães está crescendo, segundo indica uma pesquisa encomendada pela BBC.
De acordo com o levantamento, divulgado nesta sexta-feira, 23% dos americanos veem o Brasil como uma influência negativa no mundo. No ano passado, esse percentual era de 19%.
O índice de americanos que veem o Brasil como influência positiva teve uma queda de 14 pontos no último ano, de 61% para 47%.
A percepção negativa do Brasil cresceu ainda de 23% para 33% na França, de 28% para 40% na Alemanha e de 31% para 35% no Reino Unido.
Apesar disso, na média entre os 21 países pesquisados, a visão negativa do Brasil caiu em relação à mesma pesquisa realizada no ano passado, e a visão geral sobre o Brasil continua positiva em 18 deles.
Influência positiva
Segundo o levantamento, 43% dos entrevistados nos 19 países pesquisados nos dois anos consideram o Brasil como uma influência positiva no mundo, enquanto somente 24% veem o país como uma influência negativa.
O México, que entrou na pesquisa pela primeira vez neste ano, é o país com o maior índice de visões positivas sobre o Brasil (78%), seguido pela China (65%) e pelo Chile (64%).
Os únicos dois países nos quais a visão negativa prevalece sobre a visão positiva são a Turquia, com 45% de visão negativa, e a Alemanha, com 40%. No Reino Unido, há um equilíbrio estatístico entre visões negativas (35%) e visões positivas (32%).
Apesar do crescimento da visão negativa sobre o Brasil no último ano, os públicos francês e americano mantêm no geral com uma visão positiva sobre o país --47% nos Estados Unidos e 42% na França.
Em três países a maioria não tem uma opinião formada sobre o Brasil --Japão, onde 62% se disseram neutros em relação ao país ou não souberam responder, Índia, onde esse índice chegou a 61%, e Rússia, com 58%.
Evidência
Para Sam Mountford, diretor da empresa de pesquisas GlobeScan, que realizou o levantamento, o aumento das visões negativas sobre o Brasil em alguns países europeus e nos Estados Unidos pode ser em parte explicada pelo fato de o país estar mais em evidência no cenário internacional, graças ao crescimento de sua importância econômica global.
"Quando os países crescem em evidência econômica e política, eles tendem a polarizar mais as opiniões", diz Mountford. "As pessoas ficam mais atentas a economias que têm impacto sobre elas."
Segundo ele, isso pode ser evidenciado também pelo fato de a percepção positiva em relação a outros países emergentes como China e Rússia ter sofrido uma acentuada queda em relação ao ano passado.
Uma análise qualitativa feita posteriormente com uma pequena amostra, para analisar as motivações por trás das respostas, trouxe ainda outras explicações como as preocupações com o meio ambiente e o desmatamento da Amazônia e com a corrupção.
"O aumento da percepção do Brasil como um gigante econômico emergente pode estar trazendo estas questões à tona na mente das pessoas", analisa Mountford.
Efeito Obama
Entre os demais países pesquisados, além do aumento da visão negativa sobre a China e a Rússia, a pesquisa indicou uma melhora na visão do público sobre os Estados Unidos, graças em parte à eleição do presidente Barack Obama, apesar de a visão geral sobre o país continuar negativa.
As visões positivas sobre os Estados Unidos aumentaram de 35% para 40%, enquanto as visões negativas caíram de 47% para 43%.
No caso da China, o índice de visões positivas caiu seis pontos, para 39%, enquanto 40% dos entrevistados disseram ter uma visão negativa do país.
Em relação à Rússia, o índice de visões negativas aumentou oito pontos desde o último ano, para chegar a 42%, com 30% de visões positivas sobre o país.
Irã, Paquistão e Israel são os países incluídos na pesquisa com os maiores índices de percepção negativa no mundo.
No caso do Irã, 55% dos pesquisados disseram, na média, ver o país como uma influência negativa no mundo. Para o Paquistão, o índice de percepções negativas foi de 53%.
A percepção de Israel era negativa para 51% dos pesquisados. Dentre os 21 países nos quais foi feito o levantamento, apenas nos Estados Unidos a maioria do público teve uma visão positiva de Israel, enquanto na Rússia as opiniões ficaram divididas.
A maior parte da pesquisa foi realizada antes do início das operações militares de Israel na Faixa de Gaza, no final de dezembro.
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