BBC Brasil
18/02/2009 - 12h28

Alemã foi condenada em novembro por simular ataque neonazista

da BBC Brasil

Em novembro passado, uma mulher foi julgada culpada pela Justiça da Alemanha, depois de simular um suposto ataque de neonazistas. O caso envolveu a estudante Rebecca K., em novembro de 2007. A moça, na época com 17 anos, afirmou que quatro neonazistas de cabeça raspada a atacaram e usaram um estilete para cortar uma suástica em sua cintura, quando ela tentava proteger uma criança de 5 anos, filha de imigrantes, que estaria sendo importunada pelos homens.

A história tem traços comuns com a versão da polícia suíça para o caso da brasileira Paula Oliveira, 26, que disse ter sido vítima de um ataque neonazista em Zurique, no dia 9 deste mês. A Procuradoria de Zurique decidiu abrir uma investigação penal contra Paula, por "suspeita" de que ela tenha inventado a história de que foi vítima de uma agressão racista. A polícia de Zurique questiona a versão da brasileira e sugere que ela tenha tenha praticado automutilação, marcando-se com os símbolos nazistas que atribui aos supostos agressores. O pai de Paula diz que a filha ficou indignada, com a versão da polícia.

A juíza que julgou o caso de Rebecca, em um tribunal da cidade de Hainichen, no leste da Alemanha, afirmou terem sido coletados indícios suficientes, incluindo exames de médicos legistas, provando que a garota desenhou ela mesma a suástica no corpo.

Além disso, a garota que K. afirmou tentar salvar do ataque dos homens não se encontrava na cidade no dia do ocorrido. A jovem foi condenada a prestar 40 horas de trabalho em instituições sociais.

Em outro incidente parecido ocorrido em dezembro de 2002, uma filha de um cubano de 14 anos disse à polícia de Guben, cidade nos arredores de Berlim, ter sido atacada por neonazistas, que teriam gravado uma suástica em seu rosto. Mais tarde, a garota reconheceu ter inventado a história.

Em 1994, uma estudante deficiente, usuária de cadeira de rodas e moradora de Halle, no leste da Alemanha, contou à polícia ter sido atacada por três neonazistas que gravaram uma suástica na bochecha.

A alegação se revelou, mais tarde, falsa. Após a primeira notícia do suposto ataque, mais de 10 mil pessoas foram às ruas da cidade protestar contra violência contra estrangeiros.

Em 2006, a poucas semanas da Copa do Mundo da Alemanha, um italiano Gianni C., de 30 anos, foi preso e julgado culpado por ter afirmado que foi atacado por skinheads em Berlim. Ele deu entrada no hospital com vários ferimentos, afirmando ter levado uma surra por neonazistas.

O caso rendeu manchetes na imprensa internacional e jornais italianos chegaram a noticiar o aumento de ataques a estrangeiros no país.

Pouco depois, a polícia achou um vídeo de uma estação do metrô berlinense, em que o italiano podia ser visto pulando os trilhos do metrô em aparente estado de embriaguez, levando vários tombos durante o trajeto. O rapaz recebeu ordem de prisão ainda na cama do hospital.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca