Fotógrafa documenta vida na fronteira entre México e EUA
CARLOS CERESOLE
da BBC
Nos últimos 17 anos, a fotógrafa mexicana radicada nos Estados Unidos Maria Teresa Fernández vem documentando a vida na fronteira entre o México e os Estados Unidos.
As fotos, em exposição na Escola de Comunicação Annenberg da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, mostram o reencontro de familiares dos dois lados da cerca, e como as comunidades locais lidam com a separação física. Ao todo, o México e os Estados Unidos dividem uma fronteira de 3.000 quilômetros. A barreira física cobre um terço desta extensão.
| María Teresa Fernández/BBC |
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A cerca, na verdade, é um conjunto de barreiras independentes localizadas em regiões estratégicas, onde o entorno urbano ou o fácil acesso tornam mais fáceis o cruzamento da fronteira. Em muitos lugares, ela não é muito mais do que uma cerca de arame farpado ou uma barreira feita de placas de metal.
Em outros, se trata de uma instalação tecnologicamente sofisticada, com uma série de muros paralelos, acessos para patrulhas motorizadas, torres com câmeras, refletores e sensores de movimento.
Evolução
"Minha obra é um organismo vivo que evolui como a cerca fronteiriça", afirma a fotógrafa. "A cerca muda o tempo todo. Cresce, se deteriora, é reconstruída, aumentada, retirada. Com minhas fotos, tento mostrar este organismo vivo e como ele afeta aqueles cuja realidade gira ao seu redor."
| María Teresa Fernández/BBC |
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Entre os temas e personagens da obra de Fernández, estão um grupo de imigrantes prestes a cruzar a fronteira, os murais e instalações que lembram os milhares de mortos na tentativa, famílias que compartilham o almoço de domingo dos dois lados da cerca, ou meninos que brincam de tocar o solo americano em frente à patrulha da fronteira.
A exposição "Cerca de la Cerca", ou "Perto da Cerca", em tradução literal, reúne 80 fotos tiradas desde 1991, quando a barreira começou a ser construída.
A fotógrafa se concentrou no extremo oeste da "cerca", onde ela encontra o Oceano Pacífico, separando a cidade mexicana de Tijuana do chamado "Parque de la Amistad", nos Estados Unidos. Durante anos, esta foi uma das únicas regiões da fronteira onde os membros de uma mesma família morando nos dois países podiam se reencontrar para passar tempo juntos.
"Tinha gente que viajava centenas de quilômetros para chegar a este lugar e poder abraçar um filho, um pai ou um marido", diz a fotógrafa, que capturou em imagens centenas desses momentos.
Fracasso
Desde 2001, quando começou a documentar o microcosmo em torno da cerca, a fotógrafa visita o local até duas ou três vezes por semana. Do lado de Tijuana, conta Fernández, "as pessoas aprenderam a viver com ela", a ponto de algumas casas serem construídas usando a cerca como uma das paredes.
"As crianças crescem ao seu lado. Chegam a vê-la como uma jaula que fecha um grande jardim proibido, um jardim cujo dono é um vizinho que não devolve a bola quando ela cai do seu lado. Um vizinho inalcançável que isola seus méritos, suas oportunidades e seu povo."
Em contraste, do lado americano, "é uma terra de ninguém, por razões de segurança está proibido o acesso por dezenas de metros ao longo da cerca". Dependendo de onde as fotos são exibidas, o trabalho de Fernández serve tanto para denunciar como para educar ou dissuadir potenciais imigrantes.
A exposição foi apresentada em muitas cidades do interior do México, onde muita gente pensa em cruzar a fronteira mas poucos conhecem os perigos que os aguardam.
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Como leitora da Folha há muitos anos, confesso que não esperava outra postura que não fosse a da lisura com a qual trataram o assunto no sentido de respeitar o que reza a Carta Magna que rege nosso país. Na luta por uma sociedade melhor e mais justa é nossa obrigação coibir toda e qualquer ideologia que transgrida os ditames da lei. Agora, cá entre nós, num momento de descontração, uma pessoa que se presta a afirmar que "nos EUA as mulheres são livres desde a formação do país", numa empresa de jornalismo da envergadura da Folha, quando se sabe que a formação do país se deu, em parte, com mão de obra escrava, e ainda por cima tem a ousadia de dizer a outrem "Antes de discorrer sobre o simples apoio ou não apoio em qualquer assunto, as pessoas devem entender com um mínimo de profundidade o assunto, antes meramente repetir mecanicamente o que outras pessoas falam", é no mínimo, digna de risos...
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