Para médico de Pontes, AEB dificultou vôo de astronauta
ERIC BRÜCHER CAMARAda BBC Brasil, em Baikonur, no Cazaquistão
O médico da Aeronáutica Luiz Cláudio Lutiis, que faz o acompanhamento da saúde do astronauta brasileiro, Marcos Pontes, afirmou nesta quarta-feira que a direção da AEB (Agência Espacial Brasileira) "não ajudou no que deveria e atrapalhou no que podia" na preparação do primeiro vôo para o espaço de um astronauta brasileiro.
"Se ele [Marcos Pontes] tivesse deixado as autoridades tomarem conta do programa e propiciarem a possibilidade do vôo, estaria esperando até hoje. Talvez nem treinamento tivesse feito. Infelizmente, isso é um fato", disse Lutiis à BBC Brasil.
"O astronauta está pronto para decolar, apesar da AEB. Os representantes da agência, de um modo geral, não estavam nem um pouco preocupadas com a possibilidade de ter um astronauta", disse Lutiis, eximindo os diretores da área científica de responsabilidade.
Outro lado
O gerente da "Missão Centenário" da AEB, Raimundo Mussi, afirmou ter estranhado as críticas do médico. "Só posso dizer que, desde que assumi, tenho recebido todo o apoio da direção da AEB e do Ministério da Ciência e Tecnologia. No passado, eu não estava presente."
Mussi também rebateu os comentários de que o empenho pessoal do astronauta garantiram a concretização dos planos de vôo. "Os recursos para o vôo [cerca de US$ 10 milhões pagos à agência espacial russa] não caíram do céu. Se não houvesse um empenho sério da direção da AEB, teria sido impossível conseguir recursos", disse o gerente da missão.
Leia mais
Especial

