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13/05/2006 - 10h28

Lula terá reunião com Morales em Viena

CAROLINA GLYCERIO
da BBC Brasil, em Viena

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que terá um encontro privado com o presidente boliviano, Evo Morales, neste sábado.

No café-da-manhã entre os dois presidentes, o principal assunto deverá ser o recrudescimento da crise entre os dois países, que começou com a nacionalização do gás na Bolívia, no início do mês, e piorou desde que os dois presidentes chegaram para uma reunião de cúpula em Viena, na Áustria, na quinta-feira.

Questionado sobre o que está acontecendo entre os dois países, Lula respondeu: “Vamos ver, só depois de eu conversar com ele é que vou saber”.

Neta semana, uma missão do governo brasileiro e da Petrobras foram à Bolívia para negociar saídas para a crise gerada após a nacionalização. Apesar do aparente avanço nessas negociações, uma série de declarações do presidente boliviano ampliaram a disputa entre os dois países. Os presidentes latino-americanos e líderes europeus estão reunidos em Viena para discutir as relações comerciais entre a região e a União Européia.

Acusações

Na quinta-feira, Morales disse que não há “por que pensar em indenização" da Petrobras. Disse que há empresas brasileiras – sem especificar quais - “atuando ilegalmente” na Bolívia e afirmou que petroleiras fazem contrabando com produtos do país.

Depois dessas declarações, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil estava “indignado” com a postura do presidente da Bolívia. Nesta sexta, Amorim afirmou que não descarta retirar o embaixador brasileiro da Bolívia como resposta.

Segundo fontes do governo boliviano, as declarações duras de Morales surpreenderam até a eles, que vinham considerando as negociações com a Petrobras bastante positivas.

Em meio à divisão causada pela crise, uma reunião que estava prevista antes da cúpula de Viena entre os presidentes do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e mandatários da União Europeia foi cancelada. O encontro agora será realizado apenas por ministros dos países.

Questionado sobre isso, Lula disse: “Já sai do Brasil sabendo que não tinha (a reunião) porque o Kirchner (Néstor Kirchner, presidente argentino) não podia e o Tabaré (Vázquez, presidente do Uruguai) não podia. Eu não vou fazer eu, o Celso (Amorim) e o Paraguai”.
 

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