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28/05/2006 - 13h44

Uribe deve aumentar Exército se for reeleito

MARCIA CARMO
da BBC Brasil, em Bogotá

O ministro da Defesa da Colômbia, Camilo Ospina Bernal, de 44 anos, disse que o governo vai aumentar o número de tropas do Exército e da Polícia para ampliar o combate às drogas no país.

Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, em Bogotá, o ministro informou que se o presidente Alvaro Uribe for reeleito neste domingo, ele deve aumentar para 310 mil o atual contingente do Exército de 280 mil homens e mulheres.

A polícia, por sua vez, passaria de 130 mil para 150 mil efetivos.

De acordo com dados oficiais, Uribe aumentou em 25% o total de policiais e militares nos quatro anos de seu mandato.

“Hoje, os terroristas estão metidos na selva. Sabemos que existe a possibilidade de que eles voltem a atacar nas áreas urbanas, mas também acreditamos na nossa capacidade de controlá-los”, disse Bernal.

Mas admitiu: “Os riscos ainda são muito grandes porque existe muito dinheiro em jogo, gerado pelo narcotráfico”.

Por isso, diz ele, é necessário reforçar as tropas e os programas sociais do governo - que incluem desde distribuição de salário mínimo para as famílias que garantirem a presença dos filhos na escola nas áreas mais vulneráveis ao tráfico de drogas, até a profissionalização de adolescentes nestas regiões.

Tentação

Ao todo, disse Bernal, o governo possui 14 projetos sociais para regiões onde é maior a tentação do dinheiro da droga e há falta de oportunidades "dignas".

Segundo o ministro, todo o território nacional está sob controle do Exército.

“Podem existir lugares com maior ou menor presença dos guerrilheiros. Mas não existe um lugar onde as forças militares não possam entrar”, afirmou.

Segundo ele, a maior presença militar, inclusive na selva, está levando guerrilheiros a mudarem-se com mais freqüência, tentando escapar da ação da segurança pública.

Com o aumento das tropas, a idéia seria, no caso dos policiais, reforçar, 400 pontos “nevrálgicos” da Colômbia onde, segundo ele, o crime ameaça.

Professor de direito econômico e constitucional, Ospina Bernal disse que o objetivo principal do governo é “derrotar o narcotráfico e, através dele, o terrorismo, seu companheiro”.

O ministro enfatizou que o aumento das tropas será um processo “paulatino” e deverá ser implementado ao longo dos quatro anos do provável novo mandato do presidente Uribe.

Advogado

Há apenas dez meses no cargo, ele era um advogado de prestígio quando foi convidado pelo presidente para integrar sua equipe.

O ministro afirmou que, se reeleito, o governo também pretende manter o Plano Colômbia – acordo de erradicação da coca, com financiamento do governo americano.

“Seria muito complicado para a Colômbia se não fosse a ajuda dos Estados Unidos”, admitiu.

Segundo ele, com o Plano Colômbia já foi possível evitar a expansão do cultivo da coca.

Ele explicou que a “política de defesa e segurança democrática” – “menina dos olhos” de Uribe e uma de suas principais bandeiras – envolve desde maior presença militar, at´o fortalecimento da justiça e das medidas sociais.

Segundo ele, o mapa das investigações mostra que os “terroristas” estão concentrados nas regiões onde há cultivo da folha de coca.

Alternativas

Ao responder se é possível convencer os colombianos a optar por outras plantações, menos rentáveis, ele afirmou: “A maioria das pessoas prefere viver dentro da lei. E isso é possível se eles tiverem oportunidades, como as que o governo já vem oferecendo”.

Entre elas, estão a distribuição de créditos para os que quiserem abrir seu próprio negócio, longe da coca, e opções, dependendo de cada região, da antiga idéia de alternativas de cultivos, como café e milho, por exemplo.

O ministro disse ainda que o governo continua buscando os seqüestrados pelos grupos guerrilheiros, entre eles a então candidata presidencial, das eleições de 2002, Ingrid Betencourt.

No documento “Política de Defesa e Segurança Democrática” informa-se que houve uma redução de 76% no total de seqüestros, durante o mandato de Uribe.

De 1.676 caiu para 376 no ano passado e este ano (entre janeiro e abril) está em 81.

Já os homicídios políticos, de acordo com o mesmo documento, reduziram 86%, passando de 99 homicídios de sindicalistas para 14 no ano passado.

Os homicídios de prefeitos e ex-prefeitos passaram de 80, em 2002, para 26 em 2005. Mas como ele mesmo admitiu essa guerra ainda não terminou.
 

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