BBC Brasil
01/04/2009 - 08h39

Premiê britânico cita críticas de Lula em entrevista com Obama

da BBC Brasil

O premiê britânico, Gordon Brown, citou uma crítica do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira durante entrevista coletiva ao lado do presidente americano, Barack Obama.

Os dois líderes encontraram-se separadamente um dia antes da cúpula do G20 (grupo que reúne representantes de países ricos e dos principais emergentes), em Londres, que discutirá soluções para a crise financeira global.

Obama falava aos jornalistas sobre a necessidade de se buscar soluções em vez de apontar culpados pela crise. Ao falar sobre o tema, Brown citou uma crítica que ouviu do presidente brasileiro.

"Eu estive na semana passada no Brasil e eu acho que o presidente Lula vai me perdoar por citá-lo. Ele me disse: 'Quando eu era sindicalista, eu culpava o governo. Quando eu era da oposição, eu culpava o governo. Quando eu virei governo, eu culpei a Europa e os Estados Unidos'", disse Brown, arrancando sorrisos de Obama.

"Ele [Lula] reconhece, como nós reconhecemos, que este é um problema global. É um problema global que exige uma solução global."

"O que aconteceu essencialmente é que a mobilidade do capital financeiro internacional superou os mecanismos nacionais de regulação. E se nós não aceitarmos isso como o problema, nós não vamos ajudar a resolver a crise esta semana", disse o premiê britânico.

Divisão no G20

Obama minimizou as críticas de que o G20 estaria dividido. De um lado, estariam Estados Unidos e Reino Unido, exigindo mais pacotes de incentivo ao crescimento. Do outro, estaria um bloco liderado por França e Alemanha, que rejeita esse tipo de medida e cobra mais regulação do sistema financeiro.

"A verdade é que isso é só uma discussão marginal. A ideia principal de que o governo precisa tomar medidas para lidar com um mercado global em retração e que nós deveríamos promover o crescimento, isto não está sendo discutido", disse Obama.

"Sobre regulação, essa ideia de que de há pessoas exigindo mais regulação e outros que estão resistindo à regulação, [isso] é negado pelos fatos. [O secretário do Tesouro americano] Tim Geithner, que está sentado aqui hoje, foi ao Congresso e propôs um grupo de medidas de regulação como qualquer uma que surgiu entre os países do G20. Isso foi antes de nós virmos."

Brown também minimizou as ameaças feitas pelo presidente francês Nicolas Sarkozy de que poderia abandonar o encontro do G20, caso as exigências francesas por mais regulação do sistema financeiro não fossem ouvidas.

'Eu tenho certeza que o presidente Sarkozy estará no jantar amanhã [2] à noite, ao fim da reunião", disse Brown.

Obama também criticou o protecionismo e disse que os mercados emergentes precisam de maior apoio internacional para crescer.

"Nós temos que rejeitar o protecionismo e acelerar nossos esforços para apoiar os mercados emergentes, e nós temos que montar uma estrutura que possa sustentar nossa cooperação nos próximos meses e anos."

Os líderes dos países do G20 estão chegando a Londres. Na noite desta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à capital britânica, após uma visita à Paris.

Comentários dos leitores
Cara Profa. Marilia Cunha,
Muito pertinentes e oportunos seus comentários. Gostaria de reforçá-los lembrando a alguns dos Internautas que insistem em emitir comentários falaciosos e mesmo grosseiros contra o Presidente Lula, que no campo educacional Ele foi o primeiro Governante (após a redemocratização do País) que deu a atenção para o Ensino Técnico direcionando recursos para a ampliação da rede de Cefets e Etecs. Adicionalmente, que eu saiba no atual governo promove-se um dos maiores programas (se não for o maior) mundiais de conexão digital de escolas públicas (em banda larga) à Internet e implantação de laboratórios de TIC.
Enfim, tantos exemplos e nos variados campos (a mencionada educação, ciência e tecnologia, inclusão digital, valorização do servidor público, defesa, política internacional => alguém lembra do que representaria a adesão aos preceitos preconizados pela ALCA: vide Argentina de Menem) que causa-me espanto a leitura de alguns comentários.
sem opinião
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Richard Adams (16) 12/11/2009 12h08
Richard Adams (16) 12/11/2009 12h08
Srs., este forum, ou mesmo qualquer outro, serve para se expresar opiniões e não para se tentar exorcisar os outros, numa discussão para se ver quem tem razão.
O fato é que FHC deu contribuições enormes para o Brasil e deixou muita coisa nos trilhos para que o LULA viesse e colocasse a cereja no bolo. Muitas das realizações do LULA se deram porque o mundo todo vinha numa tocada forte. Nosso sistma bancário não foi criado nem fortalecido pelo LULA, e só por isso não embarcamos na onda mundial com força.
O Brasil, precisa sim, adotar uma postura mais humilde. Estamos vivendo uma sem justificativa em alguns setores que não tem razão. O lucro das nossa empresas não está refletindo a alta na bolsa na mesma proporção. O Brasil está bem, mas precisa de cautela. Muita cautela.
A coisa mais sensata que lí até agora aqui, foi chamar atenção para nossa dívida interna. Este governo está gastando horrores!!!! Olhar as reservas cambiais e se gabar disso é sim um erro grotesco e não precisa ser nenhum catedrático matemático. Minhas filhas em fase de alfabetização fariam esta conta.
Vamos deixar essa disputa de que LULA é melhor que FHC, ou que PT é melhor do que outros...ninguém é melhor do que ninguém...todo mundo erra e todo mundo acerta....nunca na história deste País houve um Presidente perfeito e nem vai existir. São todos parte de um sistema político falido, cheio de conchavos, negociatas e cocitas que estamos cansados de ver todos os dias nos noticiarios.
2 opiniões
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Zeno E. S. Munhoz (1) 12/11/2009 11h19
Zeno E. S. Munhoz (1) 12/11/2009 11h19
O câmbio brasileiro fugiu do parâmetro neutro segundo o ministro e já causa problemas na economia, diminuindo radicalmente o setor de exportações e aumentando na mesma proporção as importações. No curto prazo se continuar a política de câmbio flutuante já serão afetadas todas as contas nacionais. O câmbio deve ser pelo equilíbrio da economia e não como uma biruta a sabor dos fluxos de capitais do mercado internacional e nacional. Defasagem de 50 % significa que o desequilíbrio afeta ou expõe negativamente metade da economia nacional.
O governo deve equilibrar a economia levando em consideração os players maiores da economia mundial ou seja China e EUA e formular a sua estratégia. Uma desvalorização da moeda aos níveis adequados com cambio fixo temporarimente é a proposta. Quem teme câmbio fixo? O mal já está instalado.
sem opinião
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