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Legionário brasileiro acusado de chacina no Chade será extraditado
DANIELA FERNANDES
da BBC
O brasileiro Josafá de Moura Pereira, o soldado da Legião Estrangeira acusado de matar quatro pessoas durante missão no Chade, poderá ser entregue à força europeia que atua naquele país no início da próxima semana para ser transferido à França. A informação foi passada à BBC Brasil pelo comandante Hamid Wardogou Dry, o chefe da delegacia da polícia militar de Abéché (Chade), onde Pereira está preso.
O Exército francês estima que, após ser entregue à Eufor no Chade, a transferência do brasileiro para a França deverá ocorrer rapidamente.
Segundo o comandante, as autoridades do Chade "aguardam que a França assuma o compromisso de indenizar a família do camponês chadiano" morto na fuga do legionário brasileiro. "Nós vamos entregá-lo à Eufor sem problemas. Só aguardamos que a França assuma a indenização da família do camponês", afirmou Wardogou Dry.
De acordo com ele, "um comitê de parentes do camponês chadiano está reunido para determinar o valor da indenização que a França deverá pagar à família" como compensação pela morte. "Aguardamos que a família decida o valor da indenização. Ela vai tentar encontrar uma solução ao problema. Nenhum montante foi fixado ainda", disse o comandante.
Acordo internacional
O brasileiro poderá não ser julgado pela Justiça do Chade pelos crimes ocorridos no país graças a um acordo entre a União Europeia e aquele país sobre o estatuto das tropas que atuam lá. O acordo prevê que são os tribunais do país da nacionalidade do soldado que têm prioridade para julgar as ações. O Exército francês afirma que o brasileiro estava servindo sob a bandeira da França e que, por essa razão, é considerado francês.
Além do camponês chadiano, Pereira é acusado de ter matado, nesta terça-feira (7), dois legionários, de origem romena e da Guiné, e um soldado togolês, que atuava na missão da ONU no Chade. O comandante Wardogou Dry afirmou que o legionário brasileiro continua sendo interrogado na delegacia em Abéché.
"Loucura"
O militar chadiano não quis se pronunciar sobre os comentários do brasileiro feitos no interrogatório em relação às mortes dos três soldados, mas afirmou que Pereira teria matado o camponês chadiano porque "ele recusou a vender seu cavalo e seu turbante e ainda tentou barrar o seu caminho".
O Exército francês avalia que os assassinatos são devidos "a um acesso de loucura" do soldado.
Na única entrevista concedida até o momento, ao jornalista Gamarga Bakoumi, do jornal chadiano "Le Progrès", o soldado brasileiro teria dito que estava "cansado da provocação constante dos dois legionários que ele matou". Segundo o jornal, Pereira afirmou "nunca ter visto antes o soldado togolês" da missão da ONU, a Minurcat, que também foi assassinado.
O jornal conta ainda que o brasileiro, após os crimes, escondeu seu fuzil e decidiu voltar a Abéché "disfarçado" com roupas de civil.
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