Botsuana quer circuncidar quase 500 mil para combater Aids
Rafel Pirrho
da BBC Brasil, em Johannesburgo (África do Sul)
O governo de Botsuana, no sul da África, anunciou que pretende realizar cirurgias de circuncisão em 460 mil homens nos próximos cinco anos para tentar diminuir os casos de Aids no país.
O Ministério da Saúde se baseou em estudos realizados em vários países africanos, como África do Sul, Quênia e Uganda, que apontaram que os riscos de contaminação são até 50% menores em homens que já passaram pela intervenção.
Campanhas no rádio e na televisão tentam encorajar os homens a visitarem hospitais para realizar a circuncisão. Em 2007, a OMS (Organização Mundial de Saúde) já havia recomendado o procedimento no combate à Aids.
Segundo a OMS, isso poderia evitar 3 milhões de mortes nos próximos 20 anos na África Subsaariana, onde vivem 25 milhões infectados, quase dois terços do total do planeta.
Eficácia
Mas a OMS ressalta que, embora a cirurgia seja eficaz para reduzir os riscos de contrair AIDS, ela não impede a contaminação.
Janet Mwambona, que comanda o projeto do Ministério da Saúde de Botsuana, reconhece que a medida, por si só, não é suficiente para frear a epidemia de Aids no país.
"Apesar de termos tido várias ações para combater o vírus HIV, continuamos com altas taxas de contaminação, o que significa que a mudança de comportamento das pessoas é o ponto central para resolver a questão", disse Mwambona.
Botsuana foi o primeiro país da África a disponibilizar medicamentos retrovirais no sistema público de saúde, mas mesmo assim não teve uma redução significativa nos casos de Aids. O país está entre os melhores do continente em quesitos como renda per capita e alfabetização, mas ainda sofre com uma grave epidemia do vírus HIV.
São 300 mil infectados, cerca de 15% da população. Entre os adultos, a taxa sobe para 24%, a segunda maior em todo o mundo, atrás apenas da Suazilândia, de acordo com dados das Nações Unidas.
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