BBC Brasil
18/05/2009 - 18h54

Obama pede que Israel interrompa construção de assentamentos

BRUNO GARCEZ
da BBC

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que Israel tem de interromper a construção de assentamentos judaicos em territórios palestinos e reafirmou o compromisso americano com a criação de um Estado palestino.

Os comentários de Obama foram feitos ao lado do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, com quem manteve, nesta segunda-feira, um encontro que se prolongou por uma hora além das duas inicialmente previstas. ''Acredito ser do interesse não apenas de palestinos, mas também de israelenses, que os EUA e a comunidade internacional alcancem uma solução com dois Estados'', afirmou o líder americano.

Larry Downing/Reuters
Presidente Barack Obama (dir.) se reúne com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu
Presidente Barack Obama (dir.) se reúne com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu

O congelamento da construção de assentamentos e o estabelecimento de um Estado palestino ao lado de Israel foram compromissos firmados por governos israelenses no passado, mas que vêm encontrando resistência junto à administração de Netanyahu.

Durante o plano de paz estabelecido em 2003, palestinos, israelenses e americanos alcançaram um compromisso de interromper a edificação de novos assentamentos na Cisjordânia.

Mas Netanyahu resiste às pressões de americanos, representantes da União Europeia (UE) e países árabes que veem a expansão dos assentamentos como um obstáculo para um acordo de paz. Em 2008, o então presidente dos EUA, George W. Bush, o ex-premiê israelense Ehud Olmert e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, firmaram o objetivo de estabelecer a criação de um Estado palestino lado a lado com Israel.

Mas a coalizão comandada por Netanyahu conta com partidos de direita que se opõem à criação de um Estado palestino. E o próprio líder israelense não falou publicamente até o momento sobre um possível Estado palestino --nem mesmo no encontro desta segunda.

Oportunidade

'Nós vimos o progresso estancar, mas eu sugeri ao primeiro-ministro que ele tem uma oportunidade histórica para obter um avanço importante durante a sua gestão'', disse Obama. Netanyahu disse estar pronto a retomar negociações de paz com os palestinos imediatamente e que aceita que Israel e palestinos vivam lado a lado, mas acrescentou que qualquer acordo dependerá da aceitação do reconhecimento de que Israel possa existir.

O premiê de Israel procurou também mostrar que existe consenso entre israelenses e países árabes em relação a temores provocados pelas supostas aspirações do Irã em adquirir armas nucleares.

O líder americano afirmou que, a despeito da intenção dos EUA de alcançar uma saída diplomática para que o Irã abdique de suas possíveis ambições nucleares, o prazo para essa solução negociada ser alcançada não será indefinido. ''Não iremos falar para sempre. Minha expectativa é de que, se começarmos as discussões logo, pouco após as eleições iranianas, nós deveremos ter uma ideia razoavelmente clara até do final do ano se estamos indo na direção certa'', afirmou Obama.

No encontro, Obama e Netanyahu procuraram demonstrar um tom amistoso, em sua primeira reunião realizada desde que ambos chegaram ao poder. O americano destacou a ''juventude e sabedoria'' do colega, ao que Netanyahu retrucou: ''Eu refutaria juventude, mas muito bem''. Mas as divergências entre os dois líderes em diferentes temas permaneceram claras durante os comentários feitos à imprensa após a reunião.

Comentários dos leitores
O Pacificador (199) 25/11/2009 17h16
O Pacificador (199) 25/11/2009 17h16
A CARTA DE OBAMA
ao lula...
Alguém acredita de verdade, que "a carta" do Obama, foi algum tipo de "sinal de amizade"?
Que o presidente americano, de alguma forma queria justificar algo ao "amigo"?
Acham?
Deve ser a turma que acredita em Papai-Noel...
Obama na verdade mandou um singelo aviso:
Não estamos gostando do que vocês estão fazendo!!!
Principalmente no caso do apoio ao ditador nuclear iraniano, nem na forçada de barra que foi dada ao esconder o Zelaia n embaixada brasileira em Honduras, quase provocando uma guerra civil.
Parabéns lula e bando de incompetentes!!!
Finalmente mostraram ao mundo quem são de verdade.
E agora receberam o 1º aviso, do tipo:
Estamos de olho em vocês...
sem opinião
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O apoio de Obama para a iniciativa brasileira de dialogar com o Irã é um tapa na cara da imprensa conservadora q tanto criticou a visita. sem opinião
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Hernani Rodrigues (30) 25/11/2009 12h33
Hernani Rodrigues (30) 25/11/2009 12h33
Acho que críticar quem quer que seja pelo que os outros dizem é no mínimo insensato. Sabemos que EUA e Israel tem interesses comum e não reconhecem, muitas vezes, seus próprios erros. Foi uma ótima iniciativa do governo brasileiro conversar com todos os lados e tirar uma decisão soberana, independentemente do que os EUA achem. Mais um ponto na brilhante política internacional do governo brasileiro. 8 opiniões
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