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28/05/2009 - 08h02

Lula recebe presidente do Uzbequistão, acusado de desrespeito aos direitos humanos

FABRÍCIA PEIXOTO
da BBC Brasil em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, nesta quinta-feira, em Brasília, o presidente do Uzbequistão, Islam Abdiganivevich Karimov, cujo governo tem sido frequentemente acusado de práticas antidemocráticas e desrespeito aos direitos humanos.

Organismos internacionais, incluindo o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, chamam atenção para problemas como tortura, trabalho infantil e perseguição a jornalistas e à maioria muçulmana do país da Ásia Central.

Um dos episódios mais marcantes da história recente do país aconteceu em 2005, quando tropas do governo de Karimov abriram fogo contra manifestantes na cidade de Andijan.

Segundo as autoridades, cerca de 190 pessoas morreram, mas, como o governo ainda não permitiu uma investigação independente, não é possível chegar a um número exato.

À época, o governo alegou que fundamentalistas islâmicos estariam interessados em destituir a ordem constitucional e estabelecer um califado na Ásia Central.

Em 2007, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas divulgou um relatório com alegações de uso "rotineiro" de tortura no país. O governo uzbeque negou as acusações.

Organizações de defesa dos direitos humanos, entre eles a Human Rights Watch a e Anistia Internacional, acusam o governo de Karimov de perseguição.

No ano passado, dois ativistas foram sentenciados a 10 anos de prisão por tráfico de drogas. Segundo a Human Rights Watch, outros 11 ativistas estariam ainda presos.

"É um dos governos mais repressivos do mundo e pouco tem sido feito para mudar essa situação", diz Veronika Szente, analista da Human Rights Watch para Ásia Central e Europa.

Observadores criticam ainda o fato de Karimov estar em seu terceiro mandato, quando a Constituição permite apenas dois termos consecutivos. O presidente está há quase 20 anos no poder.

Independente desde 1991, o governo do Uzbequistão exerce forte controle sobre as instituições do país. O Judiciário e os órgãos de imprensa, por exemplo, não atuam de forma independente.

Engajamento

Questionado pela BBC Brasil, o Itamaraty informou que não comentaria as acusações contra o governo uzbeque.

A aproximação com países com os quais o Brasil tem relações mais distantes, independentemente de acusações ou críticas internacionais, têm sido uma das marcas da política externa brasileira durante o governo Lula.

O país intensificou suas relações com o Irã e deve inaugurar, em breve, sua embaixada na Coreia Norte.

De acordo com o Itamaraty, o objetivo da visita de Karimov é "estimular o comércio e promover um maior engajamento entre os dois países".

Os assuntos relativos aos direitos humanos não fazem parte da agenda oficial, "mas deverão ser abordados em algum momento", segundo um diplomata que participa dos preparativos para a visita.

Segundo ele, durante o encontro, o presidente uzbeque deverá confirmar seu apoio à pretensão brasileira por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A analista da Human Rights Watch diz que o Brasil "perderá uma grande oportunidade" caso não consiga avançar em questões de direitos humanos durante a visita.

"Os países têm papel fundamental no sentido de forçar mudanças no Uzbequistão", diz Veronika Szente.

"Somos totalmente favoráveis a um maior engajamento com o governo uzbeque. Mas isso não pode significar vista grossa aos graves problemas naquele país", diz a analista da Human Rights Watch.

Aliados

No ano passado, tanto os Estados Unidos como a União Europeia reduziram suas sanções econômicas contra o Uzbequistão. O objetivo seria estimular mudanças no país.

Em geral, americanos e uzbeques têm sido aliados, mas a relação entre os dois países vem passando por altos e baixos nos últimos anos.

O governo uzbeque contribuiu para a força militar dos Estados Unidos em suas campanhas no Afeganistão e no Iraque. Mas também acusou os americanos de incitarem os manifestantes no episódio de Andijan.

Um dos objetivos de Washington é construir uma base militar no Uzbequistão, país que faz fronteira com o Afeganistão. O governo de Karimov, porém, ainda não deu o sinal verde.

Ao mesmo tempo, Karimov mantém boas relações diplomáticas com a Rússia.
Segundo especialistas, o objetivo do governo uzbeque é explorar sua importância estratégica na região --seja com russos ou com americanos.

 

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