BBC Brasil
02/06/2009 - 18h55

Não existe hipótese de terceiro mandato, diz Lula

da BBC Brasil, na Cidade da Guatemala

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que "não existe hipótese de terceiro mandato" e que não pretende buscar mais um termo presidencial. Os comentários foram feitos após um evento na sede da prefeitura da capital guatemalteca, Cidade da Guatemala, onde Lula recebeu a chave da cidade.

No entanto, o presidente disse que fica "muito feliz quando as pesquisas começam a demonstrar que uma grande parcela começa a querer [o terceiro mandato]".

Arte/Folha

Mas mesmo diante dos resultados da pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira, que mostrou que 47% dos brasileiros são a favor de um terceiro mandato, contra um total de 49% que são contra o projeto, Lula frisou que esta não é, para ele, uma possibilidade.

"Eu não brinco com a democracia. Foi muito difícil a gente conquistá-la, e o que vale pra mim, vale para os outros. Alguém que quer o terceiro mandato, pode querer o quarto, pode querer o quinto, o sexto", afirmou. Segundo o presidente, a "alternância de poder é fundamental para a democracia".

Lula salientou, no entanto, o que julgou ser uma hipocrisia por parte daqueles que criticam os líderes latino-americanos que buscaram um terceiro mandato, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ou os que pretenderiam fazê-lo, como o colombiano Álvaro Uribe.

Processo democrático

Segundo o presidente, a busca destes líderes por um novo termo presidencial é aceitável, uma vez que ocorre dentro do processo democrático.

"É muito engraçado que as críticas que fazem aos presidentes da América Latina não são feitas aos primeiro-ministros da Europa, que ficam 16 anos ou 18 anos no poder. Lá, a pessoa é indicada por um colégio e é democrático. Aqui, a pessoa é eleita pelo povo, e não é democrático. É preciso que a gente tenha um pouco de auto-estima para valorizar a democracia", afirmou.

"O Chávez quer o terceiro mandato, ele vai se submeter a eleições. Uma hora, o povo pode querer; outra hora, pode não querer. Tem que passar por um referendo, o povo pode querê-lo ou não", disse Lula.

Ao citar o colombiano Uribe, Lula lembrou o que havia afirmado em uma entrevista concedida ao lado do colega colombiano.

"Vocês me perguntaram, na frente do Uribe, o que ele iria fazer com o terceiro mandato. Eu não posso falar pela Colômbia. Agora, sobre o Brasil, eu posso comentar. Eu acho que o Brasil não deve ter o terceiro mandato. É isso."

Comentários dos leitores
Louis Fod (324) 21/11/2009 22h41
Louis Fod (324) 21/11/2009 22h41
LULA "diz" ou LULA disse , isso pouco importa quero saber o que ele FAZ ou fez. Isso aqui já foi mais animado. Resta a releitura dos episódios, Cano da Bolivia. Cano do Ecuador. Arapuca Hondurenha de Chaves... e na sequencia BNDES empresta 332 milhões para a Bolívia construir sua transcocalera.
-o-
Legal que o ministro "Lobão" não sabe o que seja tensão, corrente ou potência elétrica. Coisinha pouca, deixamos passar! Como disse um pelego do forum "um primario mal feito é irreparável".
sem opinião
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Eliezer pedroso (52) 21/11/2009 21h56
Eliezer pedroso (52) 21/11/2009 21h56
Caro Benedito, se o melhor presidente que esse país viu quisesse um terceiro mandato ele teria no primeiro turno no mínimo 65% dos votos. É uma pena que, diferente do ex-presidente, ele tem princípios e não mudará o jogo no decorrer do campeonato. Será que ele é o mentiroso? Ignorante na sua classe é regra. sem opinião
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João Ramos (1) 21/11/2009 13h34
João Ramos (1) 21/11/2009 13h34
Sou português a viver no Brasil há 7 anos e parece-me que o país ganhou uma consistência económica importante que poderá alavancar um trabalho decisivo na educação, na qualificação do trabalho, nas infraestruturas sociais, na segurança, a partir do qual alguns problemas assinalados como mais graves poderão começar a ser atenuados e porque não resolvidos.
Para mim um dos méritos do Presidente é deixar o País preparado para se requalificar. O próximo Presidente não terá, por exemplo, um serviço de dívida externa a desviar recursos, terá um país com maior independência tecnológica e industrial, de certo modo, se não estou enganado, terá uma situação macroeconómica estável e portanto maior disponibilidade para um trabalho focado no quotidiano social,económico e cultural do povo brasileiro.
Quanto às sua declarações no Rio Grande do Norte, julgo que são as de um homem de Estado, responsável e confiante no Brasil.
De minha parte: Força Brasil!
3 opiniões
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