BBC Brasil
15/06/2009 - 12h47

Exigências de premiê de Israel não abrirão diálogo, dizem analistas

GUILA FLINT
da BBC

Analistas de orientações políticas diferentes, ouvidos pela BBC Brasil, se disseram céticos quanto às chances de as propostas do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, levarem os palestinos e os israelenses de volta à mesa de negociações.

Em discurso neste domingo, Netanyahu admitiu pela primeira vez a existência de "um Estado palestino". No entanto, deixou claro que se referia à criação de um "Estado desmilitarizado", e impôs uma série de condições consideradas inaceitáveis para os palestinos.

Para o cientista político Jonathan Rynhold, "o discurso foi muito inteligente, pois Netanyahu conseguiu criar a impressão de que estava fazendo uma grande concessão". "Mas, de fato, baseou-se no consenso existente na sociedade israelense para destacar as necessidades de segurança e de manter o caráter judaico do Estado de Israel", disse o especialista à BBC Brasil.

O premiê disse que um Estado palestino não deve ter Exército, controle do espaço aéreo ou das fronteiras e não pode fazer alianças militares com outros Estados. Netanyahu também disse em seu discurso que "Jerusalém continuará unificada" e que "o problema dos refugiados terá que ser resolvido fora das fronteiras de Israel".

Rynhold, pesquisadores do Centro de Estudos Estratégicos Begin-Sadat, na Universidade Bar Ilan, local que Netanyahu escolheu para fazer o discurso, disse que "é claro que os palestinos não dirão 'sim' às exigências de Netanyahu, mas ele conseguiu criar a impressão de que está disposto a chegar a um acordo".

Para o jornalista pacifista Uri Avnery, o discurso de Netanyahu foi um "exemplo de esperteza política". "Netanyahu afirmou que está disposto a começar negociações sem pré-condições mas impôs pelo menos oito pré-condições, que ele sabe que para os palestinos são inaceitáveis", disse Avnery à BBC Brasil.

Negociações

As negociações entre as partes estão congeladas há quatro meses, desde as últimas eleições parlamentares em Israel, que levaram à formação de uma coalizão de governo de direita, liderada por Netanyahu. Logo depois do discurso, porta-vozes palestinos rejeitaram as propostas de Netanyahu em termos duros.

Saeb Erekat, chefe da equipe de negociação palestina, afirmou que Netanyahu, "esvaziou o Estado palestino de qualquer conteúdo". Segundo Erekat, "Netanyahu vai ter que esperar mais mil anos até que algum palestino aceite suas condições". Yasser Abed Rabu, um dos líderes mais próximos do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, chegou a chamar o premiê israelense de "salafrário e mentiroso".

Resposta a Obama

O discurso de Netanyahu, realizado na Universidade de Bar Ilan, é considerado a resposta do governo israelense ao discurso do presidente americano Barack Obama, do último dia 4, na Universidade do Cairo. "O premiê tentou dar a impressão de que aceitava as condições de Obama mas, na verdade, rejeitou todas elas", afirmou o jornalista Uri Avnery.

"Se os palestinos não terão controle sobre suas próprias fronteiras e Israel continuará construindo em suas terras, que espécie de Estado será esse?", perguntou Avnery. "As palavras de Netanyahu sobre um Estado palestino e sobre a retomada das negociações são palavras vazias", acrescentou.

Segundo Akiva Eldar, analista político do jornal israelense "Haaretz", "as palavras de Netanyahu não têm nenhum valor concreto". "Parece que Netanyahu conseguiu enganar o público israelense, que ficou com a impressão de que ele teria feito uma concessão", disse Eldar à BBC Brasil. "Porém seu discurso foi propagandista, cuja única meta foi tentar se esquivar da pressão americana", afirmou o analista.

"Mas nenhuma mágica conseguirá conectar entre as propostas de Netanyahu e as aspirações mínimas dos palestinos", concluiu Eldar.

Comentários dos leitores
FABIANO TONACO BORGES (1) 08/11/2009 12h10
FABIANO TONACO BORGES (1) 08/11/2009 12h10
Presidente Obama nos dá uma lição de como um Estadista deve tratar o desenvolvimento de uma nação: com justiça social. Sem acesso à saúde garantido pelo Estado não se pode marchar rumo à consolidação de uma nação de forma sustentável. Com esta atitude o Predidente Obama abre mão de uma boa parte de sua popularidade, considerando que ele intefere num mercado (o da prestação de serviços de saúde) extremamente fisiológico, influente economicamente e com grande poder político. Os resultados virão, não tão rápido, mas as gerações porvindouras terão o que comemorar... sem opinião
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J. R. (1133) 08/11/2009 09h19
J. R. (1133) 08/11/2009 09h19
As mortes causadas pelas campanhas dos USA pelo mundo dá para encher milhares de torres gêmeas e wordtradecenters. Na guerra nuclear não haverá vencedores, nem mesmo o poderoso USA sobrará, é a eutanásia da humanidade doente! sem opinião
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Liliane Garcia (3) 06/11/2009 00h23
Liliane Garcia (3) 06/11/2009 00h23
A questão não é o fato do Obama defender o seu país e sim, dar continuidade a uma política de intervenção no país alheio, o que não é nada democrático, logo eles que "prezam" tanto pela democracia. Por qual motivo? Eu também lamento o atentado ocorrido no 11 de setembro, porém, acredito que isso não justifica a invasão estadunidense. Assim como no World Trade Center, no Afeganistão havia e ainda há muitos civis inocentes, sendo eles também vítimas das atrocidades cometidas por ambas as partes. O atentado terrorista provavelmente ainda servirá por muito tempo para justificar uma invasão que não tem justificativa para aqueles que se tornaram vítimas do horror da guerra. 5 opiniões
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