BBC Brasil
17/06/2009 - 07h42

Obama diz ver poucas diferenças entre Ahmadinejad e opositor

da BBC

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou, nesta terça feira, não enxergar muitas diferenças entre as políticas do atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e as promessas do líder oposicionista Mir Houssein Mousavi, cuja derrota nas eleições da última sexta-feira tem causado uma onda de protestos no Irã.

"É importante entender que, apesar da grande agitação que está acontecendo no Irã, as diferenças entre Ahmadinejad e Mousavi podem não ser tão grandes como tem sido divulgado", afirmou Obama em entrevista à rede de televisão norte-americana CNBC.

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"De qualquer maneira, teremos que lidar com um regime iraniano que é historicamente hostil aos EUA", disse.
Pouco antes, durante uma coletiva de imprensa com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-Bak, na Casa Branca, Obama se esquivou mais uma vez de tomar partido na questão e disse que o governo dos Estados Unidos não pode "se intrometer" nas eleições iranianas.

"Não é produtivo --dada a história das relações entre EUA e Irã-- que sejamos vistos interferindo, que o presidente dos Estados Unidos se intrometa nas eleições iranianas", afirmou.

"O que eu repito é o que eu disse ontem, que quando vejo violência contra manifestantes pacíficos, quando vejo oposição pacífica sendo reprimida, onde quer que isto aconteça, é uma preocupação para mim e para o povo americano".

O presidente dos EUA afirmou ainda esperar que "os iranianos tomem os caminhos certos para que possam expressar suas vozes e aspirações".

De acordo com Justin Webb, correspondente da BBC em Washington, a resistência de Obama em tomar partido a respeito da crise política instalada no Irã pode ser fruto de relatórios de inteligência dos EUA que sugerem que Ahmadinejad pode realmente ter vencido as eleições de sexta-feira.

Mesmo assim, Obama tem sido pressionado por alguns políticos conservadores dos EUA a apoiar abertamente os manifestantes no Irã, que alegam que a vitória de Ahmadinejad seria fruto de fraude eleitoral.

"Ele [Obama] deveria dizer abertamente que estas foram eleições corruptas, fraudulentas e vergonhosas", afirmou o senador republicano John McCain, que foi vencido por Obama nas últimas eleições.

Protestos

Partidários do oposicionista Mir Houssein Mousavi realizaram novos protestos em Teerã nesta terça-feira, apesar das ameaças do governo e das mortes registradas nas manifestações da última segunda-feira.

Uma testemunha afirmou à BBC que os protestos ao norte de Teerã foram ainda maiores do que os do dia anterior, embora isso não possa ser confirmado de maneira independente. As manifestações também foram classificadas como "grandes" pela imprensa estatal iraniana.

Testemunhas afirmaram que os manifestantes caminharam em silêncio pelas proximidades da TV estatal iraniana, aparentemente para evitar serem classificados como "baderneiros" pelas autoridades.

Mais cedo, dezenas de milhares de manifestantes pró-Ahmadinejad fizeram um ato na praça Vali Asr, na região central de Teerã, onde estava planejado um ato contra os resultados da eleição.

Mousavi pediu a seus simpatizantes que não comparecessem à praça, com receio de que o encontro de manifestantes resultasse em violência nas ruas de Teerã.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, pelas imagens da TV estatal iraniana, o ato pró-Ahmadinejad parece ter sido menor do que o da oposição, mas não é possível confirmar a informação.

Os protestos começaram após a vitória de Ahmadinejad no pleito de sexta-feira, com mais de 62% dos votos, contra 33,8% de Mir Hossein Mousavi.

Na segunda-feira, protestos com centenas de milhares de pessoas contra Ahmadinejad e a eleição deixaram oito mortos. O governo do Irã chamou de "criminosos" os autores das mortes.

Nesta terça-feira, o Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona a eleição presidencial, anunciou que está disposto a recontar os votos do pleito contestados pela oposição. Mas um porta-voz do conselho disse à TV estatal iraniana que a eleição não será anulada, como exigem os candidatos moderados.

A oposição diz que a recontagem seria insuficiente, já que milhões de cédulas eleitorais teriam desaparecido.

Comunicação

O governo do Irã impôs nesta terça-feira novas restrições à atuação da imprensa, o que tem dificultado o acesso da BBC e outras agências de notícias aos locais onde estão sendo realizados os protestos.

Os jornalistas precisam de permissões especiais do governo para qualquer evento que forem cobrir ao saírem dos seus escritórios.

Passes de imprensa estão sendo invalidados e repórteres estão proibidos de cobrir manifestações não autorizadas pelo governo.

Embora o governo esteja tentando controlar o fluxo de informações para fora do país, muitos iranianos estão usando a internet para mandar mensagens e imagens dos protestos para outros países.

Também nesta terça-feira, o Departamento de Estado americano afirmou ter solicitado ao site de relacionamentos Twitter que adie seus serviços de manutenção, de modo que os iranianos possam continuar usando-o como ferramenta de comunicação.

Suspeita-se que o governo do país esteja bloqueando o acesso de alguns usuários ao site.

Comentários dos leitores
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
E lula responde á Carta do Obama...
Deve ter começado mais ou menos assim:
"Pô Obama, você não disse que eu era "o cara"? Então, eu acreditei, achei que era pra valer..."
A cumparenhada finalmente começa a acordar para a realidade, para o que eles são na verdade, ou seja nada, um zerão redondão á esquerda (que por coincidência, é o lado favorito deles...).
Lula agora, o ator enganador, se tornou o personagem principal daquele filme:
"O Rato que Ruge..."
Responder para Obama? Ele?
Só se for...
Sim senhor!
sem opinião
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Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Até quando os americanos podem matar e não serem responsáveis pelos crimes que cometem contra civilizações iraquiana, afegãs, entre outras.? 3 opiniões
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Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Os EUA influencia, ainda que sutilmente, decisões internacionais. Lula, no meu ponto de vista, fez certo em receber Ahmadinejad a fim de estabelecer, além de esclarecer sua posição em relação ao enriquecimento de urânio do Irã. Afirmando que apoia desde que seja para fins pacíficos, em outras palavras; desde que voces nao façam uma bomba atómica. O que prova ser contraditório, pois uma região como o Irã com tantos conflitos e uma notável instabilidade, pode intencionalmente criar armas nucleares a fim de se "precaverem". Lula reafirmou sua posiçao de nem lá nem cá. Concorda com o Irã, mas sem entrar em divergencia com os EUA. sem opinião
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Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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