BBC Brasil
24/06/2009 - 14h31

Na contramão de países ricos, América do Sul eleva consumo de cocaína

da BBC Brasil

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) destaca em seu relatório mundial divulgado nesta quarta-feira que a América do Sul vem seguindo nos últimos anos uma tendência oposta à dos países ricos e elevando o seu consumo de cocaína.

Estima-se que o Brasil, maior mercado para a cocaína produzida nos vizinhos, tinha 890 mil usuários da droga em 2005 uma taxa equivalente a 0,7% da população entre 12 e 65 anos. Em 2001, a taxa era de 0,4%.

Embora com um número menor de usuários, a taxa de prevalência da droga na Argentina supera com folga a do Brasil. Estima-se que 660 mil pessoas abusem da droga no país vizinho, ou 2,6% da população de 2006.

Apesar de os dados já constarem do relatório anual do UNODC do ano passado, o órgão não deixou de notar o fato de tal crescimento contrastar com uma clara tendência de redução ou estabilização nos países ricos.

Reduções nos países ricos

Nos Estados Unidos, o maior mercado para cocaína, o número de usuários de cocaína passou para 5,7 milhões, tendo chegado a 6 milhões no passado. O resultado é consistente com testes realizados em trabalhadores americanos, segundo o relatório.

Nos principais mercados europeus, o estudo notou uma "estabilização" do consumo. Na Grã-Bretanha, que com 1 milhão de usuários reúne o maior número de consumidores da região, a taxa de prevalência caiu de 2,6% para 2,3% da população na Inglaterra e no País de Gales entre 2007 e 2008 o que equivale a 860 mil usuários.

A Espanha, que tem historicamente uma das maiores taxas de prevalência de abuso de cocaína no continente (3%), parece ter entrado em uma situação estável, com 990 mil usuários.

Na Itália, o terceiro maior mercado europeu para cocaína (850 mil usuários), as taxas permaneceram iguais entre 2005 e 2008: 2,2%.

Drogas e instabilidade

No comunicado que acompanha o relatório, o diretor-executivo do UNODC, Antonio Costa, relaciona o problema da droga à instabilidade e à violência nos países que servem de corredor para o tráfico.

Este é o caso da Guatemala, que tem uma taxa de prevalência relativamente baixa - de 0,2% - mas que sofre com a violência dos cartéis mexicanos que disputam o "negócio" da droga.

No México, que foi recentemente considerado como um "problema de segurança para os Estados Unidos" por conta da dificuldade do Estado de controlar as gangues, a taxa era de 0,8% em 2006.

Por outro lado, destaca o UNODC, o declínio das apreensões de droga em países da África Ocidental "parece refletir a diminuição dos fluxos de cocaína, após cinco anos de crescimento" - embora ainda se observe na região violência e instabilidade política relacionada às drogas, em particular na Guiné Bissau.

"Enquanto houver demanda por drogas, os países mais vulneráveis continuarão sendo alvos dos traficantes", disse Antonio Costa. "Se a Europa quiser realmente ajudar a África, deve diminuir o seu apetite por cocaína."

Comentários dos leitores
J. R. (404) 11/07/2009 13h47
J. R. (404) 11/07/2009 13h47
Bob gosta tanto da dita cuja, que até financiou a potencialização do princípio ativo. Durante a guerra do Vietnã, a dita cuja tinha 10 vezes menos potência, o que permitia a movimentação de Bob. Hoje ele sofre de displasia, assim precisa de ter um melhor estímulo do que tinha naquela época. sem opinião
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O Estado deveria cuidar com mais atenção sobre esse problema grave.
Fiquemos atentos aos fatos: a facilidade com que as drogas chegam à população, atinge os jovens e até mesmo nas escolas é evidente.
Outro fato é que muita gente lucra com isso, a máfia é poderosa no que se diz respeito ao tráfico de drogas, onde podemos supor que a ineficiência do Estado é proposital, ou seja, o Estado tem poder para reprimir e não faz nada!
Tem que ser tomada providências urgentes, como unir prevenção, fortalecer as campanhas antidrogas e principalmente combater como em estado de guerra os traficantes, principalmente os poderosos, ai entra a fundamental tarefa da PF.
Mas no Brasil a coisa é feia, a droga aumenta a violência e o crime organizado toma conta do Estado desorganizado e inoperante, exemplo, o Rio de Janeiro.
Precisa-se mudar as leis, torna-las severas e impiedosas para traficantes, sem excessões...o combate tem que ser sangrento e firme! A mão do estado tem que ser forte e implacável no combate contra as drogas e o crime organizado.
sem opinião
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helio rodrigues de souza (2) 24/06/2009 17h12
helio rodrigues de souza (2) 24/06/2009 17h12
Penso que a melhor alternativa para o Brasil é a prevenção e o tratamento dos usuarios. O custo para um tratamento de dependentes em larga escala é reduzido. Vide trabalho gratuito realizado pelo Centro de Recuperação Coronel Edson Ferrarini
O trafico continua sendo problema policial, mas é mais fácil recuperar os usuarios do que acabar com o tráfico. As vezes problemas complexos podem ter soluções simples. O Brasil é considerado um dos paises com maior numero de usuarios do mundo. O combate ao trafico não reduz o numero de usuarios.
Prende-se um traficante e tem mais de 50 para substitui-los. Recupera-se um usuario , estrutura-se um grupo familiar, diminui-se o indice de crimes e a sociedade tem um ganho real.Acho que a ONU e Brasil pelas raz~es expostas deveriam investir mais na prevenção e tratamento de usuários.
2 opiniões
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