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16/11/2006 - 14h22

FMI vê falso dilema entre estabilidade e crescimento

ANGELA PIMENTA
da BBC Brasil, em Nova York

O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as Américas, Anoop Singh, disse nesta quarta-feira em Nova York que "a agenda prescrita para a estabilidade macroeconômica na América Latina é a mesma para o crescimento e o combate à pobreza."

"Contudo, frequentemente elas são retratadas como programas opostos", acrescentou, referindo-se ao debate entre as escolas econômicas desenvolvimentista e monetarista.

Singh foi um dos palestrantes da conferência "América Latina 2007: Previsões Econômicas, Financeiras e de Negócios", promovida pelo centro de pesquisas Americas Society/Council of the Americas.

De acordo com o diretor do Fundo, o poder público dispõe de "alavancas que podem estimular o crescimento na região".

Reformas e ajuste

As alavancas propostas por Singh incluem a promoção da reforma fiscal, a realocação dos gastos do governo e a redução da rigidez do orçamento público, além de reformas trabalhistas, e de melhorias nas áreas de serviços prestados pelo governo e nos mercados de crédito.

Singh propôs um cenário de crescimento sustentável de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na América Latina.

Para alcançar tal meta, que ele qualificou como "muito modesta, se comparada ao que os países asiáticos têm feito", os latino-americanos teriam que cumprir uma série de pré-condições, como obter um crescimento de 2% em produtividade e alcançar uma taxa de investimento de 24%.

Singh acrescentou que tais pré-condições são "um desafio severo" para a região.

Indagado sobre sobre os países em relação aos quais se sentia mais otimista, ele elogiou a política fiscal do Chile e do México e o programa brasileiro Bolsa Família.

"Este programa distribui renda para 11 milhões de famílias e se tornou um modelo internacional para gastos sociais", afirmou.

"Crescimento decepcionante"

Mas, ao comentar o desempenho da economia brasileira, que tem crescido a uma média anual de 1,2% em termos de PIB per capita no período 2000-2006, o economista sênior do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, disse que tal nível "é uma decepção absoluta, uma vez que nos últimos três anos o país vem dirigindo na ladeira abaixo."

Ele se referia ao panorama econômico global, que classificou como extremamente favorável ao crescimento e à estabilização econômica.

"Um cenário como esse só acontece duas ou três vezes por século, e o Brasil não tem sabido tirar proveito", acrescentou.

Segundo Ramos, o Brasil continuará a ter um crescimento "medíocre" em 2007. Para ele, os principais obstáculos para a expansão econômica vão além das altas taxas de juros.

"Os juros altos são apenas parte da história", disse. "Historicamente, mesmo quando teve juros mais baixos, o país não cresceu de maneira sustentável."

"O investimento é um pré-requisito crucial. No Brasil, a taxa de investimento dos setores público e privado gira em torno de 20% do PIB, enquanto na China ela alcança cerca de 40% do PIB."

Ramos acrescentou que a corrupção e o clima de insegurança causado pela violência urbana também desestimulam o crescimento brasileiro.
 

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